Retardantes de chama – Eventos esportivos ancoram previsões de aumento das vendas no mercado nacional

O custo dita as regras do mercado de retardantes de chama no país. A ideia de incorporar ao plástico uma substância química capaz de retardar a ignição, diminuir a velocidade de queima e a emissão de fumaça dos materiais figura mais como promessa do que uma realidade na indústria nacional. A proposta só traz benefícios, mas nem por isso tem força suficiente para sobrepujar a barreira financeira. A combinação é explosiva: uma legislação falha e até mesmo inexistente em algumas aplicações, uma demanda inconstante e formulações de caráter especial, ou seja, nada baratas.

Mas, de alguma forma, e respeitando seu próprio ritmo (ora letárgico, é verdade), o setor evolui. O momento é de transição. Há uma grande disposição da indústria para substituir os aditivos halogenados pelos não halogenados; e, além disso, o consumo deve ser impulsionado pela realização da Copa do Mundo no Brasil e dos Jogos Olímpicos, com investimentos no preparo dos espaços públicos e meios de transporte. Além desse possível aquecimento da demanda, os fabricantes também planejam lançamentos que prometem ganhos tecnológicos significativos à indústria.

Salto tecnológico – Utilizar uma baixa concentração do aditivo, mantendo sua eficiência e sem interferir no desempenho do polímero, é um dos focos atuais da indústria, até porque os não halogenados, apesar de serem considerados uma tendência, apresentam como barreira técnica o fato de necessitarem de uma alta concentração para atingir o desempenho desejado. A Chemtra e a Itatex Especialidades Minerais investem na nanotecnologia para superar justamente essa deficiência.

A Itatex se empenha no desenvolvimento de materiais nanoestruturados, como as argilas organofílicas. “Esse é o produto com maior conteúdo técnico que nós já desenvolvemos”, aponta Ricardo Aurélio da Costa, assessor técnico da Itatex. Disponível nas versões Itagel 2007 e Itagel 2009, a linha vem com uma nova concepção: as montmorilonitas intercaladas com diferentes sais de amônio quaternário. É a inserção do sal de amônio quaternário que possibilita a formação de nanopartículas in situ, durante o processamento de polímeros. “As nanopartículas, em baixa concentração, conseguem alterar pouco o peso específico do produto, e ainda melhoram as propriedades mecânicas dos termoplásticos”, explica Costa.

Plástico, Ricardo Aurélio da Costa, assessor técnico da Itatex, Retardantes de chama - Eventos esportvivos ancoram previsões de aumento das vendas no mercado nacional
Ricardo Aurélio da Costa: investe em argilas com propriedade antichamas

A novidade está na propriedade antichama da argila organofílica, afinal, ela foi desenvolvida para agir como um modificador reológico para aplicações no mercado de tintas. Até mesmo por seu ineditismo, nenhuma venda do produto se concretizou para este tipo de função. A expectativa é formar um mercado em três anos. “O uso de baixas concentrações de argilas organofílicas em sinergia com alguns compatibilizantes poliméricos específicos tem sido muito promissor como retardantes de chama atóxicos. Mas ainda não as vendemos como antichama; é uma quebra de paradigma”, comenta Costa.

A Itatex tem capacidade instalada de 30 t/mês de hidróxido de magnésio, e de 50 t/mês de hidróxido de alumínio. A produção se volta para borrachas à base de EPDM, SBR, NBR e NR; já nos termoplásticos, servem aos compostos poliolefínicos, geralmente aplicados a isolamento e capas de fios e cabos. Os produtos também atendem os termofixos, como poliéster insaturado, epóxi e resina fenólica. Um diferencial da empresa é a fabricação de aditivos revestidos. Segundo Costa, dessa forma, facilita-se a dispersão do produto e há melhorias no seu desempenho. Aliás, os antichamas mais vendidos hoje são os revestidos, segundo o assessor.

A Chemtra também se esforça para reunir numa única formulação baixa concentração, tecnologia ambientalmente correta e eficiência. A empresa irá apresentar ainda neste semestre dois lançamentos desenvolvidos com a nanotecnologia: são retardantes à base de pentoxo de antimônio e uma argila mineral para o mercado de fios e cabos. Sem anunciar muitos detalhes, prometidos para junho, Selena Ignácio de Mendonça, gerente comercial da Chemtra, revela apenas que os produtos resultam da parceria com duas empresas estrangeiras, uma espanhola e outra norte-americana. A companhia se enveredou para o ramo da nanotecnologia há cerca de seis anos. No início os estudos envolviam apenas o pentóxido de antimônio.

