Resinas Estirênicas: Mercado de ABS motiva investimento em planta local, mas poliestireno enfrenta demanda fraca

“Estamos importando SAN e ABS transparente para algumas aplicações nos segmentos automotivo, de refrigeração e moveleiro, em substituição ao acrílico e ao policarbonato”, informou. O gerente destaca dois grades ofertados pela Innova para a transformação doméstica: o AE8000, para o mercado automotivo, e o AG1000, para os setores moveleiro e calçadista.

PS em baixa – O ano passado foi difícil também para o poliestireno.

Segundo Fernandes, a resina teve um desempenho forte no primeiro trimestre, acompanhando o ritmo de 2010, depois desacelerou e só retomou o embalo nos últimos três meses de 2011, pelo aquecimento no consumo impulsionado pelas festividades de final de ano.

“O mercado local de poliestireno no ano passado caiu 3% em relação a 2010”, estima o diretor comercial da Unigel, que avalia a demanda neste primeiro semestre de 2012 como muito similar ao mesmo período do ano passado. Mas suas perspectivas para a segunda metade do ano são mais alentadoras. Ele vê possibilidades de crescimento de 3% a 4% ao final do ano. O diretor comercial da Videolar estima expansão pouco menor, entre 2% e 3%.

O gerente da Innova corrobora as boas expectativas para este ano, com base na redução das taxas de juros, no fortalecimento das exportações, por meio da desvalorização cambial, e na geração de emprego formal, elevando o poder de compra.

É senso comum entre os executivos da Unigel e da Innova a expectativa de consumo de poliestireno para este ano: ambos aguardam um volume da ordem de 390 mil toneladas. No ano passado, o consumo aparente detectado pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) atingiu 380 mil toneladas. A capacidade instalada no país, porém, suplanta em muito esse volume: alcança 585 mil toneladas.

Maior fabricante, a Unigel pode processar até 310 mil toneladas/ano em suas unidades de São José dos Campos-SP (ex-Basf) e Guarujá-SP (ex-Dow). Bianchi calcula em 30% a presença da empresa no segmento. A planta da Innova, em Triunfo-RS, está capacitada para 155 mil toneladas/ano. Fernandes estima a fatia de sua empresa no mercado em torno de 36%. A capacidade nominal da Videolar é de 120 mil toneladas anuais e Rocha não divulga sua participação no setor.

Volta por cima – Tempos atrás, aplicações então cativas do poliestireno no segmento de embalagens e principalmente no mercado de descartáveis cederam largos espaços ao polipropileno, resina de reconhecida versatilidade.

Mas os ventos mudaram de direção e agora sopram a favor do poliestireno. Os preços do PP subiram e os fabricantes de PS aproveitam a deixa para exaltar as qualidades do polímero e reconquistar mercados perdidos.

Esse é o caso da Innova, que adotou como estratégias desenvolver novas aplicações e parcerias e difundir, na indústria de transformação, as vantagens do poliestireno em relação ao polipropileno. Gerente de T&D, Marcus Dal Pizzol já constata uma expansão no consumo de PS em embalagens e em produtos descartáveis. “A melhor processabilidade do poliestireno, sinônimo de maior produtividade e menos consumo de energia, nos mesmos equipamentos de extrusão e termoformagem, reflete-se nos custos totais dos processos dos clientes”, argumenta.

Bianchi concorda, o poliestireno está, sim, recobrando parcela do mercado perdido para o PP, e cita um exemplo em que a resina recuperou o fôlego: no mercado de iogurtes. O PS compõe bandejas de múltiplos potes termoformadas que substituem os copos individuais. A mudança favorece o transformador em questões de custos (menores), mas também atende aos novos hábitos do consumidor. “A Danone e a Nestlé aumentaram essa produção”, testemunha.

“Há alguns anos o poliestireno sofre embate direto do PP, sobretudo no segmento de descartáveis, e concordamos que o PS vem retomando o espaço perdido”, endossa o diretor da Videolar. Na opinião dele, os transformadores percebem mais vantagens no processamento do poliestireno, em comparação ao polipropileno. “Maleabilidade, geração e reaproveitamento de aparas e redução da temperatura dos equipamentos e do consumo de energia.”

Luta de alto nível – Disposta a reaver o que perdeu, a Innova apostou ainda em um diferencial tecnológico e desenvolveu novos grades de PS alto impacto mais competitivos, como o R 970 E, aclamado por Pizzol como de superalto impacto, e o R 830 D, distinto por sua resistência química, ambos destinados para embalagens. Desenhados especialmente para moldar produtos descartáveis, chegaram recentemente ao mercado os grades R 870 E, com maior balanço de propriedades mecânicas e processabilidade, e o Clear R 350L G2. “Estes grades inovadores permitiram que a Innova competisse em novas aplicações e mercados, como as embalagens para margarina e copos transparentes, típicas aplicações de PP”, comemora.

A propósito, o Clear R 350L G2, lançado no segundo semestre do ano passado, consiste na segunda geração de seu PS de alto impacto para aplicações em embalagens transparentes de alto brilho. Patenteada, a formulação embute ganhos expressivos, como assegura Pizzol. A resina agrega maior flexibilidade e capacidade de termoformagem profunda somadas às características da primeira geração da resina: elevada transparência e rigidez em termoformados de parede fina, alto brilho e custo competitivo.

“Com esse lançamento, a Innova aumenta o conteúdo tecnológico do grade e fortalece a sua posição e a de seus clientes para desenvolver novas aplicações com poliestireno e ainda substituir outros polímeros em embalagens transparentes de parede fina”, informa. Segundo o gerente, as possibilidades de desenvolvimento de novos mercados se sustentam na maior robustez do material, que permite a produção de embalagens de termoformagem mais profundas.

