Retardantes de chama – Descaso legislativo e falta de informação dos consumidores mantêm consumo de plásticos antichama em baixa no Brasil

A possibilidade de criação de um apelo do produto antichama no cliente final também é compartilhada por Sylvio Moreira do Carmo Jr., diretor-comercial da Neotrade, representante comercial da Albermale no Brasil, possivelmente a número dois no mercado nacional de retardantes bromados. Ele cita o caso dos televisores: são equipamentos que estão mudando. Com o advento das telas de plasma e LCD, os novos modelos consomem menos resina, o que pooderia reduzir o impacto do aumento de preço causado pelo aditivo. O poliestireno de alto impacto, mais conhecido como HIPS (high impact polystyrene), é um termoplástico de largo emprego na produção desse tipo de eletrodoméstico, e possui enorme facilidade para queimar. Colchões, feitos de espumas de PU, também. No entanto, Carmo sugere que o consumidor brasileiro pode não ter a percepção de que o material é um ótimo combustível. No entanto, o diretor-comercial da Neotrade acredita que “se uma empresa vendesse a idéia de que seu produto tem uma proteção ao fogo que os produtos concorrentes não têm, esse fato seria um diferencial no mercado”.

A falta de conscientização gera um fato um tanto inusitado. Um cliente da Neotrade, fabricante local de televisores, utiliza retardantes à chama independentemente da obrigatoriedade por lei, mas simplesmente não faz alusão ao fato – como diz Carmo, não vende a vantagem no mercado. A fatia dessa produtora de aparelhos de televisão é pequena, o preço de seu equipamento é maior que o de concorrentes, mas ela abre mão de divulgar as características de retardância de seu produto. Seria um temor de que, ao se destacar a presença de retardante, também se sublinha o fato de que o televisor com plástico não-aditivado pega fogo facilmente? Não se sabe.

Com a inexistência de motivos internos que reforcem a venda de antichamas, à exceção de poucos segmentos normatizados, o crescimento do mercado local acaba se dando por meio de algumas indústrias fortes na exportação, e que são obrigadas a seguir normas e leis vigentes nos países onde serão utilizados os artigos vendidos. Algumas oportunidades também surgem no caso de produtos em que o uso de retardante é obrigatório, mas as peças não eram feitas no país, ou, então, quando produtores globais com presença local seguem o cumprimento de normas preconizado por suas matrizes.

Por conta dessas características do mercado nacional, a criação de novos negócios nessa área é muito difícil. “Não se manda o vendedor a campo com a missão de vender antichama”, diz Freitas, da Macroplast, porque os negócios quase sempre são originados por consultas de clientes envolvidos com contratos que prevêem a especificação da peça como retardante à chama.

Bromados dominam – De maneira geral, o mercado consumidor de retardantes à chama brasileiro pouco mudou desde meados dos anos 80, segundo pessoas com experiência de décadas nessa área. Os segmentos que mais utilizam esses aditivos são o eletroeletrônico, a linha branca, fios e cabos (em combinação com aplicações em eletroeletrônicos), e o automotivo, além de áreas que demandam menores volumes, como construção civil, e setores com consumos realmente muito baixos, como o aeronáutico.

Dentre os diversos tipos de retardantes disponíveis no mercado mundial, são mais utilizados no Brasil os derivados bromados. O bromo é reconhecido como o elemento químico que melhor desempenho antichama confere aos materiais, e, não por acaso, as formulações contendo o halogênio são as mais eficazes, e também mais baratas. A Chemtra representa no Brasil a ICL, uma empresa com sede em Israel especializada na fabricação de produtos derivados de bromo – o Mar Morto, assim conhecido pela alta salinidade de suas águas, é uma grande fonte do elemento químico.

O principal consumidor local de retardantes bromados, na avaliação da gerente-comercial Selena, são os eletroeletrônicos. Os produtores seguem algumas normas interncionais, e, na área de fios e cabos, há alguma normatização em âmbito doméstico. Por força da exportação, o segmento automotivo também é um cliente importante da Chemtra.

Apesar do uso difundido em âmbito nacional e também no exterior, os retardantes com base em bromo enfrentam algumas restrições. Há estudos em andamento acerca dos efeitos das moléculas autlamente em uso, e muito se discute sobre o fato de que esse tipo de aditivo pode gerar fumaça contendo ácido bromídrico, tóxico e corrosivo.

Selena, porém, destaca que ainda não há provas definitivas contra o halogênio, e há algumas classes de moléculas bromadas que não enfrentam restrições. “Não se pode colocar o rótulo de que todas as moléculas bromadas podem causar efeitos nocivos ao ser humano ou ao meio ambiente. São necessários estudos caso a caso. Algumas moléculas foram banidas, como o óxido pentabromo, mas as empresas se adequaram com novas moléculas.” A ICL tem migrado para derivados desse tipo, e, além disso, entrou no segmento de retardantes baseados em fósforo após a compra, no ano passado, da norte-americana Supresta, especializada em derivados fosfatados, que não sofrem o mesmo tipo de pressão. Produtos com base em magnésio e cianurato de melamina também constam do portfólio entre as alternativas para os produtos halogenados.

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