A Chemtra representa e distribui na América do Sul os produtos da ICL-IP, empresa considerada a maior produtora mundial de bromo elementar. Até por esse motivo consegue abastecer a indústria nacional com uma carta extensa de formulações, entre elas com base em magnésio, polifosfato de amônia e cianurato de melamina. “Desde 2007 passamos a ter um portfólio completo”, aponta Selena.

Soluções ecológicas– Participar de segmentos diferenciados tem sido a estratégia adotada por muitas companhias para se manterem competitivas, caso da Great Lakes Solutions, uma das maiores do mercado global. Para assegurar a liderança mundial em soluções de retardantes de chama, Jose Tovar, gerente de vendas para a América Latina, avisa que a empresa fez importantes investimentos no segmento. “Injetamos recursos em pesquisa e desenvolvimento nas plantas e na área comercial para lançar produtos”, comenta, sem revelar cifras. No front estão quatro novos aditivos: Emerald 1000, Emerald 2000, Emerald 3000 e Emerald NH-1. Em comum, os produtos se pautam nos ganhos ao meio ambiente. “Eles fazem parte da nossa estratégia de inovação ecológica no aspecto ‘mais verde’”, aponta Tovar.

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Placa conta com aditivo de baixo impacto ambiental

O Emerald NH-1 e o Emerald 2000 são isentos de halogênio. O primeiro se destina a espumas flexíveis de poliuretano em aplicações automotivas e moveleiras, enquanto o segundo atende às especificações das placas de circuito impresso. Segundo explica Tovar, o NH-1 proporciona equilíbrio superior em relação às propriedades físicas, baixa volatilidade e resistência ao scorck (sem manchas).

Os outros dois lançamentos são halogenados, mas também embutem o conceito de baixo impacto ambiental. Considerado pela fabricante, o único

retardante de chamas “verde” à base de bromo, o Emerald 1000 foi desenvolvido para substituir o decabromodifenil éter, o decabromodifenil etano, entre outros aditivos utilizados em poliestireno, poliolefinas e em sistemas de resinas poliéster termoplástica/termofixa. Sua estrutura polimérica atende aos critérios descritos na notificação de Registro Federal norte-americano 40 CFR 723, o que o configura como um produto sustentável. “O aditivo é versátil e se volta para a indústria de eletrônicos, automóveis e adesivos e coberturas”, afirma Tovar.

Desenhado para o uso em espuma de isolamento de poliestireno, o Emerald 3000 surgiu como alternativa ao hexabromociclododecano (HBCD). Trata-se de um polímero estável e de alto peso molecular. Sua reduzida tendência a reter água ajuda a diminuir o conteúdo de água residual das pérolas de poliestireno expandido, melhorando a eficiência do processo. Foi aprovado nos testes de inflamabilidade EN ISO 11925-2 e DIN 4102 B2, da Alemanha. Além da família Emerald, o portfólio traz a Firemaster (para espuma de PU), Great Lakes PHT 4 Diol LV (para espuma de isolamento de PU) e Great Lakes BA-59P (para eletrônicos), entre outros. “Esses produtos fazem parte do que é provavelmente a carteira mais diversificada da indústria”, afirma Tovar.

A Great Lakes Solution é a divisão de negócios de retardantes de chama da Chemtura, empresa que se considera líder do mercado de aditivos plásticos, fruto da fusão, em 2005, da Crompton Corporation com a Great Lakes Chemical Corporation.

Bromados na berlinda – Os aditivos mais utilizados pela indústria brasileira são os derivados bromados em sinergia com o trióxido de antimônio. Essa combinação reina há anos e deve permanecer na dianteira por muitos outros ainda, apesar da tendência anunciada de maior consumo dos retardantes de chama não halogenados. No campo dos livres de halogênio, predominam a alumina tri-hidratada (ATH), o hidróxido de magnésio, os compostos fosforados e o cianurato de melamina. Em linhas gerais, pode-se dizer que o retardante bromado é o líder disparado em resinas poliolefínicas, e os fosfatados se destacam entre as poliuretanas e os estirênicos.

