Retardantes de Chamas para Polímeros: Avanço das Normas Contra Incêndio Exigem Proteção Elevada

Normas avançam e exigem proteção mais elevada

Clientes importantes, como o setor automobilístico, refrearam em 2020 suas compras de retardantes de chamas para polímeros que seguiram, porém, muito demandados por outros mercados relevantes, como as indústrias de materiais de construção e de eletroeletrônicos.

Este ano, as muitas incertezas não impedem um tom otimista temperado pela moderação, é verdade, nas perspectivas dos fornecedores desses insumos.

Até porque, mesmo na pandemia, avançam as normas brasileiras sobre combate a incêndios e propagação de fogo que impactam diretamente essa indústria.

Em meados do ano passado, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) publicou a norma NBR 16841:2020: Comportamento ao Fogo de Telhados e Revestimentos de Cobertura Submetidos a uma Fonte de Ignição Externa.

E foi recentemente concluída a fase de consulta pública de uma nova norma, referente à propagação de incêndio em fachadas de edificações.

Nessas fachadas, explica Antonio Fernando Berto, gerente técnico do Laboratório de Segurança ao Fogo e a Explosões do Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT e coordenador da Comissão de Estudos de Reação ao Fogo do CB-24 (Comitê Brasileiro de Segurança Contra Incêndio) da ABNT, polímeros aparecem em aplicações como os painéis de alumínio composto, cujo miolo é de polietileno.

“Dependendo de suas características de ignitabilidade, esse material pode conferir aos painéis e consequentemente às fachadas desempenho inadequado em termos de reação ao fogo”, observa.

A norma ABNT NBR 16626, de 2017, ressalta Berto, já propunha uma classificação quanto à reação ao fogo dos materiais utilizados em edificações: em revestimentos, forros, soluções de isolamento, entre outras aplicações.

Antonio Fernando Berto - gerente técnico do Laboratório de Segurança ao Fogo e a Explosões do Instituto de Pesquisas Tecnológicas - IPT ©QD Foto: iStockPhotos
Antonio Fernando Berto: painéis de fachada com polímeros pedem avaliação

“Mas em fachadas e coberturas é necessário avaliar o desempenho não apenas dos materiais, mas do sistema como um todo.

Na nova norma propomos ensaios que considerem trechos significativos das fachadas – incluindo juntas e elementos de fixação –

e o emprego de fontes de calor que reproduzam tanto incêndios internos quanto próximos aos edifícios”, detalha.

Também está sendo finalizada no CB-24, ressalta Sylvio do Carmo Jr., presidente da Associação Brasileira da Indústria dos Retardantes de Chama (Abichama), a discussão do projeto

“Plásticos – Orientação Sobre Características e Desempenho ao Fogo de Produtos à Base de PVC Aplicados em Edificações”.

Dele deve resultar uma norma com instruções mais precisas e abrangentes para a aplicação de retardantes em produtos à base de PVC, hoje regidas pelas orientações da ISO 1043-4.

Utilizados tanto na fase condensada quanto na fase de vapor da produção de peças de PVC, ou em ambas, diversos retardantes podem incrementar seu desempenho antichamas, afirma Carmo.

Sylvio do Carmo Jr - presidente da Associação Brasileira da Indústria dos Retardantes de Chama (Abichama) aditivação pode dar mais proteção até para PVC ©QD Foto: iStockPhotos
Sylvio do Carmo Jr.: aditivação pode dar mais proteção até para PVC

“Os retardantes típicos para PVC incluem:

produtos à base de hidróxidos metálicos, como hidróxido de alumínio ou de magnésio; óxido de antimônio; derivados de zinco, como borato de zinco, estanato de zinco e hidroxiestanato de zinco; derivados de bromo, como os ftalatos bromados; compostos de molibdênio ou fosfatos

– particularmente arilfosfatos, arilalquilfosfatos e fosfatos halogenados –,

e uma variedade de outros aditivos, frequentemente utilizados em combinações diversas”, detalha Carmo.

