Máquinas e Equipamentos

10 de março de 2012

Retornáveis expandem produção e descartáveis já geram demissão

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Publicado por: Plastico Moderno
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    Investimentos em expansão, produção triplicada. Esses são os efeitos do ponto final à distribuição das sacolas convencionais de polietileno de alta densidade nos supermercados, comemorados, com toda razão, pelos fabricantes de sacolas retornáveis. As indústrias produtoras dos modelos banidos, porém, enfrentam dias difíceis: declínio na produção, demissões, riscos de fechamento de fábrica. Há até rumores de que algumas empresas fecharam as portas e puseram os equipamentos à venda no mercado de usados.

    Enquanto Adovanio Tavares, diretor da Fate Etiquetas e Embalagens, celebra a disparada nas vendas, elevando sua produção de sacolas retornáveis feitas com tecido de PET reciclado de 30 mil para 100 mil por mês, Roberto A. Brito, diretor da Extrusa-Pack, tradicional fabricante de embalagens flexíveis, lastima o encolhimento na produção, da ordem de 50%, e teme precisar lançar mão de medidas radicais, como o fechamento da unidade dedicada à fabricação das sacolas tipo camiseta para supermercados. O corte de funcionários já é certo. Mesmo redirecionando parte da sua produção, será necessário demitir 20% do quadro.

    Crescimento acelerado – Criada há cerca de sete anos, a Fate reorientou os negócios há dois, quando as solicitações por sacolas retornáveis se tornaram constantes. O dono da até então representante da RR Etiquetas, da Extrusa-Pack (sacolas) e da Scarcelli (sacos de pão) decidiu manter apenas a primeira representação, romper com as outras duas e começar a produzir sacolas retornáveis, atividade iniciada há um ano.

    Plástico, Adovanio Tavares, diretor da Fate Etiquetas e Embalagens,   Retornaveis expandem produção e descartáveis já geram demissão

    Tavares investe para poder suprir o aumento nos pedidos

    Diversos materiais passaram pelas mãos de Tavares para escolha da matéria-prima das sacolas retornáveis, entre os quais papel, considerado por ele de custo muito alto; e TNT, descartado por dificuldades na impressão. “Gostei mais do tecido de PET reciclado e o adotei”, informa.

    Até o início do ano, a produção girava em torno de 30 mil sacolas por mês. Apenas entre os dias 26 e 30 de janeiro, datas subsequentes à saída de circulação das sacolas convencionais, os pedidos triplicaram. Um Tavares animado saiu às compras de novas máquinas, pois seu prazo de entrega passou para 60 dias. “Mas essa explosão é momentânea. A tendência é o mercado se estabilizar e se manter na reposição”, reputa o executivo precavido.

    A atuação do empresário abrange a Grande São Paulo e a Baixada Santista, com produtos de varejo e promocionais. A produção atual de 100 mil sacolas mensais demanda cerca de 60 mil metros lineares de tecido de PET reciclado. Cada sacola, com capacidade para suportar até 15 quilos, é comercializada a R$ 2,90, em média. A impressão decorativa, feita por sublimação, transfere por calor a imagem do papel para a sacola. Os resíduos de papel – equivalentes à quantidade de sacolas produzidas (cada imagem corresponde a uma sacola) – são reciclados, mas não retornam como papel branco por causa da tinta. “O papel passa por processo de lavagem para sua retirada e é reciclado para papel-jornal, cartonados etc.”, explica o diretor.

    Por conta da “bolha”, os negócios da empresa hoje atendem 80% do mercado varejista, com vendas, em geral, pulverizadas – a maioria, pequenos clientes, entre algumas redes. Mas os planos de Tavares contemplam um maior foco no ramo promocional, pela diferenciação de mercado.

    Realidade crua – Por conta dos poucos consumidores dispostos a pagar R$ 0,19 por uma sacola biodegradável, seu custo produtivo, de acordo com o fabricante, o modelo encalhou. “A população não aceitou”, admite o diretor da Extrusa-Pack. Brito justifica o caráter explorador de sua empresa por novas tecnologias para assumir a experiência de introduzi-las em sua produção. A novidade estreou nos magazines e se alastrou nos supermercados. Com atuação em todo o país, Brito confessa que só restou mercado para essas sacolas em Belo Horizonte, onde seu uso é obrigatório por força de lei. “Nem Jundiaí quer mais”, reconhece.

    Além do custo alto, os modelos trouxeram à tona problemas operacionais: sacolas feitas com esse material reciclado não têm mercado. Ninguém aceita pagar valor idêntico ao do virgem, ainda que seja o de custo, por produtos reciclados, ainda mais em cores típicas de material reaproveitado.

    Plástico, Roberto A. Brito, diretor da Extrusa-Pack,   Retornaveis expandem produção e descartáveis já geram demissão

    Brito receia ter de adotar medidas drásticas, como fechar unidade dedicada

    Para contornar a crise, a unidade dedicada à produção de sacolas de supermercado e de magazines, em Guarulhos-SP, teve parte de sua atividade revertida para os modelos retornáveis. “Mas não temos a mesma expectativa de vendas”, assume. Segundo Brito, os maiores danos recaem nas sacoleiras. As extrusoras e impressoras ainda podem ser redirecionadas, mas aquelas não. É prejuízo certo. Brito que o diga. Ainda com pendências no Finame, há dois anos ele investiu pesado, quase R$ 10 milhões, em novos equipamentos: extrusoras, impressoras e sacoleiras. As extrusoras e as impressoras ainda podem se pagar, mas as sacoleiras…

    As sacolas tipo camiseta representam 60% da produção da Extrusa-Pack, traduzidas em cerca de 250 milhões de unidades por mês, encaminhadas para todo o país. Algo em torno de 45% equivale ao abastecimento dos supermercados. “Ou dimensiono a fábrica para outra coisa ou fecho”, lamenta o diretor.

    A empresa possui outras três unidades em São Paulo, em um mesmo bairro, o Parque Novo Mundo, onde distribui produções de sacos e sacolas lisas, sacolas de material reciclado e sacos de polipropileno. O único resultado colateral positivo das mudanças Brito sentiu no aumento das vendas de sacos de lixo, da ordem de 20%, e também dos sacos fundo estrela, que cresceram em torno de 10%. Mesmo assim, não compensam os prejuízos.

     

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