Plástico, Paulo Cesar Ghidetti, coordenador técnico para a América Latina – BU Additives da Clariant, Retardantes de chama - Eventos esportvivos ancoram previsões de aumento das vendas no mercado nacional
Paulo Cesar Ghidetti: indústria irá se abrir para o produto não hologenado

Segundo Paulo Cesar Ghidetti, coordenador técnico para a América Latina – BU Additives da Clariant, existe uma forte tendência de aumento da demanda por produtos não halogenados. Essa defesa não é à toa. A já tradicional linha Exolit da Clariant vai nessa toada. Essa família de aditivos, formulados à base de fósforo, tem um mecanismo de ação diferenciado, a fim de evitar a propagação da fumaça. Conforme Ghidetti explica, eles atuam na fase sólida por carbonização do polímero criando uma camada protetora que impede o acesso do oxigênio. “Os produtos não halogenados são extremamente eficientes e capazes de atender aos diversos padrões de flamabilidade existentes”, defende. Os halogenados, por sua vez, agem na fase gasosa, interrompendo o mecanismo de radicais de energia da chama.

Os principais produtos da companhia são: o Exolit OPPxx (fosfinatos orgânicos), para plásticos de engenharia; Exolit AP 7xx (polifosfato de amônio), para poliolefinas; Exolit AP 4xx (polifosfato de amônio), para PU e epóxi; e o Exolit AP 422, indicado para tintas intumescentes. O Exolit OP é um dos destaques do portfólio. Trata-se de uma novidade e, segundo Ghidetti, proporciona versatilidade e alto desempenho.

No ano passado, a empresa anunciou a terceira etapa de seu programa de expansão de capacidade produtiva para retardantes de chamas não halogenados Exolit OP, com a construção de uma fábrica em sua planta em Hürth-Knapsack, próximo a Cologne, na Alemanha. A conclusão da segunda fábrica para produção em escala industrial no mesmo local, em meados de 2012 (fase dois), dobrará a capacidade produtiva. A terceira unidade produtora entrará em operação em 2013, triplicando a capacidade original da planta.

Essa linha de retardantes de chamas organofosforados apresenta baixo impacto sobre as propriedades finais dos produtos, não migra e não produz fumaça corrosiva. Além disso, necessita de dosagens pequenas e moderadas para atender às crescentes normas de segurança contra fogo, ao mesmo tempo em que atende a aspectos ecológicos em todas as fases do ciclo de vida de um produto.

A linha Exolit OP foi desenvolvida como alternativa aos retardantes de chamas bromados. Ela é muito procurada por sua eficiência em proporcionar segurança contra chamas em plásticos de engenharia, como poliamidas e poliésteres utilizados em computadores, conectores, ventiladores de computador e peças estruturais. Outras aplicações incluem resinas termofixas e novos revestimentos e isolamentos para cabos com base em elastômeros termoplásticos.

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Retardantes de chama à base de fósforo também agem como plastificantes

A Lanxess também desenvolve aditivos considerados mais seguros e ecológicos. A empresa é uma das líderes em fornecimento de retardantes com propriedade antichama para poliuretano no Brasil, e traz como destaque os aditivos Levagard e Disflamoll. São substâncias à base de fósforo e utilizadas na formulação de PU, PVC, ABS/PC, PS alto impacto/PPO, além de elastômeros. As aplicações são várias: placas para isolamento térmico e acústico, estofados, pisos, borrachas de isolamento de portas (metrôs e trens) e em espumas flexíveis de PU presentes em colchões e estofados.

Quando submetidos a altas temperaturas, os retardantes base fósforo presentes no plástico reagem gerando a forma polimérica do ácido fosfórico. Este ácido carboniza o material formando uma camada protetora e inibindo a reação de pirólise. Os produtos da Lanxess também possuem propriedades plastificantes, o que em muitas aplicações auxilia a plastificação. “Essa característica reduz a concentração de uso dos plastificantes convencionais”, comenta Rogério Ibanhez, gerente regional de vendas – Cone Sul, da unidade de negócios FCC da Lanxess. Ele destaca como vantagem também o fato de o aditivo ser fornecido na forma líquida, pois assim o seu manuseio e a sua incorporação são facilitados.

A Basf atua no mercado de retardantes de chama com duas linhas: a Melapur, composta por fórmulas de cianato de melamina e de polifosfato de melamina destinada às poliamidas; e o Flamestab NOR 116 para fibras e filmes de poliolefinas. Esse é um estabilizante à luz do grupo dos NOR Hals que, em algumas aplicações, também confere propriedades antichama, com aumento da resistência térmica e à luz ultravioleta. A companhia descobriu que a substituição, na amina bloqueada, do átomo de hidrogênio ligado ao nitrogênio por um oxigênio ligado a um grupo carbônico confere a propriedade antichama ao Hals.

Plástico, Pedro Caldari, gerente de vendas regional de aditivos e pigmentos para plásticos da Basf, Retardantes de chama - Eventos esportvivos ancoram previsões de aumento das vendas no mercado nacional
Pedro Caldari: Copa do Mundo de futebol aumentará as vendas

O Flamestab, da então Ciba – essa fabricante de aditivos foi adquirida pela Basf em 2009 –, foi empregado na reforma de estádios, como o Maracanã, no Rio de Janeiro, há alguns anos. Baseando-se nessa experiência, a grande aposta de Pedro Caldari, gerente de vendas regional de aditivos e pigmentos para plásticos da Basf, está na realização da Copa do Mundo de futebol. “Em virtude das novas exigências e regulamentações do mercado, existe uma tendência de aumento do consumo. Por exemplo, cito os assentos de estádio”, comenta.

Neste momento em particular nota-se uma grande disposição da indústria para adotar os aditivos não halogenados em detrimento dos halogenados. No entanto, a transição não é fácil e nem de uma hora para a outra. Segundo Liliam Salim, presidente da Associação Brasileira de Retardantes de Chama (Abichama), a substituição dos produtos bromados por retardantes de chama não halogenados, que ainda não foram testados tão profundamente, resulta em um maior investimento em programas de

testes para identificar a sua efetividade e potenciais riscos para a saúde e o meio ambiente. Toda a linha de produção teria de mudar, tendo um impacto significativo em custos. “A simples substituição dos bromados não é possível ou viável financeiramente para muitos produtos e áreas de aplicação”, ressalta.

Além disso, vale lembrar: os aditivos bromados vendidos comercialmente foram testados e aprovados pelos órgãos reguladores internacionais e nacionais. Em outras palavras, não se pode generalizar e considerar que todos os bromados podem causar efeitos nocivos. Algumas moléculas foram banidas e outras estão na lista para serem proibidas, é verdade, mas as companhias se adequaram com novas formulações. Muito se evoluiu também nesse sentido. “Em geral, os retardantes bromados fornecem propriedades únicas de estabilidade, podem ser reciclados e oferecem compatibilidade com diferentes plásticos”, completa Liliam.

Legislação – As principais consumidoras dos aditivos retardantes de chama são as indústrias de eletroeletrônico, a linha branca, fios e cabos (em combinação com aplicações em eletroeletrônicos) e o automotivo. Esses são os segmentos tradicionais, mas há potencial para atuação em outras frentes. “Novas aplicações devem surgir com novas regulamentações”, avisa Liliam. A criação de normas está diretamente ligada ao crescimento do mercado. “O cenário do uso de retardantes de chama no Brasil ainda tem muito espaço para ser trabalhado”, comenta Liliam.

Plástico, Selena, da Chemtra, Retardantes de chama - Eventos esportvivos ancoram previsões de aumento das vendas no mercado nacional
Selena: mercado brasileiro é definido por sua inconstância

Um caso prático diz respeito à construção e reforma dos estádios de futebol, por conta da realização da Copa do Mundo. Os retardantes podem ser utilizados em componentes da infraestrutura dos estádios, assim como nos assentos, os quais, por sugestão da ABNT, devem seguir a norma NBR 15925, que prevê a segurança da população e de turistas em relação à flamabilidade.

A ABNT NBR 15925 se destina a normatizar locais onde há grande circulação e concentração de pessoas. Ou seja, inclui também shopping center, estação ferroviária, rodoviária, metrô, aeroporto, galpão comercial e industrial e edifício comercial.

Apesar de também atrelar o aumento do consumo à legislação, Selena, da Chemtra, não acredita que a realização da Copa do Mundo possa trazer um impacto muito significativo no mercado. “Além de se tratar de uma aplicação específica, a venda é spot (pontual)”, argumenta. Para ela, assim como aconteceu com a banda larga, há cerca de dois anos, a demanda será incrementada, mas por um período curto. “O consumo de retardantes de chama no país não é constante, tem altos e baixos”, ressalta.

Além dessa falta de regularidade, o avanço do setor esbarra na sua vulnerabilidade perante a importação dos produtos antichama compostados. “O importado é bastante competitivo”, comenta Costa, da Itatex. A China é um exemplo clássico. Por ser uma grande produtora de bromo, o seu produto acaba chegando ao país com preços baixos. “Com o real valorizado, o mercado opta pelo composto de fora”, acrescenta Selena. Por conta desse cenário, as companhias locais operam com margens espremidas, e são obrigadas a buscar nichos, investir em alta tecnologia e oferecer diferenciação. É justamente esse o trajeto percorrido pelos fornecedores e fabricantes de retardantes de chama.

Plástico de engenharia – O mercado de plásticos de engenharia com propriedade antichama apresenta grande oportunidade de crescimento. Segundo estimativa da Basf, o consumo cresce entre 6% e 10% ao ano. Em 2009, foram vendidas cerca de 280 mil toneladas de formulações de poliamida (PA) e polibutileno tereftalato (PBT) aditivados com retardantes de chama. Esse volume diz respeito às vendas globais.

Até por isso a Basf quer se fortalecer nessa área. A companhia alemã incorporou ao seu portfólio de PA e PBT antichamas isentos de halogênios. São eles: o Ultramid FRee e o Ultradur FRee. O sufixo FRee remete às palavras antichama (flame retardant) e eletroeletrônico.

Segundo Willy Hoven-Nievelstein, vice-presidente sênior da unidade de plásticos de engenharia na Europa, essa nova

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Peças feitas de PA e de PBT são isentas de halogênio

gama de produtos combina três características centrais: conta com excelente propriedade antichama, é isenta de halogênio e se mostra ideal para a fabricação de componentes elétricos em todos os tons de cor. “A indústria de eletroeletrônicos possui uma preferência cada vez maior por plásticos de cor clara”, explica Hoven-Nievelstein. Ele cita o caso dos interruptores, conectores e disjuntores de aplicações domésticas ou industriais.

Peças feitas de PA e de PBT são isentas de halogênio poliamida com elevada resistência química, baixa absorção de água, e grande parte de sua composição (63%) é proveniente de recursos renováveis”, conta Hoven-Nievelstein.

Por trás dessa iniciativa também está o maior rigor das regulamentações promulgadas pela International Electrotechnical Commission (IEC) no que se refere à aditivação antichama de eletrodomésticos. De acordo com o padrão atual, qualquer chama que entra em ignição deve se apagar em cinco segundos – enquanto ainda estiver em contato com um fio incandescente a uma temperatura de 750ºC. Os novos produtos da Basf, o executivo avisa, correspondem a essas exigências.

A Dow participa do mercado de retardantes de chama com compostos de polietileno dos dois tipos: halogenados e isentos de halogênio. “Cada um dos produtos difere entre si pelo uso e normas específicas que atendem”, comenta Viviane Pinõn, gerente de marketing de Electrical & Telecommunications para a América Latina.

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 Associação impões rigor ao setor

No ano passado, o mercado nacional de retardantes de chama ganhou um importante aliado na rota rumo ao seu amadurecimento. Em novembro, foi criada oficialmente a Associação Brasileira da Indústria de Retardantes de Chama (Abichama). Ela representa três grandes empresas multinacionais: ICL-IP, Albemarle e GLS (Great Lake Solutions). Na teoria, a ideia é alertar e conscientizar os órgãos governamentais, o empresariado e a população acerca da importância da segurança contra incêndios. Em outras palavras, o que se vê é o empenho de grandes companhias internacionais em embutir mais rigor no setor e incentivar a propagação dessa categoria de produtos.

Um dos pontos cruciais de sua proposta se refere à legislação. Por isso, a Abichama faz parte da comissão de

Plástico, Liliam Salim, presidente da entidade e engenheira da ICL-IP, Retardantes de chama - Eventos esportvivos ancoram previsões de aumento das vendas no mercado nacional
Liliam Salim: Abichama faz parceria com os órgãos governamentais

flamabilidade da CB-24, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e do Programa Brasil sem Chama. Seus representantes têm se unido aos órgãos públicos para sugerir novas normas ou melhorar aquelas em vigor no exterior. “Um dos compromissos é atuar em parceria com órgãos governamentais para o desenvolvimento e aplicação de novas regulamentações no país, que incentivem o uso dos retardantes de chama, além de sugerir a uniformização das regulamentações brasileiras, com a adequação a normas já existentes internacionalmente”, afirma Liliam Salim, presidente da entidade e engenheira da ICL-IP.

No geral, o que existe no Brasil em relação às leis é insuficiente. No passado, houve uma ampla discussão sobre o mercado de colchões e colchonetes de espuma flexível de poliuretano. Há uma portaria do Inmetro implementada em três de fevereiro de 2011 para essa aplicação. No entanto, as intenções não se efetivaram a contento e o setor ainda não conseguiu se organizar sobre essa questão. A norma só tornou o uso do retardante de chama obrigatório em produtos utilizados nas penitenciárias.

O mercado de fios e cabos é o mais maduro nesse quesito. Esse cenário passou a ser desenhado com as exigências normativas do setor há bastante tempo. Em 1998 ele foi regulamentado, segundo o “teste de fogueira”, e mais tarde passou a adotar normas para homologação de tomadas, interruptores e soquetes resistentes à chama (teste do fio incandescente). Na prática, as especificações contemplam a não propagação da chama e o baixo índice de emissão de fumaça, durante a queima confinada.

O rigor das normas do mercado de fios e cabos varia de acordo com a aplicação. Em geral, os mais complexos estão ligados a operações de transmissão e distribuição de energia. Aliás, esse setor é um exemplo no que se refere à regulamentação contra incêndios. Segundo Ricardo Aurélio da Costa, assessor técnico da Itatex, os fabricantes desse ramo investem em produtos para suprimir a fumaça e reduzir a inflamabilidade interna dos polímeros há cerca de trinta anos.

A inflamabilidade de um material é geralmente definida de acordo com a norma UL-94, do laboratório americano de controle de qualidade Underwriters Laboratories (UL). No caso específico dos eletroeletrônicos há a International Electrotechnical Commission (IEC). Em tempo: no país existem laboratórios certificados para atestar se os produtos possuem retardantes de chama. Esses órgãos são certificados e regulamentados pelo Inmetro ou IPT.

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Um dos produtos de destaque do portfólio é o Unigard RE DFDA-1638. O composto pode ser utilizado em aplicações de isolamento e jaqueta, não possui halogênio, enxofre ou antimônio e apresenta alta retardância à chama, além de conter inibidor de cobre, apresentar UV estabilizado e ser de fácil extrusão, entre outras características.

Há dois anos, a companhia investe na pesquisa de materiais para adequar toda a sua linha a normativas como a Reduction of Hazardous Substances (RoHs). Por isso, muitos produtos têm sido relançados sob essa nova versão. A Dow Electrical & Telecommunications, uma das divisões de Plásticos de Performance da companhia, tem o mercado de fios e cabos como um dos focos.

Dados divulgados pela Dow apontam que cerca de 80% das mortes em incêndios resultam da intoxicação, ou seja, da combinação de fumaça e gases. As queimaduras respondem por 13% das causas de óbito. A tendência do mercado de consumir mais aditivos isentos de halogênios está diretamente ligada a isso. Sobretudo em incêndios que acontecem em locais fechados, muitas vezes a morte se dá pela inalação de gases tóxicos e não por conta da queimadura em si.

Não por acaso, entre as características dos produtos livres de halogênio, os fabricantes destacam a baixa emissão de fumaça e a reduzida toxicidade. “Os gases emitidos não são tão perigosos, o que aumenta o tempo para evacuação do local com fogo”, diz Viviane. De acordo com ela, para aplicação em lugares abertos, a procura maior é por halogenados; enquanto os isentos de halogênio têm mais consumo para locais fechados.

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