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Resinas – Petroquímica – Incorporações redesenham a indústria

Plastico Moderno
6 de abril de 2007
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    A formatação definitiva da operação contou com a assessoria da Estater, empresa especializada em intermediar compras e vendas entre megacorporações. Coube à intermediária procurar o staff do extinto grupo gaúcho para fazer a oferta definitiva. Pela proposta, a Petrobrás colocará US$ 1,3 bilhão no negócio, a Braskem outros US$ 1,1 bilhão e o Grupo Ultra, US$ 1,6 bilhão. Mas coube ao Ultra fazer a compra em bloco das 52,3 milhões de ações da Ipiranga, controladas pelas famílias detentoras do grupo gaúcho, em regime de comissão.

    Segundo André Assunção, da Estater, essa foi a forma encontrada para viabilizar o negócio, pois seria impossível cada empresa comprar a parte do bolo que lhe interessava. “O Grupo Ipiranga era muito complexo. Todas as empresas mantinham participação nas outras. Por exemplo, a refinaria de Rio Grande, que dava prejuízo operacional apresentou lucro por sua participação acionária no braço petroquímico”, explicou Assunção. “O Ultra comprou a sua quota e em nome dos outros adquiriu os ativos para a Braskem e a Petrobrás”, esclareceu.

    A operação será concluída em cinco etapas: 1) A Ultrapar (Ultra Participações) adquire as ações dos controladores; 2) A Ultrapar realizará ofertas públicas de compra das ações ordinárias remanescentes de todas as empresas do Grupo Ipiranga; 3) Realização de oferta pública por Braskem e Petrobrás para fechamento do capital da Copesul; 4) A Ultrapar incorporará as ações preferenciais da Ipiranga, trocando-as por suas próprias ações preferenciais, com alguma relação de conversão; 5) A Ultrapar alienará para Petrobrás e Braskem os ativos pertinentes a esses grupos.

    Até o fim de 2007, o processo deverá ser concluído, dando à Petrobrás a propriedade da rede de distribuição de combustíveis e derivados do Centro-Oeste, Norte e Nordeste, mais os postos de gasolina dessas regiões. Além disso, ficará com 40% do controle acionário da Copesul.

    À Braskem caberá 60% dos ativos petroquímicos em poder do grupo Ipiranga. Com isso, passará a deter 66% do capital votante da Copesul e 60% da IPQ. Ficará também com o comando da Ipiranga Comercial Química, a maior distribuidora de produtos químicos do País, que passará a comercializar também as resinas termoplásticas e solventes da Braskem.

    O Grupo Ultra irá dominar a rede de postos de gasolina do Sul e Sudeste, além da rede de distribuição de combustíveis e derivados das duas regiões, o equivalente a 15% desse mercado. Dentro de cinco anos, os postos de bandeira Ipiranga adquiridos pela Petrobrás ganharão a bandeira da BR Distribuidora, para que o Ultra fique detentor exclusivo da marca Ipiranga. A RPI (Refinaria de Petróleo Ipiranga), inaugurada em 1937, longe da escala mínima mundial, atualmente produzindo nafta petroquímica, será repartida fraternalmente entre os três compradores. O futuro da unidade está indefinido, mas em sua área está instalado um dos mais importantes laboratórios nacionais para controle de qualidade de combustíveis, estudos de emissão de poluentes e desenvolvimento de lubrificantes, a Isatec.

    O presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, justificou a decisão da estatal em participar da compra da Ipiranga. O objetivo é aumentar significativamente a atuação da estatal na economia gaúcha. Atualmente a empresa é controladora da Refinaria Alberto Pasqualini, da Liquigás, da fabricante integrada de estireno e poliestireno Innova e da Petroquímica Triunfo, além de posição minoritária na Copesul (15,63%).

    No entendimento de Gabrielli, haverá espaço para grandes investimentos na expansão do pólo de Triunfo. Além disso, enfatizou, a Petrobrás irá dominar 38% da distribuição de combustíveis no Centro-Oeste, Norte e Nordeste, onde antes respondia por 34%. Com esses novos ativos, um dos objetivos da estatal é criar sinergia para montar a logística necessária à chegada de biocombustíveis nessas regiões mais distantes dos centros produtores.

    O presidente do Grupo Ultra, Pedro Wongtschowski, ressaltou os 70 anos de tradição do grupo no mercado de distribuição de gás (GLP) com crescimento de 26% nos últimos anos. Para ele, a compra da área de distribuição de derivados de petróleo da Ipiranga para as regiões Sul e Sudeste, com os postos da bandeira, complementa a vocação do grupo como distribuidor de derivados de petróleo. “Os acionistas minoritários da Ipiranga não se arrependerão dos negócios que farão conosco”, garantiu Wongtschowski.

    O presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, adiantou que a Braskem irá expandir a capacidade produtiva de resinas termoplásticas em 250 mil toneladas/ano. (150 mil de polipropileno e 100 mil de polietilenos). Ao todo, o pólo petroquímico de Triunfo receberá investimentos de R$ 780 milhões até 2009. No entanto, a construção de uma nova planta de polipropileno, anunciada pela Ipiranga antes de ser vendida, está suspensa. Segundo Grubisich, estudo realizado demonstra a possibilidade de aumentar a produção da Braskem pela melhoria do desempenho e sinergia das plantas atuais e a adquirida de PP. “Com o negócio nos tornamos uma das maiores corporações petroquímicas do mundo e chegaremos até o fim da década entre as dez principais no mercado global”, aposta Grubisich.



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