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Resinas – Setor reagiu rápido aos reflexos da crise e já arquiteta saídas para robustecer toda a cadeia

Maria Aparecida de Sino Reto
20 de abril de 2009
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    O presidente do Siresp pensa de modo semelhante. Para ele, as resinas do Oriente Médio não devem ter o mesmo impacto que teriam antes da crise, quando a cotação do petróleo beirava os US$ 150 dólares. Com o óleo custando um terço disso, a realidade hoje é outra. “A vantagem competitiva dos preços das matérias-primas reduziu e o quadro atual concede um menor incentivo perante os preços internacionais, que registraram forte queda”, pondera.

    A propósito, os preços praticados pela indústria brasileira de resinas têm provocado um constante cabo-de-guerra com a transformação. Neste caso, Mallmann também assegura que o quadro hoje é outro: “Os preços caminham para um alinhamento e o momento atual é mais indutor de uma visão integrada da cadeia produtiva do que de disputa entre petroquímicas e transformadores.”

    A projeção dele para o mercado doméstico neste ano é de um leve crescimento, em concordância com Zuñeda, para quem o setor plástico brasileiro conta com grandes boas empresas, dirigidas por bons empresários. A discussão do crescimento, acredita o diretor da Maxiquim, se dará em torno de como fortalecer pequenas e médias empresas, igualmente conduzidas por bons empresários.

    Hora certa e mercado-alvo – Integração concluída, a discussão agora envolve o ambicioso projeto Comperj, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, de mais de 8 bilhões de dólares, capitaneado pela Petrobras, que prevê uma nova rota para a produção de resinas: craquear óleo pesado para produzir eteno e propeno, insumos básicos para a síntese de polietilenos e polipropileno.

    Plástico Moderno, Resinas - Setor reagiu rápido aos reflexos da crise e já arquiteta saídas para robustecer toda a cadeia

    O complexo terá capacidade para processar 150 mil barris/dia de óleo pesado nacional e contará com uma unidade de refino de primeira geração para a produção de petroquímicos básicos (1,3 milhão de t/ano de eteno, 880 mil t/ano de propeno, 600 mil t/ano de benzeno, 157 mil t/ano de butadieno e 700 mil t/ano de paraxileno), bem como um conjunto de unidades de segunda geração, produtoras de polímeros. Além de 800 mil toneladas anuais de polietilenos e 850 mil de polipropileno, serão produzidas no complexo 500 mil t/ano de estireno, além de outros insumos (etileno-glicol, PTA e PET). Já em andamento, as obras de terraplenagem devem ser concluídas no final deste ano.

    A entrada em operação está prevista para 2012, mas a sua estrutura societária ainda não foi definida. No início de fevereiro, a Petrobras constituiu seis subsidiárias integrais, inicialmente, com 100% do capital total e votante dessas companhias. São elas: Comperj Participações S.A., que deterá as participações da Petrobras nas sociedades produtoras do Comperj, Comperj Petroquímicos Básicos S.A., Comperj PET S.A., Comperj Estirênicos S.A., Comperj MEG S.A., e Comperj Poliolefinas S.A. A criação dessas empresas inicia a fase de preparação do projeto para a entrada de potenciais sócios. Os dois maiores produtores de poliolefinas do país – Quattor e Braskem – são os candidatos naturais ao empreendimento.

    O presidente da Quattor diz estar avaliando o projeto. Mallmann pondera ser necessário estudar a questão de tempo – quando entrar? –, considerando-se a oferta e a demanda; e também o destino dessa produção – quais serão os mercados-alvo? Eles se coincidem com os focados pela empresa? “Além do mais, é preciso ter preços de matérias-primas competitivas”, ressalva Mallmann.

    A Braskem também assegura ter interesse em oportunidades de expansão no Brasil. “Desde que com acesso a matérias-primas competitivas e em uma janela de mercado oportuna”, pede igualmente Mendonça.

    Na opinião de Zuñeda, o preço do petróleo deverá atingir um patamar de US$ 60 o barril, cotação que viabiliza o projeto. Destaca, ainda, que mesmo com a crise será preciso investir, porque haverá crescimento e, na avaliação dele, a próxima década exigirá outro ciclo de expansão em eteno. O insumo verde via etanol ajudará, mas não dará o volume de balanço de oferta necessário.

    Para o diretor da Maxiquim, o balanço de oferta da petroquímica em termos de eteno e propeno será movimentado via refinaria. “Tem que ter investimento de um milhão de toneladas e esse aporte, acredito, se dará pelo Comperj, com a participação da Quattor e da Braskem, ou de uma delas. Ambas irão buscar matéria-prima competitiva e o Comperj terá, por meio do petróleo pesado”, aposta.

    Plástico Moderno, Luiz de Mendonça, vice-presidente-executivo e responsável pela unidade de polímeros da Braskem, Resinas - Setor reagiu rápido aos reflexos da crise e já arquiteta saídas para robustecer toda a cadeia

    Mendonça prevê crescimento na demanda dos plásticos

    Investimentos – Existe hoje no mercado nacional um grande excedente na oferta de resinas, em particular de polietileno e polipropileno. A capacidade produtiva de polietilenos supera três milhões de toneladas, enquanto o consumo aparente desses polímeros ficou em dois milhões de toneladas no ano passado. O caso do polipropileno é semelhante. A capacidade nacional ultrapassa dois milhões de toneladas, mas o consumo atingiu pouco mais da metade desse volume no ano passado: 1,3 milhão de toneladas. O mercado de poliestireno tem à sua disposição mais de 600 mil toneladas, enquanto absorveu igualmente pouco mais da metade desse total (338 mil t). A exceção fica com o policloreto de vinila, dependente de importações, com uma capacidade instalada da ordem de 800 mil toneladas para uma demanda acima de um milhão de toneladas no ano passado.

    Até o terceiro trimestre de 2008, o setor plástico cresceu muito. A expansão, da ordem de 9% nas contas de Mendonça, foi puxada pelas indústrias de construção civil, automotiva e de eletrodomésticos. O último trimestre, porém, foi marcado pelo declínio nos negócios. A retração de crédito gerada pela crise internacional induziu a cadeia a consumir seus estoques. “O ano de 2008 fechou praticamente em linha com 2007, exceção feita ao PVC, que encerrou o ano com 14% de crescimento”, comenta Mendonça.



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