Aditivos e Masterbatches

Retardantes de chamas: Pressão regulatória abre caminho para mudanças nos aditivos, até nos halogenados

Marcelo Fairbanks
13 de outubro de 2014
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    Como explicou, ainda há muito espaço para o crescimento da segurança contra incêndio no Brasil. “Com base em referências internacionais de regulamentações, legislações e normas, o que a Abichama propõe para o País é a adoção de padrões de segurança contra incêndio que incluam o controle de inflamabilidade de materiais. Por exemplo, o tipo de material a ser usado em uma determinada construção deve ser definido respeitando normas e regulamentações em vigor para cada tipo de aplicação”, ressaltou. Além dos materiais de construção, todo o ambiente deve ser observado e adequado às normas de segurança contra incêndio, incluindo decoração, revestimentos, móveis etc. No caso de artigos inerentemente inflamáveis, como cortinas, espumas de isolamento acústico e térmico, carpetes, colchões, poltronas e outros, o fundamental é que esses itens sejam tratados para que tenham uma baixa taxa de propagação de chama. “O objetivo final é aumentar o tempo que as pessoas teriam para sair de forma segura de uma propriedade, em caso de incêndio, salvando vidas”, apontou.

    Ainda está na memória dos brasileiros o incêndio da boate Kiss, em Santa Maria-RS, ocorrido em 27 de janeiro de 2013, no qual morreram 242 pessoas e 116 sofreram ferimentos. Um dos motivos para a rápida propagação do fogo foi o uso de espumas de poliuretano sem a devida incorporação de retardantes de chama como revestimento acústico das paredes. A queima do PU resulta na emissão de uma fumaça altamente tóxica, contendo gás cianídrico, resultante da decomposição do polímero, fato que contribuiu para a elevada letalidade do incêndio.

    A gravidade do caso chamou a atenção das autoridades brasileiras. Nos meses seguintes, várias casas noturnas e espaços públicos foram fiscalizados, muitos fechados para adequação às normas de segurança. A procura por retardantes de chama aumentou significativamente, embora ainda faltem normas no país que obriguem a sua aplicação.

    “O caso de Santa Maria deu uma grande visibilidade para o problema da segurança em ambientes confinados e desencadeou a elaboração de vários projetos de lei sobre medidas protetivas, inclusive sobre a composição química dos materiais usados nesses locais”, comentou Selena Mendonça, gerente de negócios da Chemtra (Metachem). A empresa distribui os produtos da israelense ICL no país há 26 anos.

    Ela elogiou o trabalho desenvolvido pela Abichama e classificou como um retrocesso a mudança do TB-117, na Califórnia. “É possível que, no futuro, eles voltem atrás nessa questão”, comentou. Quanto às normas brasileiras, ela mencionou o fato de os colchões de espuma de poliuretano não serem ainda obrigados a conter retardantes. “Só quando o cliente exige, caso de redes de hotéis e de imposição de seguradoras, é que esses aditivos são incluídos no produto”, criticou.

    Plástico Moderno, Ghidetti: aditivo dá proteção a materiais em camada delgada

    Ghidetti: aditivo dá proteção a materiais em camada delgada

    Mercado em evolução – No campo dos plásticos, o retardante de chama com maior participação no mercado mundial é a alumina tri-hidratada (ATH), com 40,4% em 2011, segundo levantamento da Townsend Solutions (2012), seguida pelos halogenados (19,7%) e organofosforados (14,6%). A guerra atual é travada entre as duas últimas classes de materiais, pois a alumina não deve perder posições de mercado.

    “A alumina é um material de baixo custo e sempre será preferida quando puder ser usada”, afirmou Paulo Ghidetti, coordenador técnico da unidade de negócios de aditivos da Clariant para a América Latina. A Clariant nunca relacionou halogenados em seu portfólio de retardantes de chama, possuindo aditivos da linha dos fosfatos (linha Exolit) e dos amínicos (Hals – hindered amine light stabilizers, linha Hostavin). O especialista também advertiu para a necessidade de incorporar uma quantidade muito grande de alumina para se obter um efeito retardante adequado. “A dose pode ser tão elevada que compromete as propriedades mecânicas do polímero”, comentou. No caso da aditivação de poliolefinas, os derivados fosforados são aplicados em doses que variam de 23% a 25% em peso, não muito distantes das indicações dos halogenados, de 18% a 19%, segundo informou.

    A alumina hidratada libera água quando aquecida e, dessa forma, produz efeito retardante de chama. “A temperatura de processamento da maioria das resinas se situa acima de 120°C, limitando o uso desse aditivo”, avaliou Ghidetti.

    Como explicou, atualmente existem alternativas para oferecer proteção antichama sem recorrer aos compostos halogenados. “Tecnicamente isso é possível, mas depende de uma avaliação econômica em cada caso”, afirmou. Por exemplo, a linha de produtos da Clariant cobriria quase todas as aplicações, exceto as resinas estirênicas.

    A linha Exolit possui um grande emprego na produção de eletroeletrônicos. Os aditivos da linha que são formulados com polifosfato de amônio são indicados para proteger poliolefinas, enquanto os derivados de organofosforados geralmente beneficiam os plásticos de engenharia.

    Ghidetti aponta outro mercado para os retardantes, formado por aplicações em materiais de espessura delgada, a exemplo de filmes e não-tecidos. “Os retardantes em geral precisam de uma espessura maior para funcionar bem, mesmo os fosforados, nos quais o calor provoca a liberação de ácido fosfórico que degrada o polímero e forma uma espuma carbonizada e incombustível na superfície, impedindo que o fogo continue a consumir o material”, explicou. Em espessuras delgadas, a recomendação da Clariant é o Hostavin Now, capaz de manter o desempenho nessa condição.



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