Como explica, a geração 2 resulta de um processo de melhoria contínua do grade, desenvolvido há cinco anos, com base na demanda de mercado por embalagens transparentes com requisitos de alta qualidade e custo competitivo. Segundo informa, a resina reina como única do gênero no mercado por suas propriedades inovadoras.

Entre os poliestirenos de alto impacto ofertados pela Innova, Fernandes destaca o R830D, caracterizado também por elevada resistência química, destinado ao segmento de refrigeração; a já mencionada nova geração do Clear R 350L G2; o R 870 E, desenhado com excelente equilíbrio entre resistência ao impacto e flexibilidade e endereçado aos segmentos de descartáveis, laticínios e embalagens. O N 2389E, principal produto da família de poliestireno cristal, é ideal para bandejas espumadas de célula aberta.

Ele também ressalta que o poliestireno tem experimentado grande expansão no segmento de geladeiras. Para esse mercado, indica o grade R 830D. O gerente ainda salienta atuação importante nas embalagens espumadas com uma diferenciação técnica. Trata-se do grade N 2380E, que ele assegura ser exclusivo, de altíssimo peso molecular, apropriado para peças finas e com elevada resistência mecânica.

A Videolar também agregou novo produto ao seu portfólio, lançado em abril deste ano. O PS de alto impacto 625E constitui um grade transparente passível de ser moldado por extrusão ou termoformagem, na produção de descartáveis, com garantia de brilho e transparência. Ademais, suas versões de alto impacto e cristal suprem os mais variados segmentos de mercado.

A Unigel mantém seu portfólio tradicional e disponibiliza atualmente cerca de quinze grades. Por dispor de plantas organizadas em três linhas de produção independentes e tecnologias distintas, a empresa consegue atender a diversas aplicações do mercado. Bianchi destaca os grades de alto impacto e alto brilho, com resistência ao stress cracking, aplicados em refrigeradores. “Temos os dois principais ativos de poliestireno, boas fábricas, bons produtos, mas ainda somos um player novo no mercado, planejamos aumentar nossa fatia, estamos em fase de conquista de share”, diz.

O diretor da Unigel levanta questões problemáticas do setor, como preços mais elevados para as matérias-primas nacionais em comparação à concorrência internacional e menciona particularmente o eteno. Ainda relata que custos de energia e do vapor imputam menor competitividade à resina brasileira. “O gás natural tem um custo muito alto e a cadeia de poliestireno é muito dependente”, lamenta.

Já as importações incomodam pouco. Na avaliação de Bianchi, o volume trazido de fora do país é baixo em relação a outras resinas, com uma concentração de grades especiais e compostos indisponíveis localmente. “Conforme a Abiquim, a quantidade de PS importado alcançou somente cerca de 6% do consumo total do país”, infere Rocha, da Videolar. O gerente da Innova reclama, no entanto, da entrada de produtos acabados ou semiacabados com preços muito competitivos. “Muitas vezes até mais baixos do que o custo interno de produção.”

A Unigel exporta cerca de 20% de sua produção atual, endereçada principalmente para a Argentina. Mas atende também vários países da América do Sul e Central. Eventualmente destina algum volume para Estados Unidos e Europa. Como informa Fernandes, a Innova atua muito pouco fora do país, com fornecimento restrito à unidade da Petrobras na Argentina.

 

[box_light]

 Produtores desistiram do ABS

Dois produtores locais – a Cia. de Polímeros da Bahia (CPB) e a fluminense Nitriflex – supriam a quase totalidade da demanda doméstica do terpolímero até 1997. Nesse ano, a empresa baiana passou para as mãos da Bayer, que promoveu, desde então, mudanças drásticas no mercado nacional: adquiriu também os clientes e negócios da Nitriflex (sua fábrica de ABS não entrou no acordo, mas o contrato obrigava a empresa fluminense a se retirar desse mercado por sete anos) e, já como Lanxess (braço do grupo alemão Bayer), fechou a fábrica adquirida da CPB, em 2006. Antes disso, expirado o prazo de abstinência, a Nitriflex até ensaiou uma retomada da produção da resina, mas não levou o projeto adiante. A demanda brasileira passou a depender exclusivamente das importações (ver PM 409, novembro de 2008, página 64).

O terpolímero, constituído pelos monômeros acrilonitrila, butadieno e estireno, prima pela flexibilidade de composição de sua estrutura, o que lhe permite atingir ampla faixa de propriedades. De modo geral, o estireno proporciona rigidez, facilidade no processamento e brilho; a acrilonitrila responde pela resistência química e à flexão e pela estabilidade ao calor; enquanto o butadieno confere tenacidade e resistência ao impacto. O teor de cada um desses componentes determinará o balanço de propriedades da resina. Material amorfo, o ABS apresenta baixa contração durante o resfriamento no molde e boa estabilidade dimensional. A resina oferece boa processabilidade, alta resistência química e ao impacto, brilho e estabilidade térmica. O uso de aditivos pode potencializar propriedades e incorporar outras, ampliando o leque de aplicações.

[/box_light]

 

Página anterior 1 2

Um Comentário

  1. Olá, bom dia.
    Gostaria de saber onde posso encontrar distribuidores de chapas de ABS, que estejam localizados na Bahia.
    Tenho procurado, mas só encontrei os localizados em São Paulo. Estou na região metropolitana.
    Agradeço.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios