Plástico

Resinas – Setor reagiu rápido aos reflexos da crise e já arquiteta saídas para robustecer toda a cadeia

Maria Aparecida de Sino Reto
20 de abril de 2009
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    O freio na demanda impôs uma revisão nas suas projeções de expansão. “Novos investimentos para atender o mercado doméstico só seriam necessários a partir de 2015 ou 2016”, calcula o vice-presidente-executivo da Braskem. Mesmo assim, os projetos da empresa seguem adiante. Segundo ele, os empreendimentos na Venezuela são estratégicos. Também correm em paralelo, negociações com o Peru e a Bolívia. “Buscamos matéria-prima competitiva em patamares comparáveis aos players do Oriente Médio”, justifica.

    No país, a prioridade são os polímeros verdes. A empresa planeja polimerizar 200 mil toneladas anuais de PE com base em eteno obtido de álcool de cana-de-açúcar, com operações iniciais previstas para 2011. A Braskem também estuda a produção de polipropileno com insumo de origem vegetal. Na mesma época em que prevê inaugurar a unidade dos biopolímeros, a produtora de resinas planeja também elevar em 200 mil toneladas a sua capacidade instalada de PVC.

    Na Venezuela, a empresa toca dois projetos integrados, em parceria paritária com a Pequiven, que resultou em duas joint ventures: a Propilsur e a Polimérica. A primeira absorverá investimentos estimados em US$ 880 milhões e terá capacidade para processar 450 mil toneladas anuais de polipropileno, com entrada de operações prevista para 2010. Com aporte estimado em US$ 2,6 bilhões, a Polimérica representa um complexo de polietileno obtido de gás natural, cuja capacidade instalada supera 1,1 milhão de toneladas anuais e tem previsão de começar a operar em 2012.

    Na Bolívia, os planos envolvem a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) para implantação de um complexo petroquímico baseado em etano, no sul do país. No Peru, a Braskem estuda com a Petróleos del Perú (PetroPerú) a viabilidade de construir um complexo integrado para produzir entre 700 mil e 1,2 milhão de toneladas de polietilenos com base em gás natural.

    Plástico Moderno, Resinas - Setor reagiu rápido aos reflexos da crise e já arquiteta saídas para robustecer toda a cadeiaAinda neste ano, a Quattor conclui investimentos da monta de R$ 2,3 milhões, iniciados em 2005. Os recursos contemplam elevação do cracker em 40%, ampliação dos intermediários químicos, nova linha produtiva de 250 mil toneladas anuais de polietilenos (PEAD, PELBD metalocênico e PELBD) e 190 mil toneladas adicionais de polipropileno. Esses dados englobam as unidades de Mauá, no polo do ABC, em São Paulo, e Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. A prioridade da empresa, afirma Mallmann, é concluir o projeto e destinar esse potencial de capacidade.

    Finalizada a ampliação em São Paulo, que se dará com parcela importante para gás de refinaria na produção de etileno, a capacidade total desse insumo subirá para cerca de 1,2 milhão de toneladas, além de cerca de um milhão de toneladas de polietileno e da ordem de 870 mil toneladas de polipropileno.

    O PVC também ganhou uma oferta adicional com o término da fase I, no início deste ano, de aumento da capacidade produtiva da Solvay Indupa. A planta contemplou um extra de 30 mil t e atinge agora 300 mil toneladas anuais da resina. A segunda etapa prevê alcançar 350 mil t entre o final de 2010 e o início de 2011, isso sem considerar o volume adicional de 60 mil toneladas anuais de PVC derivado do bioetileno. Até 2010, a capacidade da planta argentina também expandirá, das atuais 220 mil para 240 mil toneladas anuais.

    Previsões alentadoras – O ano passado foi histórico para a Quattor, na opinião de Mallmann, pois marcou a criação da empresa, o que foi fundamental para dar condições mais amplas de competitividade e integração à cadeia do plástico. “Esse fato permitiu a reação rápida do setor às novas condições do mercado, deu uma musculatura que antes não tinha”, assevera. Para ele, antes da reestruturação, as empresas isoladas estariam em condições complicadas no contexto atual da crise. O mercado reagiu e suas expectativas são positivas para o ano. “Especialmente porque existe espaço que foi ocupado pelas importações.”

    Em 2008, a Braskem efetuou paradas programadas de manutenção em Camaçari, na Bahia, e em Triunfo, no Rio Grande do Sul, e reduziu as suas operações durante o quarto trimestre, a fim de equalizar os estoques perante a queda abrupta na demanda global, a partir de setembro. De acordo com Mendonça, a produção total de resinas deprimiu 4% comparada a 2007, mas o maior efeito recaiu nos polietilenos, que encolheram 12%. As produções de PP e de PVC, ao contrário, subiram 3% e 12%, nessa ordem. “As vendas totais de resinas reduziram 8%.”

    A despeito das dificuldades impostas pela recessão global, o Brasil deve crescer, ainda que pouco. Esse crescimento, combinado com a reposição de estoques, delineia um panorama positivo para o ano. “Acreditamos em um aumento da demanda da ordem de 5%”, diz o otimista Mendonça. Ele sustenta sua tese com base na apreciação do dólar, que torna mais competitivos os produtos brasileiros no mercado internacional e tem efeito oposto nas importações. “Se por um lado a crise impacta fortemente a demanda global, poderão surgir boas oportunidades no mercado interno e janelas para exportação”, prognostica.



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