Retardantes de chama – Eventos esportivos ancoram previsões de aumento das vendas no mercado nacional

Neste momento em particular nota-se uma grande disposição da indústria para adotar os aditivos não halogenados em detrimento dos halogenados. No entanto, a transição não é fácil e nem de uma hora para a outra. Segundo Liliam Salim, presidente da Associação Brasileira de Retardantes de Chama (Abichama), a substituição dos produtos bromados por retardantes de chama não halogenados, que ainda não foram testados tão profundamente, resulta em um maior investimento em programas de

testes para identificar a sua efetividade e potenciais riscos para a saúde e o meio ambiente. Toda a linha de produção teria de mudar, tendo um impacto significativo em custos. “A simples substituição dos bromados não é possível ou viável financeiramente para muitos produtos e áreas de aplicação”, ressalta.

Além disso, vale lembrar: os aditivos bromados vendidos comercialmente foram testados e aprovados pelos órgãos reguladores internacionais e nacionais. Em outras palavras, não se pode generalizar e considerar que todos os bromados podem causar efeitos nocivos. Algumas moléculas foram banidas e outras estão na lista para serem proibidas, é verdade, mas as companhias se adequaram com novas formulações. Muito se evoluiu também nesse sentido. “Em geral, os retardantes bromados fornecem propriedades únicas de estabilidade, podem ser reciclados e oferecem compatibilidade com diferentes plásticos”, completa Liliam.

Legislação – As principais consumidoras dos aditivos retardantes de chama são as indústrias de eletroeletrônico, a linha branca, fios e cabos (em combinação com aplicações em eletroeletrônicos) e o automotivo. Esses são os segmentos tradicionais, mas há potencial para atuação em outras frentes. “Novas aplicações devem surgir com novas regulamentações”, avisa Liliam. A criação de normas está diretamente ligada ao crescimento do mercado. “O cenário do uso de retardantes de chama no Brasil ainda tem muito espaço para ser trabalhado”, comenta Liliam.

Plástico, Selena, da Chemtra, Retardantes de chama - Eventos esportvivos ancoram previsões de aumento das vendas no mercado nacional
Selena: mercado brasileiro é definido por sua inconstância

Um caso prático diz respeito à construção e reforma dos estádios de futebol, por conta da realização da Copa do Mundo. Os retardantes podem ser utilizados em componentes da infraestrutura dos estádios, assim como nos assentos, os quais, por sugestão da ABNT, devem seguir a norma NBR 15925, que prevê a segurança da população e de turistas em relação à flamabilidade.

A ABNT NBR 15925 se destina a normatizar locais onde há grande circulação e concentração de pessoas. Ou seja, inclui também shopping center, estação ferroviária, rodoviária, metrô, aeroporto, galpão comercial e industrial e edifício comercial.

Apesar de também atrelar o aumento do consumo à legislação, Selena, da Chemtra, não acredita que a realização da Copa do Mundo possa trazer um impacto muito significativo no mercado. “Além de se tratar de uma aplicação específica, a venda é spot (pontual)”, argumenta. Para ela, assim como aconteceu com a banda larga, há cerca de dois anos, a demanda será incrementada, mas por um período curto. “O consumo de retardantes de chama no país não é constante, tem altos e baixos”, ressalta.

Além dessa falta de regularidade, o avanço do setor esbarra na sua vulnerabilidade perante a importação dos produtos antichama compostados. “O importado é bastante competitivo”, comenta Costa, da Itatex. A China é um exemplo clássico. Por ser uma grande produtora de bromo, o seu produto acaba chegando ao país com preços baixos. “Com o real valorizado, o mercado opta pelo composto de fora”, acrescenta Selena. Por conta desse cenário, as companhias locais operam com margens espremidas, e são obrigadas a buscar nichos, investir em alta tecnologia e oferecer diferenciação. É justamente esse o trajeto percorrido pelos fornecedores e fabricantes de retardantes de chama.

Plástico de engenharia – O mercado de plásticos de engenharia com propriedade antichama apresenta grande oportunidade de crescimento. Segundo estimativa da Basf, o consumo cresce entre 6% e 10% ao ano. Em 2009, foram vendidas cerca de 280 mil toneladas de formulações de poliamida (PA) e polibutileno tereftalato (PBT) aditivados com retardantes de chama. Esse volume diz respeito às vendas globais.

Até por isso a Basf quer se fortalecer nessa área. A companhia alemã incorporou ao seu portfólio de PA e PBT antichamas isentos de halogênios. São eles: o Ultramid FRee e o Ultradur FRee. O sufixo FRee remete às palavras antichama (flame retardant) e eletroeletrônico.

Segundo Willy Hoven-Nievelstein, vice-presidente sênior da unidade de plásticos de engenharia na Europa, essa nova

Plástico, Retardantes de chama - Eventos esportvivos ancoram previsões de aumento das vendas no mercado nacional
Peças feitas de PA e de PBT são isentas de halogênio

gama de produtos combina três características centrais: conta com excelente propriedade antichama, é isenta de halogênio e se mostra ideal para a fabricação de componentes elétricos em todos os tons de cor. “A indústria de eletroeletrônicos possui uma preferência cada vez maior por plásticos de cor clara”, explica Hoven-Nievelstein. Ele cita o caso dos interruptores, conectores e disjuntores de aplicações domésticas ou industriais.

Peças feitas de PA e de PBT são isentas de halogênio poliamida com elevada resistência química, baixa absorção de água, e grande parte de sua composição (63%) é proveniente de recursos renováveis”, conta Hoven-Nievelstein.