Opções Modernas de Retardantes de Chama para Polímeros

Há um processo de evolução das normas brasileiras referentes à proteção contra incêndios, porém em ritmo ainda mais lento, comparativamente a outros países, pondera Selena Mendonça, gerente de negócios da Chemtra, empresa do grupo Metachem que distribui o portfólio da israelense ICL, no qual há retardantes derivados de bromo – para poliolefinas, resinas estirênicas, plásticos de engenharia – e de fósforo, para aplicações rígidas e flexíveis de PU e plásticos de engenharia, e plastificantes retardantes para PVC.

A maioria dos retardantes, observa Selena, são aditivos das formulações; mas o progresso dessa tecnologia já resultou em retardantes reativos, que se integram às estruturas dos polímeros e, assim, não exsudam, minimizando os riscos ambientais.

“Fornecemos hoje retardantes reativos tanto à base de fósforo – para aplicações de PU –, quanto uma solução à base de bromo para EPS e XPS”, informa.

Desenvolveu-se ainda, prossegue Selena, uma categoria intermediária entre os retardantes convencionais e os reativos: os poliméricos, cujas cadeias moleculares são maiores e têm assim mais dificuldades em migrar para o ambiente.

A Chemtra fornece também retardantes poliméricos: por exemplo, em sua Série F, para poliolefinas, resinas estirênicas e epóxi.

“No Brasil, os retardantes tecnologicamente mais desenvolvidos constituem um nicho.

Mas também aqui já temos usuários para eles: entre eles, um exportador que precisa de retardantes de alta performance para atender às exigências de mercados cujas normas de combate à propagação de incêndios são mais rígidas”, diz a profissional da Chemtra.

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Retardantes de Chama para Plásticos

Retardantes reativos e poliméricos já estão disponíveis também no portfólio da Lanxess, desde o início do ano passado trabalhado no mercado brasileiro pela Neotrade (empresa que anteriormente representava aqui outro grande nome do mercado global de retardantes, a norte-americana Albermale).

Casos do reativo PH4 Diol, para PU, e do polimérico Emerald Innovation 3000, mais utilizado em EPS e XPS (ambos à base de bromo).

Rogério do Carmo, diretor comercial da Neotrade, confirma: produtos como esses ainda são pouco utilizados no Brasil, onde o grosso da demanda recai nas soluções halogenadas mais convencionais.

Cita, porém, mercados interessados em soluções isentas de halogênios.

Rogério do Carmo - Neotrade - Retardantes de Chamas para Polímeros - Avanço das normas contra incêndio favorece negócios ©QD Foto: iStockPhotos
Rogério do Carmo – Neotrade

“O setor automobilístico e de plásticos de engenharia já utilizam nossos retardantes fosforados”

“Há também o uso de cargas minerais, como alumina tri-hidratada e hidróxido de magnésio em fios e cabos de polietileno”,

acrescenta, referindo-se a outros compostos também utilizados como retardantes e que a Neotrade recebe da alemã Alpha Calcit.

Outras possibilidades – Melanina e a triazina

Respectivamente, nas linhas Melapur e Flamestab NOR 116 – são as bases dos retardantes da Basf.

Essas duas linhas, ressalta Pedro Chuqui, gerente de produto de aditivos para plásticos da empresa para a América do Sul, são isentas de halogênios e de metais pesados.

Um retardante Melapur, especifica Chuqui, é usado principalmente em plásticos de engenharia usados em eletroeletrônicos e equipamentos de telecomunicações, entre outras aplicações, nas quais pode ser empregado com um estabilizante à luz sem que este seja desativado.

Por sua vez, o Flamestab NOR 116, além de atuar como retardante a chama, possui ele próprio função de estabilizante à luz, e é indicado para aplicações poliolefínicas de baixas espessuras, a exemplo de membranas impermeabilizadoras, não-tecidos, fios e cabos.

Expande-se, relata Chuqui, o crescimento do uso do Flamestab NOR 116 com produtos base fósforo, de forma a proporcionar maior competitividade em termos de custo-benefício.

Isso acontece, por exemplo, no mercado dos não-tecidos.

“Observamos uma tendência global da utilização de retardantes a chama em não-tecidos de PP, utilizados, por exemplo, em carpetes”, destaca o profissional da Basf.

