Retardantes de Chamas para Plásticos – Aditivos, até nos halogenados

Pressão regulatória abre caminho para mudanças nos aditivos, até nos halogenados

A mudança de um ensaio de avaliação da resistência ao fogo de móveis estofados no Estado da Califórnia (EUA) colocou mais lenha na fogueira do debate sobre o uso de compostos halogenados como retardantes de chama para plásticos.

A revisão do Boletim Técnico (TB) 117 retirou da lista de ensaios aplicados a esse tipo de mobília o teste de chama aberta, que simularia o contato da chama de uma vela com o material.

Esse teste, considerado muito exigente em relação à proteção oferecida, era apontado como justificativa para a adição de compostos halogenados, derivados do bromo, aos tecidos e ao material de enchimento dos estofados, geralmente feito de espuma de poliuretano.

O governo da Califórnia afirmou que a mudança foi feita porque a incidência desse tipo de acidente se tornou rara e, por isso, a nova redação do TB-117, aprovada em 2013 para entrar em vigor em janeiro deste ano, deveria dar mais atenção aos ensaios que simulam ponta de cigarros acesas como fonte de inflamação.Plástico Moderno, Retardantes de chamas para Plásticos - Lei muda na Califórnia - Sofas e estofados com novas leis anti fogo: Pressão regulatória abre caminho para mudanças nos aditivos, até nos halogenados

Ressalte-se que o TB-117 se aplica apenas a móveis estofados, não abrangendo, por exemplo, roupas de cama, colchões e travesseiros.

Além disso, a norma concede prazo até janeiro de 2015 para adaptação dos fabricantes e fornecedores dessas peças, incluindo a realização de ensaios e a revisão das etiquetas.

A Califórnia é o único estado americano a ter norma de inflamabilidade para mobília de sala e, por isso e pelo tamanho do mercado, é referência naquele país.

A mudança da norma, embora restrita a um determinado item, reavivou uma discussão antiga, sobre a necessidade do uso de retardantes de chama que contenham compostos halogenados.

Essa classe de aditivos é usada em vários materiais, como plásticos, tecidos, tintas protetivas, entre outros.

No Brasil, a Associação Brasileira da Indústria de Retardantes de Chama (Abichama) aborda temas relacionados à reação de materiais ao fogo e ao desenvolvimento de padrões de inflamabilidade.

A entidade ratifica o posicionamento contrário à alteração dos ensaios de resistência ao fogo promovidos pelo TB-117 emitidos por outros especialistas em segurança contra incêndio.

Plástico Moderno, Lilian Salim, diretora da associação, cujos sócios são ICL, Albemarle e Chemtura
Lilian: mudança na Califórnia colocou população sob risco

“A ação do California Department of Consumer Affairs Bureau of Electronic and Appliance Repair, Home Furnishings and Thermal Insulation eliminou um importante nível de proteção que beneficiou a população da Califórnia nos últimos 35 anos”,

criticou Lilian Salim, diretora da associação, cujos sócios são ICL, Albemarle e Chemtura.

Em conformidade com a Associação Nacional de Segurança contra Incêndio (Nafra, dos EUA), a Abichama ressalta que velas, isqueiros e fósforos são grandes causas de incêndios em móveis estofados, enquanto o número de incêndios causados por cigarros está em declínio.

“A comissão não deveria ter removido a necessidade do teste de chama aberta para móveis estofados sem considerar os resultados de um estudo de no mínimo dois anos sobre a resistência ao fogo nos materiais utilizados e outras tecnologias existentes”, afirmou Lilian.

O papel da associação é alertar e conscientizar os órgãos governamentais, empresariado e a população sobre a importância da segurança contra incêndio e prover soluções seguras para a proteção dos consumidores.

“Neste sentido, temos atuado em diversos Comitês de Estudos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e Comissões de Estudos do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro)”, disse Lilian.

Atualmente, na ABNT, a Abichama atua nos comitês CB-10:

  • Comitê Brasileiro de Química – Comissão de Estudos de Poliuretanos;
  • CB-15: Comitê Brasileiro do Mobiliário; CB-24:
  • Comitê Brasileiro de Segurança Contra Incêndio; CB-55:
  • Comitê Brasileiro de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento
  • CB-155: Comissão de Estudo Especial de Materiais Isolantes Térmicos e Acústicos.

“A ABNT cita como importante a adoção de padrões internacionais, como ISO e as normas europeias, que já são reconhecidos mundialmente, e a Abichama acredita que esse é o melhor caminho para aumentarmos a segurança contra incêndio no País”, comentou a diretora da entidade.

Como explicou, ainda há muito espaço para o crescimento da segurança contra incêndio no Brasil.

“Com base em referências internacionais de regulamentações, legislações e normas, o que a Abichama propõe para o País é a adoção de padrões de segurança contra incêndio que incluam o controle de inflamabilidade de materiais.

Por exemplo, o tipo de material a ser usado em uma determinada construção deve ser definido respeitando normas e regulamentações em vigor para cada tipo de aplicação”, ressaltou.

Além dos materiais de construção, todo o ambiente deve ser observado e adequado às normas de segurança contra incêndio, incluindo decoração, revestimentos, móveis etc.

No caso de artigos inerentemente inflamáveis, como cortinas, espumas de isolamento acústico e térmico, carpetes, colchões, poltronas e outros, o fundamental é que esses itens sejam tratados para que tenham uma baixa taxa de propagação de chama. “O objetivo final é aumentar o tempo que as pessoas teriam para sair de forma segura de uma propriedade, em caso de incêndio, salvando vidas”, apontou.

Ainda está na memória dos brasileiros o incêndio da boate Kiss, em Santa Maria-RS, ocorrido em 27 de janeiro de 2013, no qual morreram 242 pessoas e 116 sofreram ferimentos.

Um dos motivos para a rápida propagação do fogo foi o uso de espumas de poliuretano sem a devida incorporação de retardantes de chama como revestimento acústico das paredes.

A queima do PU resulta na emissão de uma fumaça altamente tóxica, contendo gás cianídrico, resultante da decomposição do polímero, fato que contribuiu para a elevada letalidade do incêndio.

Link direto para Comprar RETARDANTES DE CHAMA PARA PLÁSTICOS

A gravidade do caso chamou a atenção das autoridades brasileiras.

Nos meses seguintes, várias casas noturnas e espaços públicos foram fiscalizados, muitos fechados para adequação às normas de segurança. A procura por retardantes de chama aumentou significativamente, embora ainda faltem normas no país que obriguem a sua aplicação.

“O caso de Santa Maria deu uma grande visibilidade para o problema da segurança em ambientes confinados e desencadeou a elaboração de vários projetos de lei sobre medidas protetivas, inclusive sobre a composição química dos materiais usados nesses locais”, comentou Selena Mendonça, gerente de negócios da Chemtra (Metachem). A empresa distribui os produtos da israelense ICL no país há 26 anos.

Ela elogiou o trabalho desenvolvido pela Abichama e classificou como um retrocesso a mudança do TB-117, na Califórnia. “É possível que, no futuro, eles voltem atrás nessa questão”, comentou.

Quanto às normas brasileiras, ela mencionou o fato de os colchões de espuma de poliuretano não serem ainda obrigados a conter retardantes. “Só quando o cliente exige, caso de redes de hotéis e de imposição de seguradoras, é que esses aditivos são incluídos no produto”, criticou.

1 2 3 4Próxima página

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios