Plástico

Resinas – Petroquímica – Incorporações redesenham a indústria

Plastico Moderno
6 de abril de 2007
    -(reset)+

    A terceira possibilidade em discussão entre os principais players é inercial, o “como está fica”. Embora alguns entendam essa alternativa como suicida, pela concorrência com um gigante integrado como a Braskem e com as importações que serão impulsionadas pelos projetos em construção no Oriente Médio apoiados no gás natural barato, a alternativa não pode ser descartada sem correta avaliação. Seus defensores alegam que a concorrência com a Braskem tem a proteção da geografia econômica do País e pela dependência desta de cargas líquidas, principalmente a nafta, que tende a ficar muito cara nos próximos anos. A região Sudeste concentra cerca de 70% da demanda por resinas termoplásticas no Brasil e abastecê-la a partir de Camaçari-BA implica um custo logístico estimado entre R$ 60 e R$ 70 por tonelada. Contra as importações há a dificuldade de encontrar contratipos idênticos aos grades consumidos por aqui, sem falar nas variações cambiais, problemas de transporte e desembaraço aduaneiro. Nesse caso, cabe lembrar que a Braskem está construindo em Paulínia-SP uma fábrica de polipropileno com gases de refino e que os custos de transporte do Sul para São Paulo são menores que os da Bahia. Além disso, nota-se a tendência a desconcentrar a transformação de plásticos.

    A despeito do risco de isolamento e obsolescência, essa alternativa tem a vantagem de evitar confrontos entre acionistas da central paulista e dispensar maiores desembolsos na reestruturação.

    A chave para a tomada de decisão será a posição da Petrobrás como promotora da reestruturação. A estatal, pelas declarações públicas de seus principais dirigentes, parece inclinada a estimular a formação da Petroquímica Sudeste, mas as fichas ainda não foram colocadas sobre a mesa. A estatal precisa definir também qual é o papel que pretende desempenhar no cenário petroquímico nacional.

    Desde a década de 70, na implantação dessa indústria no País, até o início dos anos 90, a estatal do petróleo foi o agente setorial preponderante. Com a onda da privatização iniciada no governo Collor de Mello, ela praticamente se retirou da atividade, tornando-se acionista minoritária nas centrais e comportando-se mais como fornecedora de nafta e óleo combustível. Coincidentemente, iniciou-se um período de pouquíssimos investimentos e baixa rentabilidade. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, a estatal informou que pretendia ser um acionista relevante na petroquímica, sem almejar posição de controle nos empreendimentos. Também por coincidência, alguns projetos foram finalmente ativados, em especial usando fluxos residuais de refino. Desde o primeiro governo Lula, porém, essa diretriz ficou menos clara. A começar pela longa e difícil decisão de aumentar a participação estatal no capital da Braskem, ao final recusada por esta, alegadamente por discordância no valor dos ativos oferecidos em pagamento.

    A aplicação de US$ 1,3 bilhão na compra da Ipiranga, explicada como prevenção contra a entrada de concorrentes mundiais no mercado, não estava prevista nos planos estratégicos da estatal. Aliás, os investimentos previstos em petroquímica no plano 2007 a 2011 somavam apenas US$ 3,3 bilhões (ver QD-453, pág. 36), uma fração modesta, por exemplo, do lucro registrado em 2006, que ficou próximo de US$ 26 bilhões. A autorização para o negócio exigiu a convocação extraordinária do Conselho de Administração, que o aprovou.

    Enquanto isso, a companhia necessita ampliar seus investimentos em exploração e produção de petróleo para garantir a auto-suficiência alcançada no ano passado. Especialistas afirmam que a rentabilidade dos negócios com o petróleo é muito superior à obtida com a petroquímica, mesmo nos melhores anos desta. Por isso, pode ser difícil explicar a alocação de mais recursos para a atividade. Melhor, para esses especialistas, seria que a estatal se concentrasse no seu core business e assumisse participação minoritária em petroquímicas, para capturar alguma agregação de valor a seus subprodutos.

    A reorganização petroquímica é vista como saudável desde que represente a possibilidade de ampliar a capacidade produtiva. A demanda por resinas e outros produtos cresce três vezes mais que o PIB. Sem investimentos adequados há o risco de ampliar as importações, geralmente feitas na forma de produtos transformados. O resultado dessa projeção seria desastroso: aumento do déficit comercial e do desemprego.

    Aos fatos – O Hotel Plaza São Rafael, um dos mais requintados de Porto Alegre-RS, serviu de cenário em 19 de março para o detalhamento do processo de venda das empresas Ipiranga para o consórcio formado pela Petrobrás e os grupos Braskem e Ultra. A maior transação para a compra de um grupo nacional por corporações igualmente brasileiras, num montante de US$ 4 bilhões, resulta de negociações iniciadas há oito meses, mas o formato definitivo do acordo ficou pronto em dezembro de 2006, segundo informou à Química e Derivados, um importante executivo de uma das organizações envolvidas na transação.

    Pelo valor bilionário foram adquiridos 4.240 postos de abastecimento e alguns centros de distribuição de combustíveis espalhados por todo o País, uma unidade petroquímica de segunda geração capacitada para processar 730 mil t/ano de resinas (polietilenos e polipropileno), a participação de 33% da Ipiranga no capital votante da Companhia Petroquímica do Sul (Copesul), e uma pequena refinaria de petróleo para 17 mil barris por dia, localizada na cidade de Rio Grande. Em 2006, a receita líquida consolidada do Grupo Ipiranga totalizou R$ 30 bilhões, com lucro líquido de R$ 534 milhões.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *