Aditivos e Masterbatches

Retardantes de chamas: Pressão regulatória abre caminho para mudanças nos aditivos, até nos halogenados

Marcelo Fairbanks
13 de outubro de 2014
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    Ghidetti salienta que a maioria das aplicações e resinas já são bastante conhecidas pela Clariant, que possui dados suficientes para produzir uma recomendação de retardantes de chama e sua dosagem para cada caso. “Os clientes sempre testam os produtos antes de usá-los na linha de produção e, caso seja desejável mudar a formulação, podemos estudar casos isolados em nossos laboratórios daqui e da matriz”, afirmou.

    Ele citou o avanço dos polímeros especiais, que são transformados a altas temperaturas, como demandantes de soluções específicas. “Esse campo sempre exige vendas técnicas, é preciso avaliar a resina, a aplicação, e a necessidade de atender a normas locais ou internacionais antes de fechar um negócio”, explicou.

    Ghidetti não vê uma guerra entre os diversos tipos de retardantes, mas uma atuação complementar, considerando sinergias. “Muitas vezes combinamos nossos fosfóricos com melamina, que é um nitrogenado, aproveitando a sua capacidade de intumescimento, útil para formar camada protetora contra fogo”, afirmou. “Também combinamos nossos aditivos com alumina e outros inorgânicos, isso é muito comum, por exemplo, nos compósitos.”

    Ele salientou que o Brasil ainda há uma escassez normativa quanto ao uso de retardantes de chama. “O México e o Chile já possuem normas de proteção por pintura intumescente muito avançadas, oferecendo mais proteção aos seus cidadãos”, afirmou.

    Plástico Moderno, Angela: novo Disflamoll atende resinas flexíveis e elastômeros

    Angela: novo Disflamoll atende resinas flexíveis e elastômeros

    Angela Baccarin, da área de vendas técnicas de Functional Chemicals da Lanxess, concorda com Ghidetti. “Ainda há muito para se desenvolver neste setor, especialmente em termos de legislação e fiscalização do seu cumprimento”, apontou. Embora reconheça que o mercado nacional ainda se oriente pelo preço dos aditivos, ela identifica uma lenta evolução nesse campo. A Lanxess oferece produtos com base no fósforo, associando capacidade de proteção à facilidade de processamento.

    Os produtos da Lanxess são utilizados em diversas aplicações, como espumas de poliuretano, placas para isolamento térmico e acústico, estofados, colchões, pisos, laminados sintéticos, borrachas de isolamento, peças técnicas, entre outros. Seu é dividido em duas linhas principais: Disflamoll e Levagard.

    Os aditivos Disflamoll são ésteres fosfatados aromáticos que combinam propriedades de retardantes à chama com capacidade de plastificação, com excelente compatibilidade com polímeros polares. São indicados para PVC, PUR, NBR, borracha clorada, resina fenólica, EPDM e outras borrachas sintéticas.

    Por sua vez, a linha Levagard, formada por ésteres fosfatados halogenados e não-halogenados, é muito focada para espumas de poliuretano.

    A especialista da Lanxess aponta como sua mais recente inovação o Disflamoll TP 51092, fosfato de trifenilbutila. “Ele atende o mercado de PU, PVC flexível e outros elastômeros, oferecendo excelente performance técnica e custo competitivo”, salientou.

    “Atualmente, existe um aumento nas exigências a respeito do uso de retardantes à chama, isso representa um bom sinal no que se refere à segurança de produtos e instalações, principalmente para os usuários”, ponderou José Roberto Capozzi Junior, gerente de negócios de aditivos para plásticos downstream da Basf. O consumo acompanha a evolução dessas exigências.

    Capozzi não vê problemas para substituir os halogenados, pois existem várias opções disponíveis. A Basf, por exemplo, oferece o Flamestab NOR 116, que além de ser um estabilizante à luz do grupo dos NOR Hals, também propicia retardância à chama em algumas aplicações. “Com a nossa tecnologia, é possível diminuir a carga de retardantes halogenados mediante o uso conjunto com o Flamestab NOR 116”, informou.

    Esse aditivo é indicado para fibras, filamentos e filmes de poliolefinas usados em construção civil e tecidos automotivos, requerendo dosagem bem menor do que os retardantes à chama usuais. Além dele, a companhia também possui a linha Melapur, com base em melamina, com aplicações em PA, PBT e TPU, admitindo várias colorações. “A melamina produz menos densidade de fumaça em caso de queima”, explicou, salientando que os retardantes da Basf são livres de halogênios e indicados para algumas aplicações industriais e técnicas específicas.

    Plástico Moderno, Colavita: antimônio melhora desempenho dos halogenados

    Colavita: antimônio melhora desempenho dos halogenados

    Halogênios avançam – Os produtores de compostos halogenados com função retardante de chamas mantêm seus avanços, apresentando novas alternativas aos usuários. Os três produtores mundiais desse tipo de retardantes – Albemarle, ICL e Chemtura – decidiram, voluntariamente, encerrar suas atividades com o decabromo difeniléter (decaPBDE) até dezembro de 2013 (exceto usos militares), concluindo uma sequência de encerramento de produtos da família PBDE nos últimos dez anos, casos das formas penta e octa.

    A linha de halogenados da Albemarle Corporation é representada no Brasil há 22 anos pela Neotrade. “Trabalhamos com a linha Saytex (halogenados) por importação direta e mantemos estoque local dos Saytex 8010, 4010 e BT93-W”, comentou Sylvio Moreira do Carmo, diretor da Naeotrade. A distribuidora Jacotrade gerencia os negócios no Brasil com o Martinal OL 104-LEO (hidróxido de alumínio), fabricado pela mesma companhia e também usado como retardante de chama. “A Neotrade está avaliando outros aditivos, como o trióxido de antimônio, os ésteres fosfatados e os polifosfatos de amônia, para complementar o portfólio”, afirmou.

    Moreira comentou que a Albemarle está buscando retardantes de chama mais eficientes e seguros. “Podemos citar o GreenArmor, retardante de chama polimérico e ecologicamente amigável, desenvolvido para diversas aplicações, tais como resinas estirênicas (PS de alto impacto e ABS), plásticos de engenharia e poliolefinas”, mencionou.

    A companhia criou também o GreenCrest, retardante polimérico especificamente desenvolvido para substituir o hexabromociclododecano (HBCD) nas aplicações em poliestireno expandido (EPS) e extrudado (XPS), informou Moreira. “Também temos os retardantes da linha dos poliestirenos bromados (BPS), como o Saytex 7010 e o 3010, indicados para aditivar poliamidas e poliésteres (PET, PBT e PCT), por exemplo”, explicou.

    Também a ICL se preparou para oferecer alternativas ao HBCD. “A ICL oferece o FR-122, um retardante polimérico não-halogenado que é aplicado da mesma forma e na mesma dosagem do HBCD, ou seja, com fácil substituição”, afirmou Selena Mendonça, da Chemtra. Nesse caso, o alvo é o mercado de poliestireno expandido (EPS). “O HBCD será banido, nos mercados do exterior, em 2015 e 2016, e já notamos uma demanda no Brasil por esse aditivo substituto”, comentou.

    Ela comentou que as poliolefinas, entre todas as resinas, terão mais dificuldade para substituir os halogenados. “As doses dos produtos substitutos são muito altas nesse caso”, afirmou. A ICL também atua com derivados de fósforo, além dos retardantes halogenados, feitos de bromo.

    “A pressão contra os halogenados é bem mais intensa no exterior do que no Brasil, mas a Diretiva Rohs pegou firme por aqui também”, afirmou Selena. Essa diretiva de origem europeia para restrição de algumas substâncias perigosas levou ao abandono do óxido de difenil decabromo (DBDPO), insumo muito apreciado pelas poliolefinas. “O decabromo difenil etano atende as exigências da Diretiva Rohs e tem excelentes resultados contra chamas”, comentou.

    Há outras alternativas para suprir as necessidades poliolefínicas, como informou, em especial os derivados de fósforo e de magnésio.

    Coadjuvante – Nem só de ingredientes principais vivem os retardantes de chama. O trióxido de antimônio é usado há décadas como agente complementar de segurança contra fogo quando combinado com halogenados. No Brasil, o maior mercado está nas formas flexíveis do PVC, usadas em fios e cabos elétricos e laminados. “O PVC rígido é inflamável, pois já tem um halogênio – o cloro – em sua molécula, o que pega fogo é a plastificante”, explicou Wagner Colavita, diretor da Oxy Química e Metalúrgica, fabricante nacional de trióxido de antimônio.

    Embora tenha verificado uma queda de vendas em 2013 e 2014, igualmente sentida pelos demais entrevistados e atribuída aos problemas econômicos nacionais que afetam sobremaneira a atividade industrial, Colavita informa que a demanda pelo trióxido se revela crescente em âmbito mundial. “Tanto assim que seus preços estão estáveis”, disse, salientando que não há nenhuma restrição ao insumo.

    O modo de ação do insumo ainda é discutido, sendo a explicação mais aceita a formação, sob alta temperatura, de um oxi-halogeneto de antimônio, substância de alto poder ignífugo, como informou a Oxy. Dessa forma, a associação tem efeito sinergético, permitindo usar menor quantidade de halogenados para retardar chamas em poliolefinas, ABS, PBT, poliéster insaturado e poliuretano.



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