Aditivos e Masterbatches

Resinas termoplásticas – câmbio e pandemia sacodem mercado

Antonio Carlos Santomauro
15 de novembro de 2020
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    Plástico Moderno - Resinas termoplásticas - câmbio e pandemia sacodem mercado e pedem mUdanças ©QD Foto: Divulgação

    Feltran: calçados e bens de consumo também se recuperam

    Presente em vários mercados, a Basf, pondera Feltran, consegue algum equilíbrio entre as perdas e ganhos em cada um deles. Assim, se registrou queda em mercados importantes como a indústria automobilística, também se expandiu em setores como energia e telecomunicações, e na produção de cadeiras para escritório, mais procuradas com o aumento do trabalho em home office, e que além de peças estruturais em poliamida têm assentos e encostos feitos em poliuretano (que a empresa também fornece). “Aumentou também a procura por polisulfona, para aplicação em equipamentos que exigem esterilização, como artigos médicos e componentes de respiradores e ventiladores”, especifica Feltran.

    A expressiva redução das operações da indústria automobilística afetou também os negócios da Ineos Styrolution, que no Brasil fornece as resinas estirênicas ABS, SAN, ASA e ABS/PC – usadas também em eletrodomésticos e eletroeletrônicos – e resinas de SBC (copolímeros de estireno e butadieno) para embalagens e modificação de impacto de PS. Porém, já a partir de julho, consolidou-se um movimento de “forte recuperação” das vendas, como relata Fabio Bordin, diretor da Ineos Styrolution na América do Sul.

    Plástico Moderno - Resinas termoplásticas - câmbio e pandemia sacodem mercado e pedem mUdanças ©QD Foto: Divulgação

    Bordin: cadeia produtiva está com estoques muito baixos

    É difícil, observa Bordin, qualificar desde já essa recuperação como temporária ou sustentável. “Mas tendo a achar que ela é sustentável, as previsões de vendas de meus clientes são otimistas”, argumenta. “Se eu tivesse mais material disponível, estaria vendendo; em função do estoque, estou até precisando administrar as vendas”, acrescenta.

    A pandemia afetou mais severamente a demanda de resinas como o ASA e ABS HH (high heat), cujo principal destino é o setor automotivo. “Já nossas resinas Styrolux e Styroflex (ambas resinas de SBC), muito usadas na modificação de impacto do poliestireno, tiveram seus volumes aumentados pela maior necessidade de produtos descartáveis”, diz. “O segmento de linha branca também foi afetado, mas em menor volume quando comparado ao automotivo”, finaliza.

    Estabilização – Neste trimestre, projeta Edison Terra, da Coplast, deve se estabilizar a relação entre a oferta e a demanda no mercado global, cuja escassez dificultou enormemente a importação de resinas como o PE, PP, e PVC. “O PVC, por exemplo, está em falta em todo o mundo, inclusive na China”, destaca Terra.

    Mas, ao menos durante mais algum tempo, seguirá reduzida a importação, crê Marta Drummond, da Maxiquim. “A exportação também deve seguir em baixa, pois o mercado interno está lentamente recuperando a demanda e os produtores locais devem se focar nas vendas internas”, ressalta.

    Esse maior foco nos clientes locais pode explicar a redução da participação do mercado externo nos negócios totais da Braskem: “Essa participação ficou em torno de 30% no segundo trimestre, mas deverá ser menor no segundo semestre”, projeta Santos.

    Tanto as economias emergentes quanto as mais desenvolvidas, ressalta o profissional da Braskem, registrarão queda na demanda por resinas em 2020, mas a América do Norte e a Europa serão as regiões mais afetadas, e terão um período de recuperação mais lento. “Para 2021, há expectativa de crescimento da demanda em todas as regiões”, observa.

    Plástico Moderno - Resinas termoplásticas - câmbio e pandemia sacodem mercado e pedem mUdanças ©QD Foto: Divulgação

    Marçon: produção de PET não sofreu restrição de insumos

    Em um cenário no qual houve relato de falta de matéria-prima para a produção de plásticos, ele salienta que a Braskem recentemente assinou com a Petrobras dois novos contratos para fornecimento de nafta petroquímica: um para abastecimento das unidades da Bahia e outro para atender às fábricas no Rio Grande do Sul. Eles garantem à companhia o fornecimento de um volume mínimo anual de 650 mil toneladas e um adicional máximo até 2,8 milhões de t/ano. “Com prazo de cinco anos, os acordos entram em vigor em dezembro próximo, quando se encerra o contrato atual”, relata Santos.

    A nafta não foi o único insumo com oferta impactada pela pandemia: houve também, por exemplo, algum desequilíbrio na oferta de do PIA (ácido isoftálico purificado), que tem participação secundária na obtenção de PET. “Isso já está regularizado; vez por outra falta algum aditivo, mas isso não afetou o PET, pois os grandes players da resina garantiram o abastecimento”, afirma Auri Marçon.

    O Brasil, diz o presidente da Abipet, é autossuficiente na produção de PET, e produz internamente também as duas matérias-primas dessa resina: o PTA (ácido tereftálico) e MEG (mono etilenoglicol). “Também por questões sazonais, o país tem pouco risco de desabastecimento na cadeia petroquímica do PET: quando o consumo se aquece aqui, ele diminui no hemisfério norte”, acrescenta.



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