Mercado de Resinas plásticas: Sinais de melhores dias ainda em 2024

Ano começa com demanda frouxa e preços baixos, mas há sinais de melhores dias ainda em 2024

– Mercado de resinas plásticas: Ao menos por enquanto, não muitos profissionais dos fornecedores de resinas presentes no mercado brasileiro arriscam expressar em números suas perspectivas de negócios para o ano que se inicia. Mas, com bastante cautela e palavras muito ponderadas, a maioria deles projeta resultados ao menos ligeiramente superiores aos do difícil ano de 2023.

Não há nenhuma euforia nessas perspectivas. E existe até quem anteveja um ano muito difícil, caso de Marta Loss Drummond, analista de mercado de termoplásticos da consultoria MaxiQuim, que projeta para este ano um volume de vendas de resinas, no mercado brasileiro, apenas similar ao registrado em 2023.

“Nos últimos meses, observamos certa estagnação na maioria dos mercados demandantes e não vemos indicativos para uma melhora expressiva, pelo menos na primeira metade do ano”, justifica Marta.

No segundo semestre, ela pondera, a demanda por PVC pode ser positivamente impactada por projetos decorrentes do Marco do Saneamento; por sua vez, o mercado de alimentos seguirá relativamente estável, embora o menor índice de desemprego possa impulsionar o consumo de produtos como snacks e bebidas. “Nesses casos, aplicações como filmes flexíveis de PE e PP – stretch, shrink, BOPP e BOPE – devem apresentar bom comportamento”, ressalta.

Resinas plásticas: Sinais de melhores dias ainda em 2024 ©QD Foto: iStockPhoto
Marta: saneamento e produtos alimentícios devem avançar

“Mas é possível que o mercado de bens duráveis fique relativamente estagnado, e PP e PS utilizados em automóveis e linha branca devem sofrer um pouco”, complementa.

A especialista da MaxiQuim crê também na possibilidade de aumento do uso de resinas recicladas, desde que desfeitos alguns gargalos. “Com a oferta reduzida de sucata de qualidade, a produção de resina reciclada pode ficar comprometida, aumentando seu preço e diminuindo sua competitividade”, observa.

Mercado de resinas plásticas: Distribuidores e PET

Possibilidade de recuperação gradual, embora tímida, na demanda por resinas, é prognosticada por Laércio Gonçalves, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas e Afins (Adirplast) e CEO do Grupo activas, que projeta um primeiro trimestre difícil, com recuperação algo mais intensa na segunda metade do ano. “Chegamos ao fundo do poço no ano passado e agora a tendência é de estabilidade, ou até algum crescimento”, avalia.

Queda nas taxas de juros e o programa de redução das dívidas Desenrola Brasil, crê Gonçalves, podem estimular o consumo e o mercado de resinas. Assim, são mais favoráveis as perspectivas para resinas como o PET – incluindo sua versão reciclada – e o poliestireno, este último, apesar de alguns questionamentos sobre seu uso em descartáveis, ainda “é uma resina com relação custo/benefício muito interessante”, diz Gonçalves.

A demanda por PET deve este ano crescer perto de 5%, em relação a 2023, prevê Auri Marçon, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), em decorrência de um verão mais intenso, com a consequente expansão do consumo de água e refrigerantes embalados em PET e o crescente interesse por essa resina em virtude de seu grande potencial de reciclagem.

O PET também avança em mercados como produtos de limpeza doméstica e alimentos matinais: iogurtes, leites, achocolatados, entre outros.

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Marçon: verão mais quente faz crescer em 5% as vendas do PET

“No caso do PET-PCR, segmentos como têxtil, químico e automotivo sofrem com o desempenho fraco da economia, impactando negativamente seu consumo”, ressalva o presidente da Abipet.

Mercado de resinas plásticas: Poliolefinas

No atual contexto de queda nas taxas de juros e de desemprego, o aumento da concessão de crédito pode impactar positivamente a demanda por PP, observa Fábio da Silva Santos, diretor de Estratégia e Desenvolvimento de Negócios da Braskem.

