Resinas – Distribuição – Bens de consumo salvaguardam o mercado varejista de resinas, que prevê ano de bons negócios

Com 90% das vendas voltadas para as indústrias de bens de consumo, o setor brasileiro de distribuição de resinas plásticas pretende crescer entre 5% e 6% em 2009. “Temos razões para acreditar que a demanda nesse nicho de mercado vai continuar importante. Se essa perspectiva se confirmar, a distribuição poderá crescer e ter um ano bom, se comparada aos demais setores”, afirma o presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas (Adirplast), Wilson Donizetti Cataldi, reeleito para o biênio 2009/2010. A Brasilplast, de 4 a 8 de maio, em São Paulo, pode ser uma forte aliada para impulsionar os negócios e ajudar a distribuição a conquistar suas metas.

O varejo nacional movimentou aproximadamente 600 mil toneladas em 2008, algo em torno de 12% do consumo aparente. A participação dos distribuidores oficiais alcança 78% desse total, ou seja, 470 mil t, enquanto as revendas e importadores fornecem as 130 mil t restantes. Esses números, estimados pela Adirplast, traçam o perfil de um segmento em pleno processo de consolidação e crescimento, a exemplo do setor que representa.

O foco nos micro e pequenos transformadores, que compram entre duas e três toneladas por pedido e atuam, em sua maioria, na produção de bens de consumo, coloca a distribuição numa posição um pouco mais confortável perante a crise econômica mundial e os fornecedores da indústria de bens duráveis, a mais afetada. “Além disso, o perfil do transformador atendido pela distribuição é totalmente voltado para o mercado interno, onde houve menor retração quando comparado ao externo”, afirma o diretor da Fortymil, Ricardo G. Mason.

Plástico Moderno, Wilson Donizetti Cataldi, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas (Adirplast), Resinas - Distribuição - Bens de consumo salvaguardam o mercado varejista de resinas, que prevê ano de bons negócios
Cataldi: a distribuição criou uma identidade nacional

Dessa opinião compartilha o gerente da unidade de negócios da quantiQ, Fabiano Bianchi. “Os principais segmentos de mercado da distribuição são bastante vinculados a bens de consumo não-duráveis, que tiveram menor queda. Considerando-se a atual conjuntura de crise, o setor da distribuição de resinas plásticas está numa situação melhor que outros mercados industriais.”

Nos Estados Unidos e Europa, os distribuidores movimentam entre 15% e 20% do consumo aparente de resinas plásticas. “O índice nacional já foi mais baixo que os atuais 12%. Na minha percepção, as petroquímicas devem focar seu trabalho nos médios e grandes clientes, deixando que a rede de distribuição, hoje mais profissional e estruturada, atenda os micro e pequenos transformadores. Esse é o desejável. Mas ainda não acontece no Brasil”, lamenta Cataldi.

A Adirplast possui 17 associados, todos distribuidores oficiais da petroquímica, que juntos faturaram 2,5 bilhões de reais no ano passado. Em 2007, o faturamento bruto foi de 2,1 bilhões de reais, com aproximadamente 460 mil t negociadas. “O volume de vendas de 2008 ficou bem próximo do ano anterior. Porém, a alta dos preços impulsionou a receita.” De acordo com Cataldi, o mercado é disputado ainda por outras 20 ou 30 revendas e traders. “Desse universo fazem parte empresas que trabalham na obscuridade, com atuação muito distinta da distribuição, buscando oportunidades isoladas e resultados no curto prazo.”

Elos fortalecidos – Fundada em 2006, a Adirplast ajudou a construir a identidade da distribuição nacional. Criou um banco de dados estatísticos e ganhou maior representatividade nos últimos dois anos. Cataldi entende que um setor se forma quando existem informações sobre ele e quando se discute e se melhora 90% dos assuntos que são comuns aos representantes dessa classe. A associação tem trabalhado muito nesse sentido.

