Resinas Estirênicas podem crescer nos itens descartáveis

Plástico Moderno - Resinas Estirênicas - Remanda firme e podem crescer nos itens descartáveis

Plásticos derivados do estireno têm demanda firme e podem crescer nos itens descartáveis

Plástico Moderno - Natal: todo o grupo de resinas obteve vendas maiores em 2019
Natal: todo o grupo de resinas obteve vendas maiores em 2019

As contestações de cunho ambiental a uma de suas principais aplicações – os produtos de uso único – ainda não resultaram em queda na demanda nacional por poliestireno (PS). Indicadores mostram, na verdade, ter havido no ano passado até mesmo elevação dessa demanda, que já nos primeiros meses deste ano parece ter mantido alguma estabilidade, até mesmo nos momentos iniciais da crise provocada pelo novo coronavírus. Crise, aliás, que poderá impactar intensamente os negócios com outras resinas estirênicas, como ABS, ASA e SAN, mais usuais nos mercados de bens de consumo durável, menos atrativos em uma conjuntura na qual a mera sobrevivência se coloca como preocupação básica dos consumidores.

No decorrer de 2019, em comparação ao ano anterior, o consumo nacional de poliestireno cresceu perto de 5%, chegando ao total de 390 mil toneladas, na estimativa de Marcelo Natal, diretor comercial de estirênicos da Unigel. Ele exclui dessa contabilidade o EPS (poliestireno expandido); considera apenas as modalidades constantes do portfolio da empresa: poliestireno cristal e alto impacto (HIPS), utilizados nos produtos de uso único – copos, pratos, talheres e outros – e também nos refrigeradores; XPS (PS estrudado) para embalagens de alimentos; bobinas para embalagens para laticínios e eletroeletrônicos. “Mas também o mercado de EPS apresentou um crescimento importante em 2019, de 9,5% sobre o ano anterior, fechando em 107 mil toneladas”, acrescenta Natal, lembrando que sua empresa também fornece o monômero de estireno para os produtores de EPS.

Em São Paulo e em algumas outras cidades, diz Laércio Gonçalves, diretor-geral da distribuidora Activas, as restrições ao uso de produtos descartáveis reduziram o volume dos negócios realizados com poliestireno. “Mas ainda não houve queda na demanda nacional por essa resina”, ressalta o diretor da Activas, distribuidora de cujo portfolio fazem parte poliestireno da Innova e ABS, ASA e SAN da Ineos Styrolution.

Plástico Moderno - Gonçalves: previsão de queda do PIB impede avanço de vendas
Gonçalves: previsão de queda do PIB impede avanço de vendas

Porém, segundo ele, não houve queda nos volumes de comercialização de poliestireno – bem como de outras resinas – sequer nos primeiros estágios a crise da Covid-19. “Mesmo em março, primeiro mês da crise, a Activas não registrou queda na demanda pelas resinas plásticas que comercializa; inclusive, na demanda por poliestireno”, afirma Gonçalves, que é também presidente da Adirplast (Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas e Afins).

Plástico Moderno - PS começa a ocupar espaço de ABS e SAN na produção de peças para a linha branca
PS começa a ocupar espaço de ABS e SAN na produção de peças para a linha branca

Novos usos – Fornecedora de ABS, SAN, ASA, MABS (ABS transparente) e de blendas como ABS/PC e ASA/PMMA, em 2019, a Toray registrou crescimento nos negócios realizados no mercado brasileiro. Não, porém, em índice muito satisfatório. “Tínhamos iniciado uma recuperação em 2018 e crescemos em 2019, foi menos do que esperávamos, mas crescemos”, relata Luiz Rocha, gerente de vendas e marketing da operação brasileira da multinacional de origem japonesa que produz suas resinas no Japão e na Malásia. “Para este ano, tínhamos grandes expectativas, mas mesmo antes do coronavírus os resultados iniciais não correspondiam a elas”, complementa o profissional da Toray.

Assim como já acontece em outros países, também no Brasil, afirma Rocha, começa-se a usar mais incisivamente ASA, bem como ABS, para pintura e cromação, em peças automotivas antes feitas de polipropileno, a exemplo de painéis e aplicações internas. Também aumenta, diz o profissional da Toray, o uso de ASA, SAN e ABS em aplicações de eletrodomésticos, como copos de liquidificadores e visores de fornos de micro-ondas, entre outras, às quais essas resinas conseguem aliar desempenho com acabamento esteticamente mais atraente.

Visando aproveitar essas tendências, no Brasil, a Toray pretende atuar ainda mais incisivamente com o ASA destinado à indústria automotiva. Também aposta bastante no ABS transparente na indústria de eletrodomésticos. “Além do excelente balanço de propriedades, em aplicações como copos e visores de eletrodomésticos o ABS transparente tem um custo mais atrativo, comparativamente a opções como PC e acrílico”, argumenta. “Estamos até ampliando a capacidade de produção de nossa planta de ABS transparente na Malásia, que até o final do ano deverá ter sua capacidade duplicada”, acrescenta Rocha.

Gonçalves, da Activas, prevê que, passada a crise do coronavírus, deve voltar a crescer a demanda brasileira por ABS, ASA e SAN para a produção de peças automotivas e componentes de eletrodomésticos. “São setores que vinham se mantendo aquecidos e se expandindo, até a ocorrência dessa crise”, observa.

Plástico Moderno - Embalagens de XPS são mais procuradas durante a pandemia
Embalagens de XPS são mais procuradas durante a pandemia

A questão dos descartáveis – Inevitavelmente, as restrições aos produtos plásticos de uso único atuarão como elementos de contenção da demanda por poliestireno. Afinal, estima Natal, esse gênero de aplicações responde por aproximadamente um terço da demanda total por essa resina. “O movimento de restrição aos produtos descartáveis é uma realidade global”, pondera o profissional da Unigel.

Mas, para ele, a demanda por PS ainda pode crescer em ritmo superior ao da mera expansão vegetativa da atividade econômica. Primeiramente, porque, com o aquecimento da economia e a melhoria das condições sociais, essa resina será mais demandada por setores como as indústrias de linha branca e de eletroeletrônicos. “E têm surgido alguns novos usos: em determinadas aplicações o PS pode substituir, sem prejuízo das propriedades, resinas de engenharia, como ABS e SAN; por exemplo, em peças de refrigeradores e lavadoras”, aponta.

O consumo brasileiro de poliestireno, relata Natal, atingiu seu maior volume em 2013, quando atingiu 392 mil toneladas; três ano depois, ele havia baixado para 362 mil toneladas A partir de então, teve início um processo de recuperação, lento, é verdade, que culminou com um crescimento estimado de 5% do ano passado. E, de acordo com o profissional da Unigel, a queda registrada nos anos anteriores não decorreu de restrições aos produtos descartáveis. “Ela se deve mais à conjuntura econômica do país, que prejudicou muito setores importantes para nós, como a indústria da linha branca”, pondera.

As estirênicas na crise – Hoje muito destacados na mídia e em ambientes de informação e discussão como agentes causadores de problemas ambientais, os produtos de uso único feitos de poliestireno desempenham uma função relevante na sociedade atual, ressalta Natal, da Unigel: “Em hospitais, por exemplo, seu uso é fundamental”, ressalta.

Além disso, prossegue o profissional da Unigel, embora muitas vezes se divulgue o contrário, o poliestireno – tanto na forma de XPS, quanto como EPS – é totalmente reciclável. “No Brasil, existe uma empresa que produz rodapés feitos quase integralmente com poliestireno reciclado”, informa.

A crise provocada pelo coronavírus, observa Gonçalves, mostra que as embalagens plásticas descartáveis são úteis e devem ser mantidas. “O que deve haver é a educação para a correta destinação dessas embalagens, e não sua proibição”, ressalta o profissional da Activas.

Mas Gonçalves reconhece: mundialmente, não há perspectiva de expansão da demanda por poliestireno; se houver algum crescimento, ele será muito pequeno e decorrerá da manutenção de alguns usos já bastante consolidados dessa resina, por exemplo, nas embalagens termoformadas de iogurtes e de outros produtos alimentícios. “Crescendo a economia, cresce o consumo desses produtos e, assim, cresce também a demanda por poliestireno, embora em ritmo inferior ao de outras resinas”, comenta.

Resinas estirênicas podem também ter papel importante na minimização dos problemas sanitários e sociais decorrentes do coronavírus, por exemplo, na forma de embalagens de poliestireno que acondicionam a comida pronta que deve ser levada para casa pelos consumidores ou no sistema de delivery (ao menos temporariamente, em várias cidades brasileiras essas passaram a ser as únicas maneiras de acesso a comida pronta, pois foi proibido seu consumo nos locais onde ela é preparada).

Além disso, lembra Rocha, o ABS transparente tem muitas aplicações na área médica, entre elas, válvulas e controladores dos sistemas de aplicação intravenosa de medicamentos. “Temos sentido aumento da demanda por MABS para essas aplicações”, diz o profissional da Toray. “Há aumento também da demanda por algumas aplicações sanitárias, como os dispensers de papel, álcool gel e sabonetes”, especifica.

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