“O PE experimentou queda de mercado em 2023 e, por isso mesmo, pode passar por uma recuperação mais acentuada”, destaca Santos, projetando para este ano “um crescimento moderado” no mercado brasileiro de resinas.

O ano, relata o diretor da Braskem, começou com boas perspectivas em diversos mercados das poliolefinas. No varejo, e também em indústrias de bens duráveis – como automóveis e eletrodomésticos –, que devem se aquecer de maneira mais nítida no segundo semestre. Na construção civil, ele prossegue, há a expectativa de impactos mais evidentes da queda da taxa Selic e de programas habitacionais, enquanto a infraestrutura dependerá da aceleração de investimentos em saneamento e de programas como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

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Santos: gargalos logísticos prejudicam as exportações

Nas atividades agrícolas, complementa Santos, “pairam sobre a continuidade da expansão de mercado as questões relacionadas ao clima e à velocidade de superação de gargalos logísticos que permitam expansão das exportações”.

O mercado de PE, especificamente, relativamente a 2023, deve este ano crescer cerca de 3% , duas vezes o crescimento do PIB, projeta Verena Abrantes, gerente de marketing para o segmento de alimentos e embalagens flexíveis da Dow na América Latina.

“Um dos fundamentos para essa projeção é o aumento do consumo das famílias, em virtude de fatores como melhoria da renda e das taxas de emprego, e queda da inflação, assim como avanços nas agendas ESG e tendências regulatórias”, justifica.

Devem evoluir mais acentuadamente, detalha Verena, os mercados de filmes para embalagens flexíveis primárias e secundárias, e também de tampas injetadas, que podem avançar entre 3,5% e 4%.

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Verena: inflação baixa e mais empregos aquecem a demanda

“O mercado de PE reciclado pós-consumo (PCR) deve crescer no patamar de dois dígitos”, ressalta.

Também se manterão bastante intensas, crê a profissional da Dow, as demandas associadas ao universo ESG, materializadas em práticas como o desenho para a reciclagem, juntamente com a demanda por resinas recicláveis e por produtos bio-based (nesse último segmento, a Dow já atua com produtos como a resina Surlyn REN, utilizada em tampas de perfume). “No médio e longo prazo, deve evoluir também a demanda por produtos provenientes da reciclagem avançada”, complementa Verena.

Poliamidas

No mercado das poliamidas, o cenário indica que este ano, “apesar de estarmos longe dos volumes observados entre 2009 e 2014, tende a se apresentar uma situação muito mais favorável à experimentada nesses últimos três anos”, avalia Gentil Boscolo, gerente sênior de Plástico de Engenharia na Basf.

Para respaldar essa projeção, ele recorre especialmente às perspectivas de expansão na produção de automóveis – grandes usuários de PA 6 e PA 6.6 – que podem, porém, não serem integralmente concretizadas caso um aumento mais expressivo nos custos das matérias-primas, ou a maior elevação do custo do dólar, torne ainda mais caros os veículos. Mas a continuidade da trajetória de queda das taxas de juros, ressalta Boscolo, deve contribuir para ampliar o acesso ao financiamento de automóveis.

Fora do setor automobilístico, prossegue o profissional da Basf, investimentos em infraestrutura através do PAC poderão contribuir para a evolução dos negócios em alguns segmentos.

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Boscolo: infraestrutura deve receber mais investimentos

“Por exemplo, em distribuição de energia, sistema ferroviário, construção civil”, especifica.

Diretor comercial da Radici Plastics, Ricardo Marconatto endossa essa percepção da queda das taxas de juros e da possibilidade de mais obras de infraestrutura como estímulos favoráveis à demanda por poliamidas. Mas também deve impulsionar essa demanda a contínua evolução do agronegócio, que emprega essa família de resinas em peças e componentes de máquinas e equipamentos.

“Estamos olhando com atenção os segmentos de infraestrutura e agro; os segmentos automotivos e construção civil tendem a apresentar maiores flutuações este ano, impactando de forma mais sensível toda a cadeia produtiva consumidora de resinas”, detalha Marconatto.

Considerada em seu todo, a demanda nacional por poliamidas deve se manter relativamente estável no decorrer deste ano, afirma Marconatto.

