Plástico

Resinas – Petroquímica – Incorporações redesenham a indústria

Plastico Moderno
6 de abril de 2007
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    Projetos no papel – Antes da mega aquisição, uma série de projetos estavam em curso no Pólo de Triunfo. A Copesul projetava, por exemplo, a montagem de um complexo de elastômeros avaliado em aproximadamente US$ 700 milhões, dos quais US$ 150 milhões seriam destinados à construção de duas plantas, uma de butadieno, estimada em US$ 80 milhões, e outra de US$ 70 milhões para a obtenção de isopreno até 2015. A princípio, esses estudos devem ser mantidos.

    O Brasil gera 108 mil toneladas de butadieno. A metade disso é consumida pela DSM e pela unidade da Petroflex no Estado, sendo proveniente da planta atual da Copesul. Além disso, a segunda geração da borracha no País comprou 40 mil toneladas da Petrobrás Energia, na Argentina (Pesa) e mais 10 mil toneladas da União Européia.
    O projeto da Copesul prevê ainda US$ 550 milhões para a construção de unidades de segunda geração para que Triunfo passe a ofertar mais 30 mil toneladas de borracha termoplástica (TR), 100 mil toneladas de polibutadieno, NBR, SBR, negro-de-fumo, entre outros produtos. Como não existe negro-de-fumo no arranjo produtivo local, a intenção é atrair um dos players em atividade no País especializados no pigmento preto, a Cabot, a Columbian ou a Degussa.

    A avaliação da diretoria da Copesul para projetar a nova matriz direcionada aos elastômeros está vinculada ao retorno da Petrobrás aos negócios com petroquímica de maneira mais contundente. Com isso, consideram que, a longo prazo, os negócios com eteno e propeno se tornarão menos atrativos às empresas menores, que perderão competitividade diante do poderio da estatal.

    Com base em documentos produzidos por consultorias especializadas na elaboração de cenários para o setor, a Copesul se preocupa com os novos investimentos anunciados pela Petrobrás, como o da Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais. Até 2011, ela deverá produzir 105 mil toneladas de propeno por ano, para permitir a obtenção de 160 mil toneladas de ácido acrílico bruto, 95 mil toneladas de ésteres acrílicos para resinas usadas em papel, ceras, tintas e adesivos e 100 mil toneladas de ácido acrílico glacial, usado na obtenção de polímeros superabsorventes com uso em material de higiene. O investimento total é de US$ 500 milhões, com geração de 4 mil empregos diretos durante a construção e outros 300 permanentes direcionados à operação das plantas.

    O outro projeto de vulto da estatal é voltado à obtenção de ácido tereftálico purificado (PTA) no Comperj, do Rio de Janeiro, com produção prevista de 1,3 milhão de t/ano de eteno, 800 mil t/ano de propeno, 600 mil t/ano de benzeno e 700 mil t/ano de paraxileno, apenas de insumos básicos. Com eles, pretende-se fabricar 500 mil t/ano de estireno, 600 mil t/ano de etilenoglicol, 800 mil t/ano de polietilenos, 850 mil t/ano de polipropileno e até 600 mil t/ano de resina PET, em parceria com a Mossi & Ghisolfi.
    A Refinaria Henrique Lage (Revap) e a Refinaria do Planalto Paulista (Replan) estarão igualmente ofertando propeno ao mercado. A Copesul tem de contabilizar ainda as 150 mil toneladas de propeno que a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) irá injetar a cada ano na petroquímica gaúcha. A planta já opera em carga de teste e deverá produzir em escala até o fim de 2007.

    Em janeiro, antes da venda, o diretor-comercial e de relações com os investidores da Copesul, Bruno Albuquerque Piovesan, lembrou ainda que no âmbito internacional existem dois megaprojetos petroquímicos, um no Irã e outro na Arábia Saudita, para a colocação de 17 milhões de toneladas de resinas no mercado, embora o projeto inicialmente vise atender a China. “Sempre sobra alguma coisa para vender em outros mercados, mas a previsão de partida dos crackers está atrasada em relação à previsão inicial de operação para 2010”, analisa Piovesan.

    “O mercado internacional está assim. A petroquímica abastece a China, que transforma as resinas em manufaturados, e despeja quase toda a produção nos Estados Unidos. Como medida compensatória, o governo chinês compra os títulos da dívida pública norte-americana”, desabafa o executivo da Copesul. Porém, com o aumento da participação da Petrobrás na central gaúcha, novos projetos poderão ser anunciados e outros, sepultados.

    Curto prazo – Antes da compra pela Braskem e Petrobrás, as ambições da Copesul no curto prazo eram conservadoras, sem projetos de vulto no horizonte. Para 2007, está confirmada a partida da planta de ETBE (etil térciobutil-éter, com produção anual de 180 mil toneladas). Neste ano, graças a inovações e melhorias nas plantas, os fornos da companhia produziram 1,2 milhão de toneladas de eteno, contra 1,135 milhão de 2005.

    Com as próximas paradas até 2010, as duas unidades deverão chegar a 1,4 milhão de t/ano de eteno. A quantidade de propeno subirá de 600 mil para 800 mil toneladas. No entanto, os novos sócios querem acelerar o desgargalamento da planta e acenam com a compra de novos fornos como forma de aumentar a produtividade. É bem possível que iniciativas mais ousadas sejam detalhadas no decorrer do ano. Como a Refinaria Alberto Pasqualini, em Canoas, até o fim do ano estará bombeando 150 mil toneladas/ano do petroquímico básico para processar polipropileno, a produção de PP em Triunfo poderá chegar a 930 mil toneladas nos próximos dois anos, um incremento de 100 mil toneladas.

     

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