Plástico

Resinas – Distribuição – Bens de consumo salvaguardam o mercado varejista de resinas, que prevê ano de bons negócios

Simone Ferro
20 de abril de 2009
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    Setor revigorado – Consolidação e internacionalização são dois focos do setor de distribuição. À frente da presidência da nova Piramidal, maior distribuidora de resinas plásticas do Brasil, Cataldi anunciou o projeto de internacionalização da companhia. A empresa, cuja escala alcança 100 mil t/ano, detém 20% do mercado local de distribuição. “A nova Piramidal nasceu em 2008, mas começou a ser construída dez anos antes.”

    O primeiro passo, em 1998, ocorreu com a compra da Ruttino. Em 2004, os sócios Cataldi e Amauri dos Santos fundaram a Polimarketing. “Nessa ocasião já tínhamos a percepção de que o mercado, em algum momento, exigiria um setor de distribuição em linha com as petroquímicas consolidadas. E a nova Piramidal, fruto da fusão entre Piramidal, Ruttino e Polimarketing, nasceu com esse perfil.”

    O grande objetivo é transformar a empresa na principal distribuidora das Américas até 2013. “É um plano ousado, mas assim como as ações anteriores, a internacionalização será fruto de muita pesquisa de mercado e de um trabalho sério.” Na avaliação de Cataldi, esse é o futuro da distribuição.

    Dificilmente a Piramidal vai se instalar sozinha fora do Brasil, e a associação com uma empresa estrangeira faz parte da estratégia. O foco inicial são os países da América Latina e, na sequência, os Estados Unidos. “Qualquer empresa hoje tem de ter muita mobilidade, desde que isso não crie conflitos com os seus parceiros locais.”

    O movimento contrário também ocorreu com a entrada de grandes grupos estrangeiros no país, como a SM, importante player da Europa, e a Entec, maior distribuidora do mundo. Em 2007, outras fusões e aquisições começaram a redesenhar o setor de distribuição brasileiro, como a união de forças entre a SPP Resinas e a Clion, e as mudanças na composição acionária da Mais Polímeros, anunciadas em PM, edição de fevereiro de 2008.

    O diretor-geral da Activas, Laércio Gonçalves, também concorda que o setor de distribuição caminha para a consolidação. “Assim como o petroquímico, diminuiu em quantidade e ganhou escala, participação e organização”, afirma. E não deve parar por aí. “A perspectiva ainda é de diminuição de agentes distribuidores de commodities com bandeiras, cabendo a estes outras oportunidades em nichos específicos de mercado.” Ele ressalta ainda que a relação com a petroquímica melhorou muito nos últimos anos. Mas ainda há muito trabalho pela frente para a consolidação efetiva do formato da distribuição. “Antes éramos clientes da petroquímica; e hoje somos parceiros.”

    Em 2009, a consolidação do mercado químico e petroquímico deu à luz a uma nova marca, com décadas de experiência no setor de distribuição, a quantiQ. Tudo começou quando a Petrobras, o grupo Ultra e a Braskem fecharam acordo para a aquisição dos negócios do grupo Ipiranga, em 2007. A marca Ipiranga e a rede de distribuição de combustíveis nas regiões Sul e Sudeste ficaram com o grupo Ultra.

    Na ocasião, foi acordado um prazo de dois anos para a mudança de identidade da maior distribuidora brasileira de produtos químicos e petroquímicos, sob o controle acionário da Braskem. Os projetos para 2009 incluem maior cobertura do mercado, aumento da produtividade da equipe e foco no relacionamento com os clientes. “Cada vez mais os distribuidores assumem maior importância estratégica na execução dos planos de negócios dos produtores”, afirma o gerente da unidade de negócios da quantiQ, Fabiano Bianchi.

    Mercado – Em agosto de 2008, os preços internacionais das resinas atingiram o maior nível histórico. Com o barril de petróleo cotado a 150 dólares, o polietileno (PE) e o polipropileno (PP) superaram a casa dos dois mil dólares a tonelada. Quando o petróleo começou a cair por causa da crise, os preços recuaram rapidamente no mercado internacional, mais dinâmico. “No Brasil, caíram numa velocidade diferente, e hoje estão equilibrados em relação à cotação internacional”, afirma o presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas (Adirplast), Wilson Donizetti Cataldi.

    Em dezembro, uma tonelada de PE ou de PP, na média, custava 700 dólares. Em março, os preços se estabilizaram em mil dólares a tonelada. “Quando se faz todos os cálculos, os preços internacionais começam a ficar equilibrados em relação ao mercado local.” Na avaliação de Cataldi, o ano pode ser bom para o setor, que espera crescer entre 5% e 6%. “Todos terão de fazer a lição de casa para manter suas empresas numa realidade de mercado, quanto a custos e competitividade.”

    Para o diretor-geral da Activas, Laércio Gonçalves, embora mais equilibrados, em relação ao último trimestre de 2008, os preços ainda não alcançaram a média do ano anterior. “Existe uma tendência de recuperação. Mas só com bola de cristal para saber qual o ponto correto, vide as cotações do barril de petróleo e da nafta, além de outros insumos. Cada mercado tem suas peculiaridades.”



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