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Resinas – Distribuição ganha novo impulso com o nascimento da Adirplast, entidade representativa do setor

Maria Aparecida de Sino Reto
12 de fevereiro de 2007
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    Plástico Moderno, Resinas - Distribuição ganha novo impulso com o nascimento da Adirplast, entidade representativa do setor

    O desempenho do mercado varejista de resinas manteve em 2006 a rotina dos últimos anos, marcados por oscilações nos preços e no consumo. O setor enfrentou na primeira metade do ano vendas ruins e preços idem. O segundo semestre revitalizou os negócios. Um leve aquecimento na demanda evitou o vermelho no balanço, mas foi ainda insuficiente para recompor a contento as margens dos distribuidores, braços comerciais das petroquímicas no mercado transformador de pequeno porte. Outra notícia, porém, injetou novo ânimo ao varejo: a constituição da Associação de Distribuidores de Resinas Plásticas (Adirplast).

    Projeto antigo dos distribuidores oficiais (leia-se com bandeira), a associação nasceu em novembro de 2006, capitaneada por Wilson Cataldi, diretor da Piramidal. Na opinião unânime dos distribuidores, a nova entidade é fruto da profissionalização do mercado, conquistada a duras penas nos últimos anos, e promete reflexos intensos no decorrer de 2007. O presidente da associação preferiu manter silêncio. Acha cedo para falar sobre projetos e atividades.

    Os dirigentes das empresas da área, no entanto, expressaram suas opiniões animados com a novidade, mas tiveram o cuidado de não conflitar com a autoridade e funções delegadas a Cataldi. Tanta animação se justifica. Foram anos de luta para fortalecer o mercado e outros tantos absorvidos em planos, finalmente concretizados, para criar uma associação que reunisse os interesses do setor.

    “A profissionalização do setor é uma questão de sobrevivência, na qual as estratégias de curto e médio prazos têm pouco espaço para erros, portanto, só profissionais preparados e com posturas proativas terão chances maiores de sucesso”, declarou Carlos Belli, novo diretor-comercial da SPP Resinas, em substituição a Amarildo Bazan.
    e casa nova, mas sempre muito envolvido com os acontecimentos do setor, Amarildo Bazan, agora na Resinet, comemora a instituição da Adirplast. “O setor necessitava de organização.” A condição principal para entrar como associado é ser um distribuidor oficial. Nas estimativas dele, o mercado brasileiro conta com 23 empresas nessa condição e 19 delas já se filiaram à entidade.

    Com a associação atuante, a representatividade do setor passa a ser única. Segundo Bazan, a instituição possibilitará consolidar a distribuição e desenhar o seu comportamento no mercado. Ele também espera que a Adirplast auxilie os distribuidores nos assuntos fiscais. Diretor da Thathi, João Rodrigues acalenta expectativas semelhantes: “Deve ajudar o setor em questões como crédito, contratos de distribuição e deve criar peso maior para apresentação na petroquímica.”

    Diretor da SM, Eduardo Sonesso acredita que o novo representante de classe também deve, de algum modo, mostrar aos transformadores a forma de trabalho da distribuição; às petroquímicas, o que a distribuição agrega ao trabalho delas; e, ao governo, o faturamento do setor. “A associação será uma vitrine, deverá vender um serviço à petroquímica para agregar valor e desenvolver mercado”, considera.

    Plástico Moderno, Wilson Cataldi, diretor da Piramidal, Resinas - Distribuição ganha novo impulso com o nascimento da Adirplast, entidade representativa do setor

    Cataldi acha prematuro falar de projetos e atividades

    “Como gestor da Unipar, avalio que a necessidade da associação é clara, representa organização, leitura de mercado e programação. É o fórum de discussão”, resume o diretor José Luiz Franco dos Santos.

    Compartilha dessa opinião o gerente nacional de negócios da Ipiranga Comercial Química, João Miguel Thomé Chamma. “Era fundamental ter esse ente para congregar conhecimento, identificar o perfil do setor, representar seus anseios e sua imagem”, diz.

    A associação deve demarcar o terreno exato da distribuição oficial, hoje com estimativas de comercializar entre 10% e 15% da produção brasileira de resinas. “A petroquímica deve conceder maior parcela à distribuição”, acredita Bazan.

    Além da nova entidade, oscilações nos preços e fatores macroeconômicos também afetaram o desempenho dos negócios. As empresas do setor consideraram ainda outros dois acontecimentos com reflexos importantes no desenrolar de 2006: a grande competitividade gerada pela entrada efetiva da RioPol, com novos distribuidores no mercado, e a maior profissionalização do setor.

    “A ética ganhou força e empresas sem bandeiras perderam espaço para as estruturadas e que oficialmente representam a segunda geração”, opina Belli. “A credibilidade na relação cliente-fornecedor está cada vez mais disputada e as empresas sabem disso e se empenham nessa tarefa”, avalia Alexandre Couto, gerente-comercial da Clion.

    Dois momentos – O mercado varejista vivenciou momentos de intensa crise no primeiro semestre do ano, marcado pela alta competitividade e preços em declínio. “A pressão nos preços com a entrada da RioPol, a volatilidade dos preços das matérias-primas, a questão do dólar, tudo isso foi tempero para o estreitamento de margens”, ponderou Franco, da Unipar.

    Na opinião de Ricardo Guerreiro Mason, diretor da Fortymil, repassar aumentos de preços não é tarefa fácil, em face da realidade nacional de sobra de resina e grande competitividade. “As margens continuam extremamente reduzidas”, lamenta. No segundo semestre de 2006, os preços internacionais das resinas tiveram forte alta em razão dos aumentos constantes da nafta, insumo básico da indústria do plástico derivado do petróleo. Além disso, o crescimento do mercado doméstico não acompanhou o do mercado global, na avaliação de Cataldi. “As margens foram baixas, inferiores à expectativa que projetamos para o ano.”


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