Resinas – Petroquímica – Incorporações redesenham a indústria

* Texto de Marcelo Fairbanks e Fernando Cibelli de Castro (RS)

Um vento forte entrou pelo Rio Grande do Sul a varrer a petroquímica nacional. A compra dos ativos e operações do Grupo Ipiranga por Petrobrás, Braskem e Grupo Ultra desencadeou uma série de conversações entre os vários interessados na atividade petroquímica brasileira, tendo por objetivo engendrar novo panorama de negócios. No meio desse “furacão”, muitas informações circulam com velocidade, mas ainda sobram especulações enquanto rareiam os fatos.

De concreto, a aquisição consolida a posição da Braskem como principal player petroquímico do Hemisfério Sul, com o controle de duas das três centrais petroquímicas brasileiras e de seus downstreams. É a pá de cal no fragmentado modelo tripartite (governo, iniciativa privada e sócio estrangeiro), criado na década de 70, e a consagração do modelo integrado, com as vantagens da verticalização. A negociação ainda depende da aprovação de órgãos oficiais, mas não se esperam problemas.

Plástico Moderno, Resinas - Petroquímica - Incorporações redesenham a indústria
Grubisich (esq.) Gabrielli (centro) e Wongtschowski celebram acordo

A alegação mais forte dos compradores, pelo menos na área de resinas termoplásticas, é a existência de concorrentes de porte, como a Rio Polímeros e a Suzano Petroquímica, além das importações de polietilenos argentinos (Dow).

As especulações têm por alvo os efeitos futuros do domínio baiano e gaúcho da Braskem e o papel a ser desenvolvido pela poderosa Petrobrás no setor, sempre a invocar o fantasma da estatização, que se supunha exorcizado. Desatado o nó baiano e, agora, o gaúcho das participações acionárias cruzadas na primeira e segunda geração, chegou a vez de simplificar o complexo quadro de players na petroquímica paulista, a mais antiga do País. Discute-se qual o perfil ideal para a atividade, mais ou menos concentrado.

Há três correntes principais em avaliação. A primeira seria elevar ao máximo a integração petroquímica, unindo todos os esforços, em especial nas principais commodities termoplásticas, em uma única companhia, que teria amplo destaque no cenário mundial. Ao que se comenta, essa idéia pode ser vista como natimorta. No passado recente, o governo federal encomendou estudos de consultores empresariais que foram enfaticamente contrários à formação de monopólios privados. Resta saber se um monopólio estatal seria tolerável.

A segunda hipótese, de ampla aceitação, contempla a formação de um duopólio concorrencial. Nesse caso, Sul e Nordeste já estão consolidados na Braskem, sendo necessário formar a sua antípoda com base nos ativos paulistas e fluminenses, nos quais os principais atores são os grupos Unipar e Suzano, além da onipresente Petrobrás. Seria a “Petroquímica Sudeste”, denominação corrente desse ente hipotético. Aqui a dificuldade maior é a acomodação de todos os interesses envolvidos. A Petroquímica União, central de matérias-primas de Santo André-SP, tem por principal acionista a Unipar, mas o controle é compartilhado com a Dow Química, Petrobrás e Suzano, com posições relevantes em poder da Oxiteno, Unigel e da Sociedade dos Empregados da Petroquímica (SEP). A composição acionária da segunda geração é menos complexa, sem cruzamentos, porém sem integração. Na Rio Polímeros, a situação é mais fácil, bastando colocar na mesma sala Suzano, Unipar e Petrobrás/BNDES, que operam conjuntamente o cracker de etano de gás natural e a produtora de polietilenos.
Além de definir qual a abrangência dessa Petroquímica Sudeste, ainda há a dificuldade de avaliar todos os ativos, alguns deles depreciados ao longo de três décadas de operação e abaixo da escala mundial. Também é preciso criar um ambiente de confiança mútua e identidade de propósitos, muito difícil de ser alcançado a curto prazo. Paulo Roberto Costa, diretor de abastecimento da Petrobrás, declarou publicamente que o modelo e os sócios dessa companhia seriam definidos em seis meses (até setembro, portanto), prazo considerado impraticável até mesmo por interessados mais afoitos.

Nessa hipótese, a atuação da Petrobrás será, com certeza, determinante. A aquisição gaúcha contou com aporte de US$ 1,3 bilhão da estatal, em troca da rede de postos de abastecimento nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte do País, longe de ser o filé mignon da Ipiranga, que ficou com o Grupo Ultra. A estatal ganhou maior participação na Copesul, na qual terá perto de 40% do capital votante. Também terá 40% da produtora de resinas denominada Ipiranga Petroquímica. Os players do Sudeste esperam atitude também benevolente por parte da estatal. Ao mesmo tempo, temem que ela simplesmente opte por intensificar suas relações com a Braskem, da qual já possui 9,81% do capital votante, desinteressando-se dos negócios do Sudeste, que correriam o risco de ficar à míngua, sem adicionais de nafta ou gases de refino para ampliações.

Essa posição é reforçada pela existência de um projeto de refinaria petroquímica e downstreams, com base nos óleos pesados extraídos na Bacia de Campos, hoje vendidos ao exterior com preço muito abaixo da cotação do Brent. Chamado Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), o projeto tem por sócios Petrobrás, BNDES e Ultra, e um custo total estimado em US$ 8,3 bilhões. Comenta-se no mercado que a estatal teria interesse em colocar o Comperj no âmbito da Petroquímica Sudeste, repartindo o investimento e seus riscos com um número maior de sócios. Ocorre que, para estes, seria mais interessante que a tal refinaria (descrita sumariamente como um mega FCC) ficasse com a Petrobrás, apenas. Os demais sócios assumiriam os investimentos na segunda geração, estimados entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões.

A terceira possibilidade em discussão entre os principais players é inercial, o “como está fica”. Embora alguns entendam essa alternativa como suicida, pela concorrência com um gigante integrado como a Braskem e com as importações que serão impulsionadas pelos projetos em construção no Oriente Médio apoiados no gás natural barato, a alternativa não pode ser descartada sem correta avaliação. Seus defensores alegam que a concorrência com a Braskem tem a proteção da geografia econômica do País e pela dependência desta de cargas líquidas, principalmente a nafta, que tende a ficar muito cara nos próximos anos. A região Sudeste concentra cerca de 70% da demanda por resinas termoplásticas no Brasil e abastecê-la a partir de Camaçari-BA implica um custo logístico estimado entre R$ 60 e R$ 70 por tonelada. Contra as importações há a dificuldade de encontrar contratipos idênticos aos grades consumidos por aqui, sem falar nas variações cambiais, problemas de transporte e desembaraço aduaneiro. Nesse caso, cabe lembrar que a Braskem está construindo em Paulínia-SP uma fábrica de polipropileno com gases de refino e que os custos de transporte do Sul para São Paulo são menores que os da Bahia. Além disso, nota-se a tendência a desconcentrar a transformação de plásticos.

A despeito do risco de isolamento e obsolescência, essa alternativa tem a vantagem de evitar confrontos entre acionistas da central paulista e dispensar maiores desembolsos na reestruturação.

A chave para a tomada de decisão será a posição da Petrobrás como promotora da reestruturação. A estatal, pelas declarações públicas de seus principais dirigentes, parece inclinada a estimular a formação da Petroquímica Sudeste, mas as fichas ainda não foram colocadas sobre a mesa. A estatal precisa definir também qual é o papel que pretende desempenhar no cenário petroquímico nacional.

Desde a década de 70, na implantação dessa indústria no País, até o início dos anos 90, a estatal do petróleo foi o agente setorial preponderante. Com a onda da privatização iniciada no governo Collor de Mello, ela praticamente se retirou da atividade, tornando-se acionista minoritária nas centrais e comportando-se mais como fornecedora de nafta e óleo combustível. Coincidentemente, iniciou-se um período de pouquíssimos investimentos e baixa rentabilidade. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, a estatal informou que pretendia ser um acionista relevante na petroquímica, sem almejar posição de controle nos empreendimentos. Também por coincidência, alguns projetos foram finalmente ativados, em especial usando fluxos residuais de refino. Desde o primeiro governo Lula, porém, essa diretriz ficou menos clara. A começar pela longa e difícil decisão de aumentar a participação estatal no capital da Braskem, ao final recusada por esta, alegadamente por discordância no valor dos ativos oferecidos em pagamento.

A aplicação de US$ 1,3 bilhão na compra da Ipiranga, explicada como prevenção contra a entrada de concorrentes mundiais no mercado, não estava prevista nos planos estratégicos da estatal. Aliás, os investimentos previstos em petroquímica no plano 2007 a 2011 somavam apenas US$ 3,3 bilhões (ver QD-453, pág. 36), uma fração modesta, por exemplo, do lucro registrado em 2006, que ficou próximo de US$ 26 bilhões. A autorização para o negócio exigiu a convocação extraordinária do Conselho de Administração, que o aprovou.

Enquanto isso, a companhia necessita ampliar seus investimentos em exploração e produção de petróleo para garantir a auto-suficiência alcançada no ano passado. Especialistas afirmam que a rentabilidade dos negócios com o petróleo é muito superior à obtida com a petroquímica, mesmo nos melhores anos desta. Por isso, pode ser difícil explicar a alocação de mais recursos para a atividade. Melhor, para esses especialistas, seria que a estatal se concentrasse no seu core business e assumisse participação minoritária em petroquímicas, para capturar alguma agregação de valor a seus subprodutos.

A reorganização petroquímica é vista como saudável desde que represente a possibilidade de ampliar a capacidade produtiva. A demanda por resinas e outros produtos cresce três vezes mais que o PIB. Sem investimentos adequados há o risco de ampliar as importações, geralmente feitas na forma de produtos transformados. O resultado dessa projeção seria desastroso: aumento do déficit comercial e do desemprego.

Aos fatos – O Hotel Plaza São Rafael, um dos mais requintados de Porto Alegre-RS, serviu de cenário em 19 de março para o detalhamento do processo de venda das empresas Ipiranga para o consórcio formado pela Petrobrás e os grupos Braskem e Ultra. A maior transação para a compra de um grupo nacional por corporações igualmente brasileiras, num montante de US$ 4 bilhões, resulta de negociações iniciadas há oito meses, mas o formato definitivo do acordo ficou pronto em dezembro de 2006, segundo informou à Química e Derivados, um importante executivo de uma das organizações envolvidas na transação.

Pelo valor bilionário foram adquiridos 4.240 postos de abastecimento e alguns centros de distribuição de combustíveis espalhados por todo o País, uma unidade petroquímica de segunda geração capacitada para processar 730 mil t/ano de resinas (polietilenos e polipropileno), a participação de 33% da Ipiranga no capital votante da Companhia Petroquímica do Sul (Copesul), e uma pequena refinaria de petróleo para 17 mil barris por dia, localizada na cidade de Rio Grande. Em 2006, a receita líquida consolidada do Grupo Ipiranga totalizou R$ 30 bilhões, com lucro líquido de R$ 534 milhões.

A formatação definitiva da operação contou com a assessoria da Estater, empresa especializada em intermediar compras e vendas entre megacorporações. Coube à intermediária procurar o staff do extinto grupo gaúcho para fazer a oferta definitiva. Pela proposta, a Petrobrás colocará US$ 1,3 bilhão no negócio, a Braskem outros US$ 1,1 bilhão e o Grupo Ultra, US$ 1,6 bilhão. Mas coube ao Ultra fazer a compra em bloco das 52,3 milhões de ações da Ipiranga, controladas pelas famílias detentoras do grupo gaúcho, em regime de comissão.

Segundo André Assunção, da Estater, essa foi a forma encontrada para viabilizar o negócio, pois seria impossível cada empresa comprar a parte do bolo que lhe interessava. “O Grupo Ipiranga era muito complexo. Todas as empresas mantinham participação nas outras. Por exemplo, a refinaria de Rio Grande, que dava prejuízo operacional apresentou lucro por sua participação acionária no braço petroquímico”, explicou Assunção. “O Ultra comprou a sua quota e em nome dos outros adquiriu os ativos para a Braskem e a Petrobrás”, esclareceu.

A operação será concluída em cinco etapas: 1) A Ultrapar (Ultra Participações) adquire as ações dos controladores; 2) A Ultrapar realizará ofertas públicas de compra das ações ordinárias remanescentes de todas as empresas do Grupo Ipiranga; 3) Realização de oferta pública por Braskem e Petrobrás para fechamento do capital da Copesul; 4) A Ultrapar incorporará as ações preferenciais da Ipiranga, trocando-as por suas próprias ações preferenciais, com alguma relação de conversão; 5) A Ultrapar alienará para Petrobrás e Braskem os ativos pertinentes a esses grupos.

Até o fim de 2007, o processo deverá ser concluído, dando à Petrobrás a propriedade da rede de distribuição de combustíveis e derivados do Centro-Oeste, Norte e Nordeste, mais os postos de gasolina dessas regiões. Além disso, ficará com 40% do controle acionário da Copesul.

À Braskem caberá 60% dos ativos petroquímicos em poder do grupo Ipiranga. Com isso, passará a deter 66% do capital votante da Copesul e 60% da IPQ. Ficará também com o comando da Ipiranga Comercial Química, a maior distribuidora de produtos químicos do País, que passará a comercializar também as resinas termoplásticas e solventes da Braskem.

O Grupo Ultra irá dominar a rede de postos de gasolina do Sul e Sudeste, além da rede de distribuição de combustíveis e derivados das duas regiões, o equivalente a 15% desse mercado. Dentro de cinco anos, os postos de bandeira Ipiranga adquiridos pela Petrobrás ganharão a bandeira da BR Distribuidora, para que o Ultra fique detentor exclusivo da marca Ipiranga. A RPI (Refinaria de Petróleo Ipiranga), inaugurada em 1937, longe da escala mínima mundial, atualmente produzindo nafta petroquímica, será repartida fraternalmente entre os três compradores. O futuro da unidade está indefinido, mas em sua área está instalado um dos mais importantes laboratórios nacionais para controle de qualidade de combustíveis, estudos de emissão de poluentes e desenvolvimento de lubrificantes, a Isatec.

O presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, justificou a decisão da estatal em participar da compra da Ipiranga. O objetivo é aumentar significativamente a atuação da estatal na economia gaúcha. Atualmente a empresa é controladora da Refinaria Alberto Pasqualini, da Liquigás, da fabricante integrada de estireno e poliestireno Innova e da Petroquímica Triunfo, além de posição minoritária na Copesul (15,63%).

No entendimento de Gabrielli, haverá espaço para grandes investimentos na expansão do pólo de Triunfo. Além disso, enfatizou, a Petrobrás irá dominar 38% da distribuição de combustíveis no Centro-Oeste, Norte e Nordeste, onde antes respondia por 34%. Com esses novos ativos, um dos objetivos da estatal é criar sinergia para montar a logística necessária à chegada de biocombustíveis nessas regiões mais distantes dos centros produtores.

O presidente do Grupo Ultra, Pedro Wongtschowski, ressaltou os 70 anos de tradição do grupo no mercado de distribuição de gás (GLP) com crescimento de 26% nos últimos anos. Para ele, a compra da área de distribuição de derivados de petróleo da Ipiranga para as regiões Sul e Sudeste, com os postos da bandeira, complementa a vocação do grupo como distribuidor de derivados de petróleo. “Os acionistas minoritários da Ipiranga não se arrependerão dos negócios que farão conosco”, garantiu Wongtschowski.

O presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, adiantou que a Braskem irá expandir a capacidade produtiva de resinas termoplásticas em 250 mil toneladas/ano. (150 mil de polipropileno e 100 mil de polietilenos). Ao todo, o pólo petroquímico de Triunfo receberá investimentos de R$ 780 milhões até 2009. No entanto, a construção de uma nova planta de polipropileno, anunciada pela Ipiranga antes de ser vendida, está suspensa. Segundo Grubisich, estudo realizado demonstra a possibilidade de aumentar a produção da Braskem pela melhoria do desempenho e sinergia das plantas atuais e a adquirida de PP. “Com o negócio nos tornamos uma das maiores corporações petroquímicas do mundo e chegaremos até o fim da década entre as dez principais no mercado global”, aposta Grubisich.

Projetos no papel – Antes da mega aquisição, uma série de projetos estavam em curso no Pólo de Triunfo. A Copesul projetava, por exemplo, a montagem de um complexo de elastômeros avaliado em aproximadamente US$ 700 milhões, dos quais US$ 150 milhões seriam destinados à construção de duas plantas, uma de butadieno, estimada em US$ 80 milhões, e outra de US$ 70 milhões para a obtenção de isopreno até 2015. A princípio, esses estudos devem ser mantidos.

O Brasil gera 108 mil toneladas de butadieno. A metade disso é consumida pela DSM e pela unidade da Petroflex no Estado, sendo proveniente da planta atual da Copesul. Além disso, a segunda geração da borracha no País comprou 40 mil toneladas da Petrobrás Energia, na Argentina (Pesa) e mais 10 mil toneladas da União Européia.
O projeto da Copesul prevê ainda US$ 550 milhões para a construção de unidades de segunda geração para que Triunfo passe a ofertar mais 30 mil toneladas de borracha termoplástica (TR), 100 mil toneladas de polibutadieno, NBR, SBR, negro-de-fumo, entre outros produtos. Como não existe negro-de-fumo no arranjo produtivo local, a intenção é atrair um dos players em atividade no País especializados no pigmento preto, a Cabot, a Columbian ou a Degussa.

A avaliação da diretoria da Copesul para projetar a nova matriz direcionada aos elastômeros está vinculada ao retorno da Petrobrás aos negócios com petroquímica de maneira mais contundente. Com isso, consideram que, a longo prazo, os negócios com eteno e propeno se tornarão menos atrativos às empresas menores, que perderão competitividade diante do poderio da estatal.

Com base em documentos produzidos por consultorias especializadas na elaboração de cenários para o setor, a Copesul se preocupa com os novos investimentos anunciados pela Petrobrás, como o da Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais. Até 2011, ela deverá produzir 105 mil toneladas de propeno por ano, para permitir a obtenção de 160 mil toneladas de ácido acrílico bruto, 95 mil toneladas de ésteres acrílicos para resinas usadas em papel, ceras, tintas e adesivos e 100 mil toneladas de ácido acrílico glacial, usado na obtenção de polímeros superabsorventes com uso em material de higiene. O investimento total é de US$ 500 milhões, com geração de 4 mil empregos diretos durante a construção e outros 300 permanentes direcionados à operação das plantas.

O outro projeto de vulto da estatal é voltado à obtenção de ácido tereftálico purificado (PTA) no Comperj, do Rio de Janeiro, com produção prevista de 1,3 milhão de t/ano de eteno, 800 mil t/ano de propeno, 600 mil t/ano de benzeno e 700 mil t/ano de paraxileno, apenas de insumos básicos. Com eles, pretende-se fabricar 500 mil t/ano de estireno, 600 mil t/ano de etilenoglicol, 800 mil t/ano de polietilenos, 850 mil t/ano de polipropileno e até 600 mil t/ano de resina PET, em parceria com a Mossi & Ghisolfi.
A Refinaria Henrique Lage (Revap) e a Refinaria do Planalto Paulista (Replan) estarão igualmente ofertando propeno ao mercado. A Copesul tem de contabilizar ainda as 150 mil toneladas de propeno que a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) irá injetar a cada ano na petroquímica gaúcha. A planta já opera em carga de teste e deverá produzir em escala até o fim de 2007.

Em janeiro, antes da venda, o diretor-comercial e de relações com os investidores da Copesul, Bruno Albuquerque Piovesan, lembrou ainda que no âmbito internacional existem dois megaprojetos petroquímicos, um no Irã e outro na Arábia Saudita, para a colocação de 17 milhões de toneladas de resinas no mercado, embora o projeto inicialmente vise atender a China. “Sempre sobra alguma coisa para vender em outros mercados, mas a previsão de partida dos crackers está atrasada em relação à previsão inicial de operação para 2010”, analisa Piovesan.

“O mercado internacional está assim. A petroquímica abastece a China, que transforma as resinas em manufaturados, e despeja quase toda a produção nos Estados Unidos. Como medida compensatória, o governo chinês compra os títulos da dívida pública norte-americana”, desabafa o executivo da Copesul. Porém, com o aumento da participação da Petrobrás na central gaúcha, novos projetos poderão ser anunciados e outros, sepultados.

Curto prazo – Antes da compra pela Braskem e Petrobrás, as ambições da Copesul no curto prazo eram conservadoras, sem projetos de vulto no horizonte. Para 2007, está confirmada a partida da planta de ETBE (etil térciobutil-éter, com produção anual de 180 mil toneladas). Neste ano, graças a inovações e melhorias nas plantas, os fornos da companhia produziram 1,2 milhão de toneladas de eteno, contra 1,135 milhão de 2005.

Com as próximas paradas até 2010, as duas unidades deverão chegar a 1,4 milhão de t/ano de eteno. A quantidade de propeno subirá de 600 mil para 800 mil toneladas. No entanto, os novos sócios querem acelerar o desgargalamento da planta e acenam com a compra de novos fornos como forma de aumentar a produtividade. É bem possível que iniciativas mais ousadas sejam detalhadas no decorrer do ano. Como a Refinaria Alberto Pasqualini, em Canoas, até o fim do ano estará bombeando 150 mil toneladas/ano do petroquímico básico para processar polipropileno, a produção de PP em Triunfo poderá chegar a 930 mil toneladas nos próximos dois anos, um incremento de 100 mil toneladas.

 

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