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Resinas – Setor reagiu rápido aos reflexos da crise e já arquiteta saídas para robustecer toda a cadeia

Maria Aparecida de Sino Reto
20 de abril de 2009
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    Plástico Moderno, Andreas Fleischhauer, diretor da divisão de estirênicos para a América do Sul da Basf, Resinas - Setor reagiu rápido aos reflexos da crise e já arquiteta saídas para robustecer toda a cadeia

    Fleischhauer vê na crise oportunidade de negócios

    Novos parâmetros – A crise fez evaporar as referências do mercado. A cotação do barril de petróleo retomou níveis abaixo dos US$ 50, os preços das resinas despencaram e o mercado partiu para o estoque. “Ao mesmo tempo, houve um impacto efetivo na demanda, o que caracterizou um novo patamar, ainda indeterminado”, afere Mallmann.

    Na mesma sintonia do presidente do Siresp, o coordenador da Coplast, Alfredo Tellechea, pondera que a crise financeira operou como um redutor na economia e estabeleceu novos patamares. “Com a regularização dos estoques na cadeia produtiva, percebemos uma leve reação em alguns setores. Nossa expectativa é de que esse movimento cresça nos próximos meses.”

    Após os efeitos mais agudos da crise, as vendas de resinas no mercado interno reagiram. O volume comercializado internamente totalizou 438 mil toneladas no primeiro bimestre deste ano, quantidade 2,5% maior sobre a soma de novembro e dezembro de 2008, de acordo com levantamento da Coplast. Quando comparado o primeiro bimestre de 2009 a igual período do ano passado, porém, o resultado é de recuo: 21,6%.

    As exportações aliviaram o problema do excedente doméstico e totalizaram 242 mil toneladas nos dois primeiros meses de 2009, uma expansão de 86,4% na comparação com o último bimestre do ano passado e de 80,2% ante o mesmo período de 2008. As importações cresceram 1,3% em relação aos dois últimos meses do ano passado, porém, encolheram no comparativo com janeiro/fevereiro (9,6%). Comparada ao mesmo período de 2008, a produção declinou 20%, mas, em relação a novembro e dezembro, cresceu 3%, atingindo volume de 640 mil toneladas.

    Plástico Moderno, Resinas - Setor reagiu rápido aos reflexos da crise e já arquiteta saídas para robustecer toda a cadeia

    A aferição efetuada pela Coplast no acumulado de janeiro a dezembro do ano passado revelou um consumo aparente acima de 4,7 milhões de toneladas de resinas termoplásticas, um salto de 8% comparado a 2007. As paradas programadas para manutenção e ampliações de capacidades em todos os polos produtivos incidiram na redução de 6,9%, registrada na produção sobre os períodos confrontados. Por conta do mesmo motivo principal, também as exportações deprimiram 31,8%, enquanto as importações expandiram 47,4%.

    O coordenador da Coplast considera positivo o desempenho do setor no acumulado do ano, mesmo com os efeitos deletérios da crise no último trimestre de 2008. Afinal, o crescimento poderia ter sido maior. De qualquer modo, houve aumento significativo no consumo de resinas no ano passado, mesmo com a queda nas vendas no último trimestre, em decorrência do movimento de redução dos estoques na cadeia produtiva.

    A despeito do quadro incerto, Tellechea prevê bons resultados também neste ano: “A economia mundial passa por uma fase de adaptação a novos patamares de consumo, produção e preços. Acredito, porém, que a demanda por plásticos voltará a crescer brevemente e a indústria brasileira está preparada para atender a esse aumento.”

    Plástico Moderno, João Luiz Zuñeda, diretor da Maxiquim Assessoria de Mercado, Resinas - Setor reagiu rápido aos reflexos da crise e já arquiteta saídas para robustecer toda a cadeia

    Para Zuñeda, o momento pede atenção à demanda agregada

    Na avaliação de Chammas, a cadeia produtiva trabalha hoje com estoques mais baixos, quase regularizados. Começa-se a ter o consumo real de toda a cadeia produtiva. Para ele, a crise afetou menos o setor de alimentos, o que favoreceu as indústrias de embalagens, mantendo o bom nível de transformação. Já os bens duráveis apontam tendência de menores índices de crescimento. Ele prevê um melhor desempenho nos segmentos ligados ao consumo diário; nos incentivados, como o de automóveis; e nos sazonais. “Agora entramos no momento agrícola de consumo de fertilizantes, o que deve impulsionar o mercado de ráfia”, exemplifica Chammas.

    Reforço doméstico – A cadeia do plástico comparece nesta Brasilplast com uma disposição revitalizada para estimular o mercado interno, na opinião de João Luiz Zuñeda, diretor da Maxiquim Assessoria de Mercado, consultoria com forte atuação nos segmentos das commodities petroquímicas e resinas termoplásticas, entre outros assuntos do gênero. “O momento é de se ter um olhar mais detalhado para a demanda agregada brasileira”, preconiza.

    Por demanda agregada, entenda-se aquela que cresce por meio do consumo das famílias e dos investimentos, que nesta fase se dará por intermédio de programas do governo. As grandes oportunidades para aumentar o consumo de plástico são os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e de investimentos públicos e privados, como o PAC. “Podem ajudar sensivelmente em nosso futuro econômico, tanto na crise atual como nas próximas décadas”, avalia Zuñeda. O papel do governo será fundamental nos próximos dois anos, no entendimento dele.

    “O setor plástico precisará enxergar que o Bolsa Família é um programa que injetará o consumo de plástico na veia”, metaforiza o diretor da Maxiquim. Ele alude, em especial, ao forte impacto das embalagens plásticas na indústria alimentícia. O presidente do Siresp, Vítor Mallmann, concorda: “Os bens de consumo não-duráveis constituem um bom espaço para a indústria do plástico.”

    Plástico Moderno, Resinas - Setor reagiu rápido aos reflexos da crise e já arquiteta saídas para robustecer toda a cadeia

    Nas prospecções de médio e longo prazo, porém, o setor deverá olhar mais atentamente para o PAC. “O crescimento será fundamentado em oportunidades oferecidas pelo programa, por bens duráveis”, decreta Zuñeda. Partidário da mesma opinião, Chammas ainda ressalta que os investimentos no PAC conferem um duplo efeito: “Além de fazer a economia rodar e gerar emprego, as obras de infraestrutura aumentam o consumo, em um primeiro momento, e têm efeito multiplicador de riquezas, em um segundo.”



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