Chapas e Perfis

Revestimentos metálicos melhoram propriedades técnicas dos plásticos

Antonio Carlos Santomauro
25 de janeiro de 2020
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    Vapor e plasma – Também já se disseminou a tecnologia de metalização a vácuo, com a qual finas camadas de metal vaporizado são depositadas sobre as peças. ABS; PP, poliamidas, PC, PVC; PE e acrílico são algumas das resinas submetidas a esse processo por empresas como a ACT, que metaliza com alumínio plásticos e outros substratos. “Nosso maior mercado é a metalização de autopeças para o varejo de reposição, como refletores de faróis e calotas; a seguir, vêm as utilidades domésticas”, diz Evelio Ramos, gerente de produção da ACT.

    Mas a metalização a vácuo, ele ressalta, adequa-se a aplicações de diversas indústrias: moveleira, brinquedos; acabamentos hidráulicos, perfumaria, entre outras. Em várias delas, o processo é precedido pela aplicação de uma camada de verniz, que aumenta a adesão e corrige possíveis irregularidades na superfície; após a deposição do metal, é aplicado outro verniz. “Esse segundo verniz pode até ser pigmentado e, assim, colorir as peças”, diz Ramos. “Comparativamente aos métodos mais tradicionais de metalização, esse é mais ecológico: quase não gera resíduos e seus insumos, como o alumínio e o tungstênio (material da resistência que aquece o metal a vaporizar), são recicláveis”, pondera Ramos.

    Química e Derivados - Carreri: deposição a plasma melhora adesão ao substrato

    Carreri: deposição a plasma melhora adesão ao substrato

    Esse apelo ecológico é alardeado também por adeptos de outra tecnologia de metalização: o PVD (sigla de Physical Vapor Deposition), cuja base é a ação do plasma – o quarto estado da matéria –, que permite trabalhar também com metais com ponto de fusão superior ao daqueles comumente utilizados na metalização a vácuo; inclusive, com o metal hoje predominante nos processos de tratamento de superfícies com finalidades decorativas nas aplicações mais exigentes (como as autopeças originais das montadoras): o cromo.

    No caso da tecnologia PVD, o apelo da sustentabilidade não se restringe à minimização da geração de rejeitos. “O cromo utilizado nessa tecnologia é o cromo metálico, que é inerte, não causa problemas de saúde, como o cromo 6”, ressalta Felipe de Campos Carreri, pesquisador do Instituto Senai de Inovação em Engenharia de Superfícies.

    Assim como no método a vácuo, também no sistema PVD as peças geralmente recebem camadas anteriores e posteriores de verniz (e em ambos os casos a camada metálica depositada é bastante fina, muitas vezes em escala nanométrica). Porém, de acordo com Carreri, o plasma promove adesão muito superior à do processo a vácuo. “Fabricantes de equipamentos já testaram a metalização de ABS/PC, PC, PMMA, PA. Mas essa tecnologia é viável para outros tipos de resina, até porque o aquecimento pode ser controlado, evitando problemas de derretimento”, ressalta.

    Na indústria nacional, aponta o pesquisador do Senai, essa tecnologia já trata peças metálicas, como ferramentas de usinagem e moldes de injeção. “Não conheço empresas que no Brasil utilizem PVD para metalizar plásticos. Mas temos sido procurados por várias companhias interessadas em conhecer essa tecnologia também para esse tipo de substrato, especialmente em substituição à metalização a vácuo com alumínio”, relata.

    Química e Derivados - Raia: tecnologia de PVD está disponível para a Europa

    Raia: tecnologia de PVD está disponível para a Europa

    Na Europa, a multinacional suíça Oerlikon Balzers já disponibiliza equipamentos e soluções para o revestimento por tecnologia PVD, sobre diversos substratos, inclusive peças feitas de resinas plásticas, como ABS, PC, PC/ABS, PC/PBT, PC/PET, algumas blendas de PA reforçadas com fibras e minerais, entre outros polímeros (a empresa oferece essa tecnologia de revestimentos decorativos com a marca ePD, por meio dos equipamentos Inubia). “Resistência à abrasão e estabilidade de cores são algumas das funcionalidades que a metalização pela tecnologia PVD proporciona às peças plásticas”, afirma Jesus Raia, gerente de produtos de revestimentos para componentes de precisão da Oerlikon Balzers.

    Essa tecnologia da Oerlikon Balzer inclui serviços, equipamentos e soluções específicos para a metalização de plásticos com efeito cromado. “É uma tecnologia amigável ao meio ambiente: consome menos energia que outros métodos de metalização, minimiza a necessidade de descarte de resíduos, não utiliza versões prejudiciais do cromo, como o hexavalente, e permite a reciclagem das peças plásticas revestidas”, ressalta Raia.

    Por não haver uma clara demanda do mercado nacional, a Oerlikon Balzers ainda não começou a oferecer suas soluções de metalização de plásticos no Brasil. Mas na Europa, diz Raia, essa tecnologia já é empregada por montadoras nas autopeças plásticas decorativas, internas e externas: grades, frisos, emblemas, peças e botões de painéis, entre outras. “É empregada também em utilidades domésticas, eletroeletrônicos – capas de celulares, por exemplo –, metais sanitários, entre outras aplicações”, acrescenta.



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