Aditivos e Masterbatches

Retardantes de chamas: Normas reduzem risco de incêndios

Antonio Carlos Santomauro
30 de outubro de 2018
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    Plástico Moderno, Debora oferece opções de não-halogenados para plásticos

    Debora oferece opções de não-halogenados para plásticos

    Outras opções – Do portfólio da Neotrade, que distribui no Brasil os retardantes da Albermale, já constam dois retardantes poliméricos. “Um para EPS e outro para poliamidas”, especifica Rogério Andrade do Carmo, gerente comercial da Neotrade. As versões poliméricas ainda têm preço ligeiramente superior ao dos retardantes halogenados convencionais e exigem concentrações mais elevadas. “Mas já percebemos um movimento de clientes em setores como construção civil, eletroeletrônicos e indústria automobilística, buscando a homologação de produtos que utilizam esses retardantes poliméricos”, relata Carmo.

    A Neotrade distribui também alumina tri-hidratada, da alemã Alpha Calcit, e, em parceria com potenciais clientes, estuda a possibilidade de homologação de produtos que utilizam hidróxido de magnésio como retardante. “O hidróxido de magnésio pode ser uma alternativa aos compostos com bromo. Ainda é mais caro, mas já há clientes interessados em avaliar seu uso”, ressalta Carmo.

    Na Basf, o portfólio de retardantes inclui duas linhas de produtos não-halogenados: Melapur, à base de melamina, e Flamestab NOR 116, derivado de triazina. A primeira é mais voltada aos plásticos de engenharia, por exemplo, poliamidas aplicadas em eletroeletrônicos. “Melapur é um retardante de chamas livre de halogênio, antimônio e metais pesados”, destaca Debora Freixedelo, da equipe de marketing de Aditivos para Plásticos da Basf.

    Por sua vez, o Flamestab NOR 116 combina a função do retardamento com a proteção contra raios UV e tem características antitérmicas, sendo indicado para aplicações poliolefínicas com baixas espessuras, como ráfias, não-tecidos, filmes, fios e cabos. “É um produto eficaz mesmo em pequenas concentrações”, afirma Débora. Segundo ela, em concentração de 1%, o Flamestab NOR 116 apresentou “excelente desempenho” nos testes NFPA 701 e MVSS 302 (focados, respectivamente, na avaliação da resistência a chamas de tecidos e de materiais presentes em interiores de automóveis).

    Opções de sinergistas – A tecnologia de retardamento de chamas evolui também nos chamados sinergistas, que atuam conjuntamente com um retardante, ou com uma substância com propriedades similares, para potencializar o desempenho de suas funções, de modo a reduzir a sua dosagem, entre outras vantagens.

    Um dos mais conhecidos dos sinergistas é o trióxido de antimônio, utilizado principalmente em PVC flexível (aos quais se adicionam altas doses de plastificantes combustíveis), cuja função retardante depende da associação com um halogênio que, no caso do PVC, é o próprio cloro dessa resina, e em outras aplicações geralmente é o bromo de um retardante. “O trióxido de antimônio é usado não apenas em PVC, mas também em ABS e pode atuar em PP e PE”, relata Wagner Colavita, diretor da Oxy, tradicional fornecedora desse produto.

    Segundo ele, o trióxido de antimônio é extremamente eficaz e não está sujeito a restrições ambientais, que podem surgir apenas como decorrência dos retardantes aos quais ele possa se associar, sendo utilizado em larga escala em todo o mundo. “A não ser em algumas aplicações específicas, ao menos no médio prazo, ele tem garantido um amplo mercado”, projeta o diretor da Oxy. “Tenta-se há muito tempo substituí-lo, mas as possíveis alternativas são muito mais caras e menos eficazes”, acrescenta.

    Mas existem concorrentes. Um deles, o Dicumene, recentemente lançado pelo SI Group, tem por base o cumeno (propil benzeno) e também pode ser usado isoladamente em resinas nas quais há um halogênio, caso do PVC, ou em parceria com retardantes halogenados. O material de apresentação desse produto destaca a possibilidade de seu uso como forma de reduzir as quantidades de retardantes halogenados utilizados em resinas como o EPS. “Mas vejo potencial para seu uso também em aplicações de PVC, PS, XPS, HIPS (PS de alto impacto) e espumas usadas na construção civil”, cita Eduardo Smetana, gerente de negócios do SI Group. “Ele tem desempenho sinérgico com sistemas específicos de PP”, acrescenta.

    O SI Group também está comercializando o 4,4 Biphenol, que anuncia integrar em um único produto a característica antichamas com a proteção contra oxidação e a resistência a impactos. “Esse produto já é empregado em plásticos avançados em aplicações especiais, como equipamentos médicos e eletrônicos, e para fazer alguns polímeros de cristal líquido (LCPs) e polifenilsulfonas (PPSU)”, detalha Smetana. “Também pode ser intermediário em alguns retardantes à base de fósforo, aumentando significativamente suas propriedades retardadoras, e atuar como sinergista em combinação com esse retardadores”, acrescenta.

    No portfólio da Lanxess, produtos como o Disflamoll TP 51092 e integrantes da linha Reofos (oriunda da Chemtura) também combinam as funções de retardamento de chamas com a de plasitificantes, explica Soraya. Segundo ela, no Brasil já é possível notar expansão da demanda por produtos inovadores e ambientalmente mais saudáveis, entre os quais cita o retardante não-halogenado Emerald Innovaton NH1, mais empregado pela indústria moveleira. “Aqui esse produto ainda é utilizado principalmente por quem exporta ou pretende exportar móveis, pois em outros mercados as normas são mais rígidas”, ressalta Soraya.



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