Plástico

Resinas – Setor reagiu rápido aos reflexos da crise e já arquiteta saídas para robustecer toda a cadeia

Maria Aparecida de Sino Reto
20 de abril de 2009
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    Sob o ponto de vista do vice-presidente-executivo da Braskem, a inovação e a busca por maior produtividade ainda se mostram as melhores saídas para superar as adversidades e ele também destaca duas conquistas da empresa no ano passado: o desenvolvimento, em parceria com a Whirlpool, de uma linha inovadora de lavadoras de roupas com cerca de 70% de plástico, basicamente polipropileno – o dobro do utilizado nas lavadoras tradicionais; e, fruto de uma parceria com a Fortlev, o lançamento de uma cisterna de polietileno que substitui com vantagens a similar de concreto e dispensa obras para sua instalação.

    Também a Solvay Indupa enxerga um mercado estável em 2009, com um pequeno crescimento. O gerente de comunicação da empresa, Édison Carlos, baseia-se no fato de as obras iniciadas no ano passado começarem somente agora a empregar mais PVC, com aplicações nas fases de instalação hidráulica e elétrica, e no acabamento, com janelas, pisos, forros e outros itens. Ele também prevê boas perspectivas com os projetos de investimentos do PAC e nas campanhas governamentais para estimular o consumo. “Isso tende a melhorar o nível de confiança das empresas e do mercado.”

    No caso do poliestireno, o impacto da crise encolheu o consumo aparente em 8% no quarto trimestre do ano passado. O sumiço do crédito impactou setores estratégicos para o consumo da resina: refrigeração, comunicação e computação, entre outros. “Como estratégia para enfrentar a situação, buscamos identificar e entender antecipadamente as tendências do mercado, para atuar de forma ágil e alinhada às necessidades do setor”, informa Fleischhauer. Além disso, a Basf procurou diminuir seus estoques e aumentar a eficiência dos processos, entre outras medidas.

    Na avaliação dos gerentes da Americas Styrenics, 2008 tinha tudo para ser o melhor dos últimos cinco anos para o mercado brasileiro de poliestireno. A empresa, contudo, vê como aspectos positivos a consolidação de seu grade Styron A-Tech 1115 em substituição à resina de ABS no segmento de refrigeração e a entrada da variedade de poliestireno com resistência à ignição (grade 6049) no mercado das flats TVs, aquelas modernas e fininhas.

    Tendência verde – A maior preocupação global em preservar a natureza, associada à cotação do petróleo para além dos US$ 100, incentivou diversas medidas em prol do desenvolvimento de produtos oriundos de fontes renováveis e de tecnologias “amigas” do meio ambiente. Criou-se a onda do desenvolvimento sustentável. Os investimentos pipocam em todo o planeta e são vultosos. Com a recessão já instalada em muitas nações e espreitando outras, associada à queda na cotação do óleo negro para abaixo dos US$ 60, a dúvida é: como ficam esses projetos? Caso percam a competitividade, a questão ambiental soará mais alto?

    A Solvay garante que sim, manterá seus planos. “O investimento é estratégico e não se limita a ter um produto de fonte renovável. É uma estratégia de longo prazo e se constitui numa alternativa confiável de matéria-prima para o futuro”, assevera Carlos.

    De acordo com Mendonça, o projeto de polietileno “verde” da Braskem teve seu ponto de partida em cenário de petróleo abaixo de US$ 50 o barril e já se mostrava competitivo. “O que aconteceu em 2008 foi uma enorme volatilidade e uma supervalorização do petróleo, que superou US$ 140 o barril. Voltamos à situação original e o projeto continua competitivo.” A empresa lançará em breve a pedra fundamental da nova planta.

    Para Mallmann, a demanda por fontes renováveis de produção é uma questão importante, embora o item custo precise ser equacionado pelos potenciais fabricantes. A própria Quattor se insere nesse rol. No final do ano passado, a empresa anunciou um projeto para produzir propeno baseado em glicerina, com tecnologia inédita em âmbito global. Na avaliação do presidente da empresa, o fator fonte renovável causa impacto positivo na resina obtida com tais insumos e constitui um diferencial de mercado a ser explorado. Vale atentar para a probabilidade de adoção por alguns países de um “protecionismo verde”. Há indícios de uma imposição nos Estados Unidos de “tarifas de carbono”, uma restrição às nações que não seguirem os mesmos esforços para reduzir as emissões de dióxido de carbono. As mudanças climáticas soam como boas justificativas para a medida e facilitam a sua adoção pelos líderes mundiais.

     

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