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Resinas termoplásticas – câmbio e pandemia sacodem mercado

Antonio Carlos Santomauro
15 de novembro de 2020
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    Mas não será por falta ou encarecimento de matérias-primas que, conforme prevê Jane Campos, da Radici, até o final deste ano tanto a poliamida 6 quanto a 6.6 tenham seus preços elevados em aproximadamente 30% (relativamente aos valores atuais). “Com a queda da demanda em decorrência da pandemia, esses preços tinham caído mais de 30%; então, há mais um processo de recuperação que de aumento de preços”, argumenta Jane.

    Ela qualifica o atual comportamento do mercado brasileiro de resinas como “bem similar” ao do chinês, com uma queda muito acentuada no início da pandemia e uma recuperação também muito rápida. “Na Europa, as quedas foram menos acentuadas, mas a recuperação também está mais lenta”, compara. “Em âmbito global, a Radici fixou para 2021 a meta de crescer 4%, relativamente a 2020”, diz Jane. “No Brasil, com a pandemia, nossos negócios devem ser este ano cerca de 10% inferiores aos realizados em 2019”.

    Ajuda emergencial – A ajuda emergencial concedida pelo governo contribuiu para amenizar a queda da atividade econômica brasileira, mas não evitou que, segundo estimativas da Maxiquim, no primeiro semestre a demanda nacional por resinas registrasse queda de 6% em comparação com o mesmo período de 2019. Nesse mesmo período, a produção nacional de resinas diminuiu 7,6% (Tabela 1).

    Plástico Moderno - Resinas termoplásticas - câmbio e pandemia sacodem mercado e pedem mUdanças ©QD Foto: Divulgação

    Tabela 1 – Variação na produção nacional de resinas

    Novamente, comparando-se os primeiros semestres deste ano e de 2019, a balança comercial mostrou pequeno aumento nas importações e redução mais expressiva nas exportações (Tabela 2), até porque os produtores nacionais devem focar mais o mercado interno, pode-se projetar quedas ainda maiores nas exportações na segunda metade deste ano. E, como indica a Tabela 3, a pandemia provocou um rearranjo na demanda por resinas entre os diferentes mercados, provocando, entre outras coisas, aumento na procura por PE para o setor alimentício, e a virtual cessação da demanda por PP na indústria automobilística.

    Plástico Moderno - Resinas termoplásticas - câmbio e pandemia sacodem mercado e pedem mUdanças ©QD Foto: Divulgação

    Tabela 2 – Balança comercial brasileira de resinas (toneladas)

    PVC e PS, detalha Marta Drummond, da Maxiquim, estiveram entre as resinas mais afetadas pela pandemia. O PVC, em decorrência da forte retração inicial da construção civil. “Por sua vez, o PS foi mais utilizado em embalagens para entregas, mas caiu muito seu uso em artigos descartáveis”, explica Marta. “Em 2021, o consumo brasileiro de resinas deve se elevar em 5%, em relação a 2020”, projeta.

    Tabela 3 - Participação dos vários mercados no consumo das resinas da Braskem no Brasil ©QD Foto: Divulgação

    Tabela 3 – Participação dos vários mercados no consumo das resinas da Braskem no Brasil

    Sem arriscar previsões, Edison Terra, da Coplast, visualiza alguns fatores capazes de fortalecer a demanda nacional no decorrer próximo ano. “O setor agro vai bem e consome cada vez mais plásticos”, especifica. “Gradativamente, a nova Lei do Saneamento deverá gerar investimentos também nesse setor, que usa muitas resinas”, acrescenta.

    Conjunturas complexas como a atual podem levar a aprendizados, pondera o coordenador da Coplast: “Em outros países há mais parcerias, relacionamentos mais duradouros, enquanto no Brasil as negociações são muito pontuais; talvez seja a hora de trabalhar, também aqui, com mais contratos e com fórmulas definidas de preços”, enfatiza Terra.



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