Foto de Edson Ribeiro da Momentive Retardantes de Chama para Polímeros - Avanço das normas contra incêndio favorece negócios ©QD Foto: iStockPhotos
Edson Ribeiro: óleos de silicone mantêm transparência

A Momentive oferece retardantes à base de óleos de silicone para aplicações em resinas como o policarbonato.

“O PC é uma resina muito sensível à temperatura e esses retardantes podem ser utilizados em coberturas, painéis e divisórias feitas com ele”,

detalha Edson Ribeiro, gerente de vendas de silanos para a América Latina.

Essa linha de retardantes feitos de óleos de silicone da Momentive inclui produtos como o SFR 100, desenvolvido para materiais flexíveis, como fios e cabos de baixa voltagem empregados pela indústria automotiva (geralmente recobertos com PE ou PVC).

Outro produto, o SFR320, pode ser usado em materiais plásticos transparentes, não apenas de PC, mas também de poliestireno e de alguns grades de PE linear.

“A possibilidade de utilização em peças transparentes pode ser muito importante para aplicações como mostradores de painéis de veículos”, informa Vieira. “Todos os nossos retardantes são livres de halogênios”, ressalta.

Perspectivas de mercado de Retardantes de Chama

Uma nova norma, adianta Berto, do IPT, futuramente deve abordar as características de ignitabilidade de materiais poliméricos empregados em grandes equipamentos instalados em edificações.

É o caso das torres de resfriamento de água, muitas vezes feitas de resina de poliéster reforçada com fibra de vidro.

“Esses equipamentos são comumente empregados em processos industriais e não raramente submetidos a operações descuidadas de manutenção, quando ignizam e dão origem a grandes incêndios”, destaca Berto.

Os retardantes são ferramentas muito eficazes de atendimento das normas, ressalta Carmo, da Abichama.

“Há hoje mais de duzentos tipos diferentes de retardantes de chama que cobrem uma variedade de aplicações. E sua eficácia já foi provada em inúmeros testes e ensaios”, enfatiza.

Parece se ampliar no Brasil o interesse por uma exploração mais profunda das possibilidades desse portfólio.

“Há cerca de quatro ou cinco anos, vendíamos aqui três ou quatro retardantes diferentes; hoje, vendemos uns dez”, relata Selena, da Chemtra.

Ela credita essa diversificação não apenas às exigências normativas, mas também à busca dos clientes por qualidade.

“Eles querem retardantes que não provoquem nenhum impacto nos produtos, ou seja, não amarelem a resina, não impactem a resistência a UV ou a impactos. Temos produtos para atender essas exigências”, diz.

Em 2020, afirma Selena, apesar da retração dos negócios com o setor automobilístico, houve no Brasil “aumento expressivo” na demanda por retardantes, devido ao elevado ritmo de atividades em mercados como os eletroeletrônicos e os materiais de construção.

“Este ano, as vendas estão num patamar normal, mas o futuro é incerto, devido à pandemia de Covid-19 e à redução do poder aquisitivo da população, impactando a demanda por produtos duráveis nos quais se usa mais retardantes”, pondera.

Na Neotrade, a forte relevância da indústria automobilística motivou uma queda no volume de negócios registrado em 2020.

“Mas, pensando principalmente na vacina, sigo otimista para este ano, quando projeto crescer pelo menos 10%”, afirma o diretor da empresa, que recentemente passou a fornecer também trióxido de antimônio, proveniente da francesa PCDL Lucette (o trióxido de antimônio é muitas vezes utilizado adicionalmente a alguns dos mais demandados entre os retardantes halogenados da Neotrade).

Pedro Chuqui - Basf - Revista Plástico Moderno - retardante mercado quer proteção sem agredir o meio ambiente
Pedro Chuqui: mercado quer proteção sem agredir o meio ambiente

Pedro Chuqui, da Basf, conta que no ano passado a indústria de retardantes foi bastante afetada não apenas no Brasil, mas em toda a América da Sul.

Mas são positivas suas perspectivas para os próximos anos:

“Padrões de segurança contra incêndio mais rígidos, novos regulamentos, compromissos voluntários da indústria, rótulos ecológicos introduzidos na indústria nos últimos anos, tudo isso contribui para um aumento da demanda por retardadores de chama”, justifica.

 

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