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Resinas termoplásticas – câmbio e pandemia sacodem mercado

Antonio Carlos Santomauro
15 de novembro de 2020
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    Plástico Moderno - Resinas termoplásticas - câmbio e pandemia sacodem mercado e pedem mUdanças ©QD Foto: Divulgação

    Câmbio e pandemia sacodem mercado e pedem mudanças – Resinas termoplásticas

    Assim como derrubou a procura por seus produtos, a Covid-19 obrigou a indústria de resinas a também reduzir a sua oferta, seja para se adequar à demanda menor, seja pela necessidade de atender às regras de isolamento social. Como seus fornecedores passaram por processo similar, surgiram relatos globais de dificuldades de obtenção de matérias-primas, inclusive, mas não apenas, a nafta, bem como de seus derivados. Assim, quando a demanda começou a recuperar o fôlego, faltou resina no mercado mundial.

    Por se tratar de atividade globalizada, o que acontece em uma região do mundo afeta as demais. Como a fortíssima economia da China começou a se recuperar mais cedo da pandemia, intensificaram-se também antecipadamente suas avultadas compras, tornando ainda mais escassa a oferta para países onde a economia se recuperou depois. Caso do Brasil, onde os fabricantes de resinas, mesmo administrando vendas e restringindo exportações, encontraram dificuldades para atender, além de seus clientes habituais, também a demanda de transformadores que, antes usuários de resinas importadas, deixaram de dispor dessa fonte de matéria-prima.

    Plástico Moderno - Resinas termoplásticas - câmbio e pandemia sacodem mercado e pedem mUdanças ©QD Foto: Divulgação

    Marta: recuperação da demanda já começou em vários setores

    Tal situação impactou os preços cobrados pelas resinas: em um primeiro momento, ao menos, com uma recuperação muito rápida de preços que haviam baixado quando a demanda caiu. Como esses preços são vinculados ao dólar, eles foram afetados por aqui também pela uma variação cambial que nos primeiros sete meses deste ano valorizou a moeda norte-americana em quase 30% em relação ao real. Até porque durante algum tempo a demanda esteve muito fraca e os preços das resinas em reais não subiram tanto: “Em reais, nos sete primeiros meses deste ano eles subiram entre 10% a 15%”, estima Marta Loss Drummond, analista de mercado de resinas termoplásticas da consultoria MaxiQuim.

    Este ano, projeta Marta, o consumo brasileiro de resinas termoplásticas (PE, PP, PS, PVC e PET) deverá ficar entre 4% e 5% inferior ao de 2019. “Comparativamente ao mesmo período do ano passado, estimo uma queda de 6% no primeiro semestre deste ano”, calcula (ver box com números do setor no primeiro semestre).

    Gradualmente, observa a profissional da Maxiquim, já se reaquece a demanda por resinas mesmo nos setores mais atingidos pela pandemia, como as indústrias de automóveis e de eletroeletrônicos. O mesmo acontece na construção civil, muito prejudicada no início da Covid-19. “Agora há pequenas reformas domiciliares, pessoas adaptando suas casas para home office, investindo na reforma de ambientes as quantias antes destinadas a viagens. Isso aumenta a demanda por materiais de construção, móveis, eletrônicos”, ressalta.

    Plástico Moderno - Resinas termoplásticas - câmbio e pandemia sacodem mercado e pedem mUdanças ©QD Foto: Divulgação

    Terra: mercado global voltou ao equilíbrio no 3º trimestre

    Difícil, porém, ao menos por enquanto, prognosticar como prosseguirá essa recuperação, pondera Edison Terra, coordenador da Coplast (Comissão Setorial de Resinas Termoplásticas), da Abiquim. Houve, como relata, intenso aquecimento da demanda em julho e em agosto, e isso deve se manter em setembro. Mas as projeções para além desse período devem considerar alguns fatores. “O que acontecerá após a redução do auxílio emergencial, que ajudou a alavancar também o consumo de bens duráveis, e mesmo a construção civil?”, indaga Terra.

    Ele também aponta que, nos finais de ano, muitos transformadores reduzem sua produção e a consequente demanda por resinas. “Mas, na medida em que haverá menos gente viajando – até porque muitas empresas já concederam férias coletivas –, isso não mudará o comportamento dos consumidores e, consequentemente, as programações dos transformadores?”, questiona o coordenador da Coplast.



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