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Marconatto: tendência é de recuperar preço de poliamidas

“Como acontece há alguns anos, não deve crescer nem cair muito, podendo haver uma pequena variação positiva ou negativa. Nós cresceremos por ganho de market share”, afirma o profissional da Radici, cujo principal mercado é a indústria automobilística, seguido pelos setores de linha branca, eletroeletrônicos, construção civil e embalagens.

A UBE tem como principal cliente de suas poliamidas a produção de filmes flexíveis: aplicação que, de acordo com Edgar Veloso, supervisor de vendas para América do Sul, no ano passado reduziu sua demanda pela resina em cerca de 30% (relativamente a 2022). Essa queda, ele explica, deve-se principalmente ao processo de adequação das marcas às diretrizes e certificações internacionais de reciclagem.

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Veloso: filmes para embalagem podem usar mais poliamidas

“Nossos estudos já mostravam que se pode reciclar normalmente na cadeia do polietileno filmes com até 15% de poliamida, mas temos conhecimentos de outros estudos que mostram que esse índice pode chegar até a 30%. E estruturas anteriores superavam esse índice”, diz Veloso.

Desde meados do ano passado, ele ressalta, surgiram sinais de retomada da demanda por poliamidas para filmes flexíveis. “Acho que este ano a demanda para essa aplicação deve se estabilizar nos atuais patamares, ou até crescer, pois esses índices de 30% já estão sendo aplicados às diretrizes da reciclagem. Estudos mostram que eliminar o uso de poliamidas em embalagens flexíveis significa aumentar a emissão de CO2”, diz.

O volume de PA 6 para compostos, destaca Veloso, cresceu cerca de 7% em 2023, relativamente ao ano anterior, passando de 15 mil para 16 mil toneladas. “Acredito que nos próximos anos deve se manter esse ritmo de crescimento até porque, com o avanço da eletrificação de veículos, a indústria da mobilidade deve demandar cada dia mais plásticos de engenharia como substitutos de metais”, acrescenta.

Poliestireno

Estabilidade no mercado da linha branca e algum crescimento com os descartáveis (copos, talheres e pratos, entre outros): essas são as perspectivas de Marcelo Natal, diretor executivo comercial de químicos da Unigel, para a evolução da demanda por poliestireno no decorrer deste ano (particularizada para os dois maiores mercados dessa resina).

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Natal: as margens na cadeia petroquímica seguem apertadas

“Estamos observando investimentos na expansão da capacidade de clientes, especialmente no segmento dos descartáveis”, ressalta.

Natal associa essa maior demanda por descartáveis ao maior interesse das pessoas por festas e eventos no período pós-pandemia. “Apesar do movimento para restringir o uso desses produtos, parece que ainda não se consolidou nenhum concorrente viável para o poliestireno em quesitos como custo e desempenho”, pondera. “Já no ano passado registramos crescimento entre 1% e 2% na demanda por PS, relativamente a 2022, que havia sido um bom ano”, relata o diretor da Unigel.

Agora, ele crê que a queda nas taxas de juros pode dar algum alento para o consumo de bens duráveis que utilizam PS (refrigeradores, principalmente). “E melhorias nas taxas de emprego e de renda podem influir no consumo de produtos como iogurtes, que utilizam a resina nas embalagens”, complementa.

Fábio Meireles, gerente comercial de poliestireno da Innova, crê que este ano o mercado nacional de PS deve crescer “em linha” com a evolução do PIB do país.

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Meireles: juros caem e ajudam linha branca a vender mais

“Na medida em que a taxa de juros se reduza nos próximos meses, o mercado da linha branca deverá ter melhor desempenho. Outros segmentos importantes, como descartáveis e embalagens, devem manter o desempenho de 2023”, especifica.

No ano passado, relata Meireles, a demanda por PS foi negativamente impactada nos mercados de eletroeletrônicos e linha branca pelos juros elevados dos primeiros meses do ano; com o início do movimento de queda nessas taxas, surgiram sinais de uma “recuperação importante”, impulsionada por datas como Black Friday e Natal; nos demais segmentos de mercado, a demanda deve ter sido similar à de 2022.

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ABS, ASA, SAN

Disponibilizando no Brasil resinas de ABS, ASA e SAN, a Ineos projeta crescimento no mercado nacional no decorrer deste ano, informa Fabio Bordin, diretor da empresa para a América do Sul. A começar por registrar uma acelerada recuperação de share, que havia sido prejudicado por problemas de indisponibilidade de produtos em 2022. Depois, por fortalecer sua presença nas Américas pela ampliação da oferta derivada da inauguração de uma planta de produção de ASA construída no Texas (EUA), em fase inicial de operação, que permitirá o aumento da produção de ABS no México (onde hoje se produz também ASA, algo que deixará de ocorrer quando estiver em plena operação a planta do Texas).

Fatores como queda das taxas de juros e regularização do balanço estoque/demanda, prossegue Bordin, também podem estimular as vendas em mercados como eletrodomésticos de linha branca e os chamados small appliances (eletroportáteis, como liquidificadores e mixers, entre outros).

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Bordin: fábrica nova no Texas reforçou posição em ABS e ASA

“Não deverá haver nenhum boom, mas temos uma expectativa de crescimento”, projeta. “Também gerará mais negócios o setor automobilístico, principalmente pelo início de novos projetos que devem alavancar as vendas de ASA, ABS high heat e ABS para cromação”, acrescenta o profissional da Ineos.

Um cenário de “estabilidade, ou um crescimento moderado” é visualizado por Felipe Marinho, gerente de marketing e vendas da Toray, empresa que no Brasil também fornece ABS, ASA, SAN, além de PA 6 e PA 6.6, PBT e PPS, entre outras resinas. “Há uma expectativa de melhoras no segmento automotivo, algumas montadoras sinalizam essa previsão”, ressalta.

Incentivos governamentais podem impactar positivamente setores como indústria automotiva e construção civil.

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Marinho espera a retomada de projetos do setor automotivo

“Mas a ausência de medidas adequadas pode dificultar a realização de negócios, especialmente em segmentos mais dependentes de estímulos externos”, observa o profissional da Toray.

Mercado de resinas plásticas: Desempenho em 2023

Em 2023, a demanda global por resinas cresceu cerca de 2,8%, relativamente a 2022, estima Thais Matsuda, analista de Mercados Químicos da consultoria ICIS na América Latina. Crescimento, sustentado por modestos crescimentos econômicos e populacionais; mas ao mesmo tempo inibido por taxas de juros e custos produtivos altos, além de incertezas políticas e geopolíticas.

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Thaís: no ano passado, consumo global de resinas cresceu 2,8%

“Grandes mercados consumidores como Estados Unidos, Europa e, principalmente, China não contribuíram para uma expansão mais relevante da demanda”, observa Thaís.

No mercado brasileiro, o consumo aparente de resinas deve ter sido no ano passado cerca de 9% inferior ao de 2022, estima Marta Drummond, da MaxiQuim (considerando as poliolefinas e o PVC). “Polietileno foi uma das resinas mais afetadas, enquanto PP apresentou relativa estabilidade e PVC apresentou melhor desempenho”, detalha.

Os associados da Adirplast colocaram no mercado em 2023 volume de produtos cerca de 13% superior ao do ano anterior (considerando também filmes biorientados). As resinas commodities avançaram 16%, e nos plásticos de engenharia o crescimento atingiu 15,7%. “Mas é preciso considerar que a importação cresceu muito, e temos vários associados que trabalham com resinas importadas”, pondera Gonçalves. “Muitos distribuidores também incorporaram novos produtos aos seus portfólios: caso da activas, que teve um ano bom, crescendo cerca de 10%”, acrescenta Gonçalves.

Por sua vez, o consumo de resina PET deve ter crescido cerca de 3% no ano passado, aponta Marçon da Abipet. “Considerando a evolução econômica no mesmo período, essa pode ser considerada uma boa performance”, avalia. “Importante lembrar que o setor vem de um período de crescimento acentuado; só para se ter uma ideia, de 2018 até 2022, o consumo brasileiro de resina PET virgem teve crescimento de 21%.”

Santos, da Braskem, informa que em 2023 o mercado de PP cresceu 4,4%, enquanto no PE houve queda de 1,5%. Para ele, se quedas nas taxas de juro e de desemprego podem alavancar a demanda por resinas, há também fatores capazes de causar alguma preocupação. “Pairam dúvidas, por exemplo, sobre o investimento público, que pode desacelerar em função da necessidade de controle do resultado primário. Vale mencionar também a instabilidade do cenário geopolítico global, que pode afetar fluxos comerciais e a demanda global”, argumenta Santos.

Comércio exterior e preços

Com o crescimento acentuado das importações, o déficit da balança comercial brasileira de resinas expandiu-se acentuadamente em 2023: passou, detalha Marta, de aproximadamente 805 mil t em 2022, para 1,4 milhão de t no ano passado, quando foram importadas 2,3 milhões de t e exportadas 923 mil t (considerando PE, PP, PVC, PET e PS). “O Brasil costuma apresentar esse comportamento deficitário, que deve seguir este ano, ainda mais se seguirem inaugurando unidades produtivas, principalmente de polietilenos e polipropileno, em mercados fornecedores como a Ásia, especialmente a China”, pondera Marta.

Para ela, em virtude da necessidade de ganho de margem das petroquímicas locais, os preços das resinas devem sofrer pressões de aumento nos próximos meses, pois, assim como outros segmentos da indústria química, os produtores locais de resinas estão sofrendo com a entrada de materiais oriundos da China, com preço muito inferior ao local, e com boa qualidade. “Já observamos empresas de transformação se interessando e pesquisando preços nessas fontes, diminuindo a compra de produtores locais”, relata.

Marinho, da Toray, também projeta alguma elevação nos preços das resinas no decorrer deste ano: “Principalmente do ABS, que recentemente registrou a maior redução de preço”, especifica. Mas, para Bordin, da Ineos, mesmo após um período de estabilidade em patamares baixos dos preços das resinas estirênicas, caso do ABS, ao menos em um futuro imediato não há perspectiva de sua elevação, existindo inclusive uma pressão de baixa pela entrada de novas capacidades de produção na Asia. “Se a demanda não se aquecer, os preços devem permanecer em patamares reduzidos”, observa.

Os preços das poliamidas, diz Marconatto, da Radici, podem ter “uma pequena correção”, até porque atingiram no ano passado valores muito baixos, em alguns momentos até inferiores aos da caprolactama (insumo para a PA 6). “Ao longo do ano, esses preços caíram aproximadamente 15%, relativamente a 2022. Deve haver alguma recuperação em 2024, talvez não de toda essa queda”, diz.

Decorrente da elevação dos preços de suas matérias-primas, o movimento de aumento dos preços dos plásticos de engenharia, ressalta Boscolo, já teve início no final de 2023; e deve manifestar-se ainda este ano em algumas “ondas de aumento”, sobretudo se forem confirmadas as expectativas de crescimento da demanda.

A Basf registrou em 2023 ligeira alta nos negócios realizados com a indústria automobilística, mas apresentou queda em mercados com menores participações em seu portifólio. “Por exemplo, nos cabos de fibra óptica, nos quais temos materiais homologados, e ao longo de 2023 identificamos a presença de importados em substituição a cabos produzidos localmente por nossos clientes”, especifica Boscolo.

Meireles, da Inova, vê perspectiva de estabilidade nos preços “com pequeno viés de alta, ainda que tudo possa mudar ao longo dos próximos meses”. E Natal, da Unigel, avalia como “muito ajustadas” as margens hoje existentes entre os preços das resinas e de suas matérias-primas (no caso do PS, benzeno e eteno). “Em todo o mundo, as petroquímicas estão com as margens absolutamente comprometidas, até porque há sobreoferta de produtos, especialmente da China. A tendência é que o preço do PS fique estável, ou até aumente um pouco”, diz. “O único jeito de cair o preço seria uma queda no preço da nafta, mas não se prevê isso, na verdade, o preço do petróleo pode até subir”, finaliza o diretor da Unigel.

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