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Resinas – Setor reagiu rápido aos reflexos da crise e já arquiteta saídas para robustecer toda a cadeia

Maria Aparecida de Sino Reto
20 de abril de 2009
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    As últimas medidas adotadas pelo governo convergem a favor desses pontos de vista. Em uma de suas investidas para combater os impactos da crise financeira internacional, o presidente Lula anunciou programa habitacional que oferece condições para a população de baixa renda. O plano prevê investimentos de R$ 34 bilhões para a construção de um milhão de habitações. Intenções: combater a crise, gerar emprego e reduzir o déficit de moradias.

    A indústria de construção civil ainda alimentará por um bom tempo, e antes mesmo dos novos empreendimentos, a demanda de PVC, uma das resinas mais empregadas nesse segmento. Ocorre que as obras em andamento devem ser concluídas, e é nessa etapa que entram os tubos, janelas, portas e outros itens de PVC. “Também se olharmos para as áreas de saneamento e infraestrutura, ainda há muito a ser feito no país”, complementa o presidente do Siresp.

    Plástico Moderno, Resinas - Setor reagiu rápido aos reflexos da crise e já arquiteta saídas para robustecer toda a cadeia

    A demanda doméstica é a principal via condutora para o PVC, pondera o gerente de comunicação e assuntos corporativos da Solvay Indupa, Édison Carlos. E o fato é que o Brasil e toda a América do Sul possuem grandes carências de habitação, água e saneamento básico. Para alento dos fabricantes da resina, mais da metade do mercado de PVC segue para aplicações da construção civil e de infraestrutura. “Há muito espaço para o PVC no mercado local. Nesse sentido, a Solvay Indupa está muito bem posicionada com suas plantas em São Paulo e em Bahía Blanca, na Argentina”, ressalta.

    Os tempos difíceis têm lá seus aspectos positivos e um deles é o maior foco que o consumidor doméstico receberá nesse momento, pois nele se concentrarão as maiores expectativas de reversão no quadro global de demanda reprimida. Lógico, portanto, que as indústrias procurem preservá-lo e estimulá-lo. “Com a crise, os países estarão mais protecionistas. A Europa e os Estados Unidos tendem a buscar o fortalecimento de seus consumos internos, e o Brasil está seguindo esse mesmo caminho”, diz Zuñeda.

    Plástico Moderno, Resinas - Setor reagiu rápido aos reflexos da crise e já arquiteta saídas para robustecer toda a cadeia

    Plástico Moderno, Vítor Mallmann, presidente do Siresp, Resinas - Setor reagiu rápido aos reflexos da crise e já arquiteta saídas para robustecer toda a cadeia

    Mallmann sai em defesa do mercado local

    Um estudo elaborado pelo Banco Mundial e divulgado em meados de março revela que a maior parte dos países do G20, grupo das nações ricas e das emergentes, está tomando atitudes do gênero, desde novembro do ano passado, em decorrência do recrudescimento da crise financeira global. O levantamento faz menção ao Brasil também. Cita a redução do IPI para os carros e a tentativa, esboçada em janeiro e logo depois descartada, de restringir as importações. Entre as medidas protecionistas relacionadas no estudo constam novos subsídios às exportações, anunciados pela União Europeia aos produtos agrícolas, e reduções de impostos para exportadores, aplicadas pela China e Índia. O pacote de estímulo dos Estados Unidos também dispõe de uma cláusula que preconiza a compra de material produzido no país.

    Cadeia mais unida – Proteger o mercado doméstico é justamente uma das principais diretrizes da indústria brasileira de resinas termoplásticas. Vítor Mallmann ressalta com todas as letras que a prioridade é fortalecer o parque transformador interno e defendê-lo das importações. “A primeira meta é desenvolver e preservar o mercado doméstico; a segunda, aprimorar os mecanismos da exportação.”

    A proteção do mercado interno a fim de garantir a atividade econômica ativa é natural em um momento de crise, como a vivenciada atualmente. Tal é o ponto de vista de Andreas Fleischhauer, diretor de estirênicos para a América do Sul da Basf. Ele vê uma tendência bilateral do protecionismo e explica: a grande demanda dos países desenvolvidos caiu bruscamente e os em desenvolvimento, que atendiam a essa demanda, precisam buscar opções para melhor explorar os seus próprios mercados domésticos.

    Plástico Moderno, Resinas - Setor reagiu rápido aos reflexos da crise e já arquiteta saídas para robustecer toda a cadeia

    Sanchez (esq.) e Garcia não concordam com o protecionismo

    No caso do poliestireno nacional, com excesso de capacidade produtiva, o mercado externo constitui o destino para os excedentes. Esse é um dos motivos pelos quais os gerentes da Americas Styrenics avaliam o protecionismo como uma atitude muito prejudicial. “O Brasil é um exportador e o mercado doméstico não é suficiente para consumir a produção local”, concordam Sanchez e Garcia. Isso sem mencionar outros aspectos negativos. O principal deles, o retrocesso na livre competição de mercado.

    De qualquer modo, um olhar mais voltado ao consumo local deve resguardar a indústria brasileira de uma concorrência mais aguda das resinas do Oriente Médio. Grandes produtores de petróleo, os países da região caminham rumo à liderança mundial em petroquímicos, com projetos integrados, que devem esparramar no mercado internacional volume acima de 10 milhões de toneladas de poliolefinas, nos próximos anos.

    A dobradinha superoferta/demanda reprimida tende a empurrar os preços das resinas para um novo ciclo global de baixa. “Essa resina estará disponível por tradings no mundo inteiro e forçará uma queda nos preços, que terá reflexos no Brasil”, vaticina Zuñeda.

    O vice-presidente-executivo da Braskem, porém, não teme um quadro de explosão da oferta. Segundo ele, as plantas do Oriente Médio que já entraram em operação estão deslocando outras de menor competitividade na Europa e nos Estados Unidos, onde há uma série de paradas definitivas, ou fábricas em hibernação por período indeterminado. Os cronogramas atrasados de outras unidades nos países da região, por dificuldades técnicas ou à espera de uma melhor oportunidade de mercado para entrar em operação, também aquietam os ânimos.



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