Por trás dessa iniciativa também está o maior rigor das regulamentações promulgadas pela International Electrotechnical Commission (IEC) no que se refere à aditivação antichama de eletrodomésticos. De acordo com o padrão atual, qualquer chama que entra em ignição deve se apagar em cinco segundos – enquanto ainda estiver em contato com um fio incandescente a uma temperatura de 750ºC. Os novos produtos da Basf, o executivo avisa, correspondem a essas exigências.

A Dow participa do mercado de retardantes de chama com compostos de polietileno dos dois tipos: halogenados e isentos de halogênio. “Cada um dos produtos difere entre si pelo uso e normas específicas que atendem”, comenta Viviane Pinõn, gerente de marketing de Electrical & Telecommunications para a América Latina.

[box_light]

 Associação impões rigor ao setor

No ano passado, o mercado nacional de retardantes de chama ganhou um importante aliado na rota rumo ao seu amadurecimento. Em novembro, foi criada oficialmente a Associação Brasileira da Indústria de Retardantes de Chama (Abichama). Ela representa três grandes empresas multinacionais: ICL-IP, Albemarle e GLS (Great Lake Solutions). Na teoria, a ideia é alertar e conscientizar os órgãos governamentais, o empresariado e a população acerca da importância da segurança contra incêndios. Em outras palavras, o que se vê é o empenho de grandes companhias internacionais em embutir mais rigor no setor e incentivar a propagação dessa categoria de produtos.

Um dos pontos cruciais de sua proposta se refere à legislação. Por isso, a Abichama faz parte da comissão de

Plástico, Liliam Salim, presidente da entidade e engenheira da ICL-IP, Retardantes de chama - Eventos esportvivos ancoram previsões de aumento das vendas no mercado nacional
Liliam Salim: Abichama faz parceria com os órgãos governamentais

flamabilidade da CB-24, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e do Programa Brasil sem Chama. Seus representantes têm se unido aos órgãos públicos para sugerir novas normas ou melhorar aquelas em vigor no exterior. “Um dos compromissos é atuar em parceria com órgãos governamentais para o desenvolvimento e aplicação de novas regulamentações no país, que incentivem o uso dos retardantes de chama, além de sugerir a uniformização das regulamentações brasileiras, com a adequação a normas já existentes internacionalmente”, afirma Liliam Salim, presidente da entidade e engenheira da ICL-IP.

No geral, o que existe no Brasil em relação às leis é insuficiente. No passado, houve uma ampla discussão sobre o mercado de colchões e colchonetes de espuma flexível de poliuretano. Há uma portaria do Inmetro implementada em três de fevereiro de 2011 para essa aplicação. No entanto, as intenções não se efetivaram a contento e o setor ainda não conseguiu se organizar sobre essa questão. A norma só tornou o uso do retardante de chama obrigatório em produtos utilizados nas penitenciárias.

O mercado de fios e cabos é o mais maduro nesse quesito. Esse cenário passou a ser desenhado com as exigências normativas do setor há bastante tempo. Em 1998 ele foi regulamentado, segundo o “teste de fogueira”, e mais tarde passou a adotar normas para homologação de tomadas, interruptores e soquetes resistentes à chama (teste do fio incandescente). Na prática, as especificações contemplam a não propagação da chama e o baixo índice de emissão de fumaça, durante a queima confinada.

O rigor das normas do mercado de fios e cabos varia de acordo com a aplicação. Em geral, os mais complexos estão ligados a operações de transmissão e distribuição de energia. Aliás, esse setor é um exemplo no que se refere à regulamentação contra incêndios. Segundo Ricardo Aurélio da Costa, assessor técnico da Itatex, os fabricantes desse ramo investem em produtos para suprimir a fumaça e reduzir a inflamabilidade interna dos polímeros há cerca de trinta anos.

A inflamabilidade de um material é geralmente definida de acordo com a norma UL-94, do laboratório americano de controle de qualidade Underwriters Laboratories (UL). No caso específico dos eletroeletrônicos há a International Electrotechnical Commission (IEC). Em tempo: no país existem laboratórios certificados para atestar se os produtos possuem retardantes de chama. Esses órgãos são certificados e regulamentados pelo Inmetro ou IPT.

[/box_light]

Um dos produtos de destaque do portfólio é o Unigard RE DFDA-1638. O composto pode ser utilizado em aplicações de isolamento e jaqueta, não possui halogênio, enxofre ou antimônio e apresenta alta retardância à chama, além de conter inibidor de cobre, apresentar UV estabilizado e ser de fácil extrusão, entre outras características.

Há dois anos, a companhia investe na pesquisa de materiais para adequar toda a sua linha a normativas como a Reduction of Hazardous Substances (RoHs). Por isso, muitos produtos têm sido relançados sob essa nova versão. A Dow Electrical & Telecommunications, uma das divisões de Plásticos de Performance da companhia, tem o mercado de fios e cabos como um dos focos.

Dados divulgados pela Dow apontam que cerca de 80% das mortes em incêndios resultam da intoxicação, ou seja, da combinação de fumaça e gases. As queimaduras respondem por 13% das causas de óbito. A tendência do mercado de consumir mais aditivos isentos de halogênios está diretamente ligada a isso. Sobretudo em incêndios que acontecem em locais fechados, muitas vezes a morte se dá pela inalação de gases tóxicos e não por conta da queimadura em si.

Não por acaso, entre as características dos produtos livres de halogênio, os fabricantes destacam a baixa emissão de fumaça e a reduzida toxicidade. “Os gases emitidos não são tão perigosos, o que aumenta o tempo para evacuação do local com fogo”, diz Viviane. De acordo com ela, para aplicação em lugares abertos, a procura maior é por halogenados; enquanto os isentos de halogênio têm mais consumo para locais fechados.

Página anterior 1 2 3 4

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios