Plástico

Retardantes de chama – Descaso legislativo e falta de informação dos consumidores mantêm consumo de plásticos antichama em baixa no Brasil

Marcio Azevedo
10 de junho de 2008
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    Fósforo, líder em PU – Assim como o retardante bromado é o líder disparado em resinas poliolefínicas, os fosfatados são os líderes absolutos nas poliuretanas. Nesse segmento existe alguma normatização, caso da NBR 9178, que versa sobre espumas de PU rígidas, mas as condições não diferem muito do restante do mercado. A Lanxess, que possui retardantes não-halogenados com base em fósforo, é uma das principais fornecedoras para os produtores de artigos feitos de PU da região. Não por acaso, essa resina é um dos polímeros que oferece maior aceitação às moléculas importadas pela multinacional alemã, sendo uma das principais o trietil fosfato. Outro mercado, indicado para os retardantes fosfatados (entre eles, o trifenil fosfato, o difenil cresil fosfato e o tricresil fosfato), seriam os produtos feitos de PVC, como lonas para ambientes públicos e pisos. Como esse plástico suporta uma quantidade de cargas muito maior que as PUs, ele pode ser tornado antichama com produtos mais baratos, como a alumina trihidratada.

    Os retardantes fosforados possuem mecanismo de atuação diferente dos halogenados. Enquanto os últimos liberam átomos de halogênio que reagem com os radicais livres que alimentam a combustão, reduzindo sua disponibilidade para queima (porém formando no processo moléculas de Br2, Cl2, HBr, ou HCl), os aditivos com base em fósforo se desidratam em um processo que leva à formação de uma camada carbônica na superfície do plástico, impedindo que o fogo atinja o seio do material combustível. Nesse mecanismo é formado o ácido fosfórico (H3PO4), um ácido fraco (ao contrário de HCl e HBr, que são ácidos fortes), sem maiores efeitos de corrosividade ou toxicidade.

    É certo que os halogenados são mais eficientes e baratos. Mas Roberta Maturana, representante técnica de vendas da Lanxess, informa que as moléculas de retardantes fosforados podem ser formuladas com maior teor de fósforo, elevando a eficiência do produto.

    Plástico Moderno, Alejandro Gesswein, gerente regional de marketing, Retardantes de chama - Descaso legislativo e falta de informação dos consumidores mantêm consumo de plásticos antichama em baixa no Brasil

    Gesswein: fosforados têm crescimento mais rápido

    As aplicações para os retardantes fosfatados, de PU, incluem placas de isolamento termoacústico na indústria civil e proteção de tubulações na indústria petroquímica, no caso de espumas rígidas, e assentos e peças aptas ao processo de dublagem a fogo (flamme lamination) na indústria automotiva, no caso das espumas flexíveis. Além dessas aplicações no segmento que é o grande consumidor, os retardantes fosforados também podem ser utilizados em blendas de ABS/PC (carcaças de computador, peças do carregador de celulares, carcaçs de televisores) e HIPS. As vendas dos retardantes fosforados, segundo o gerente regional de marketing, Alejandro Gesswein, são as que mais crescem, puxadas principalmente pelos setores automotivo e de construção civil.

    Aliás, olhando o consumo global do mercado brasileiro de retardantes, incluindo os diversos tipos de moléculas, percebe-se que a demanda cresce, pois os principais consumidores experimentam fases de grande crescimento e quebra de recordes de produção, caso dos automóveis e dos eletrodomésticos. Não é, entretanto, um crescimento que reflete o potencial pleno do mercado, sendo considerado por muitos como apenas razoável. Além disso, competidores nacionais já reclamam da competição acirrada pela importação de retardantes halogenados chineses. A China é uma grande produtora de bromo, e os produtos asiáticos chegam aqui com preços que espremem ainda mais as deprimidas margens do negócio do país. Para piorar, não se trata do caso clássico (e que já faz parte do passado em grande quantidade de produtos chineses) de quinquilharias de péssima qualidade. São retardantes com bom desempenho, embora a deficiência mais comum dos fornecedores chineses, o serviço técnico, pareça se repetir nesse caso.

    Estabilizante permite poliolefina com retardante halogenado

    A Ciba Especialidades Químicas compete discretamente no mercado nacional de retardantes à chama com uma linha de produtos não-halogenados (cianuratos e polifosfatos de melamina) com aplicação em PAs carregadas com fibras de vidro utilizadas em aplicações eletrônicas em automóveis, e uma linha de aminas estericamente bloqueadas (Hals), derivada de seus estabilizantes à luz, mas nas quais o átomo de nitrogênio se liga a um radical do tipo –O–R. A companhia descobriu que a substituição, na amina bloqueada, do átomo de hidrogênio ligado ao nitrogênio por um oxigênio ligado a um grupo carbônico confere a propriedade antichama ao Hals. Esse produto combina as propriedades de retardância à chama com a estabilização à luz, e tem aplicação restrita a produtos com baixa espessura, como filmes e fibras feitas de PP e PE. A empresa sugere a aplicação em não-tecidos, mas a amina ainda não emplacou vendas no mercado brasileiro.

    Plástico Moderno, Retardantes de chama - Descaso legislativo e falta de informação dos consumidores mantêm consumo de plásticos antichama em baixa no Brasil

    Reforma no estádio do Maracanã trocou assentos por outros com antichamas

    A Ciba acaba participando do mercado de retardância mais por uma via indireta, representada pela venda de estabilizantes à luz para poliolefinas aditivadas com retardantes bromados. Segundo Francisco Lopes, gerente de novos negócios de grandes contas na área de aditivos para plásticos, os antichamas bromados, quando usados com PP ou PE, provocam o aceleramento da degradação do polímero. O retardante, em si, não possui proteção à luz. Por isso, ele se decompõe sob efeito da luz solar liberando pequenas quantidades de bromo, que catalisam as reações de fotodegradação das poliolefinas. “Até então, não havia solução para combinar retardantes halogenados com PP e PE”, diz Lopes. Mas a Ciba criou um Hals modificado, parecido com o usado como retardante. Ele é empregado como estabilizador à luz e neutraliza os efeitos da liberação de halogênios, permitindo que peças aditivadas com retardantes bromados tenham maior resistência à radiação solar.

    A Federação Internacional de Futebol, a Fifa, sugere o uso de assentos com retardância à chama. Como os halogenados são os mais utilizados, a Ciba está conseguindo participar, com seu estabilizante, de reformas de estádios, no Brasil e no mundo, caso do Maracanã. As cadeiras formuladas com estabilizantes convencionais duram poucos meses, enquanto as dotadas do Hals modificado perduram por períodos muito maiores, da ordem de anos.



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