Os associados participam de palestras regulares sobre questões diversas, desde o uso da Nota Fiscal Eletrônica, que entrou em vigor no dia 1° de abril, às tendências de preço do mercado internacional e política fiscal. “Desde o início sabíamos que seria necessário criar uma boa base de dados, transmitir cultura e informação aos distribuidores e garantir ao transformador um serviço cada vez mais linear e confiável. A associação avançou bastante nessa direção”, comemora o seu presidente.

Entre as metas para os próximos dois anos consta a aproximação com os transformadores por intermédio de suas entidades de classe. “Vamos orientar as ações da distribuição para atender às necessidades e expectativas do moldador. Isso cria identidade para o negócio e todo mundo ganha.”

Cataldi ressalta ainda o reconhecimento que a Adirplast recebeu por parte da segunda geração petroquímica, e a importância da consolidação daquele setor para o fortalecimento de toda a cadeia. “A indústria petroquímica brasileira está alinhada às tendências mundiais. A consolidação ocorreu de forma coerente, e hoje o país tem dois players, a Quattor e a Braskem, com musculatura para enfrentar a concorrência internacional.”

Para o dirigente da Adirplast, a distribuição deve seguir o mesmo rumo. Dessa opinião compartilha o gerente-comercial de polímeros da Unipar, Jaime Utrera. “O relacionamento entre as petroquímicas e seus distribuidores tende a evoluir à medida que as definições e objetivos ficarem totalmente transparentes”, afirma.

Utrera acredita, no entanto, que a consolidação da distribuição ainda demandará um tempo. “De um lado, temos os parceiros oficiais e do outro, os revendedores e importadores. Com este cenário, deveremos demorar algum tempo para efetivar a consolidação”, lamenta.

Marcelo e Marcos Prando, diretores da Replas, já observam a redução no número de distribuidores. “Em torno de cinco para cada petroquímica. E, no futuro, o mercado poderá ser ainda menor”, diz Marcos.

Setor revigorado – Consolidação e internacionalização são dois focos do setor de distribuição. À frente da presidência da nova Piramidal, maior distribuidora de resinas plásticas do Brasil, Cataldi anunciou o projeto de internacionalização da companhia. A empresa, cuja escala alcança 100 mil t/ano, detém 20% do mercado local de distribuição. “A nova Piramidal nasceu em 2008, mas começou a ser construída dez anos antes.”

O primeiro passo, em 1998, ocorreu com a compra da Ruttino. Em 2004, os sócios Cataldi e Amauri dos Santos fundaram a Polimarketing. “Nessa ocasião já tínhamos a percepção de que o mercado, em algum momento, exigiria um setor de distribuição em linha com as petroquímicas consolidadas. E a nova Piramidal, fruto da fusão entre Piramidal, Ruttino e Polimarketing, nasceu com esse perfil.”

O grande objetivo é transformar a empresa na principal distribuidora das Américas até 2013. “É um plano ousado, mas assim como as ações anteriores, a internacionalização será fruto de muita pesquisa de mercado e de um trabalho sério.” Na avaliação de Cataldi, esse é o futuro da distribuição.

Dificilmente a Piramidal vai se instalar sozinha fora do Brasil, e a associação com uma empresa estrangeira faz parte da estratégia. O foco inicial são os países da América Latina e, na sequência, os Estados Unidos. “Qualquer empresa hoje tem de ter muita mobilidade, desde que isso não crie conflitos com os seus parceiros locais.”

O movimento contrário também ocorreu com a entrada de grandes grupos estrangeiros no país, como a SM, importante player da Europa, e a Entec, maior distribuidora do mundo. Em 2007, outras fusões e aquisições começaram a redesenhar o setor de distribuição brasileiro, como a união de forças entre a SPP Resinas e a Clion, e as mudanças na composição acionária da Mais Polímeros, anunciadas em PM, edição de fevereiro de 2008.

O diretor-geral da Activas, Laércio Gonçalves, também concorda que o setor de distribuição caminha para a consolidação. “Assim como o petroquímico, diminuiu em quantidade e ganhou escala, participação e organização”, afirma. E não deve parar por aí. “A perspectiva ainda é de diminuição de agentes distribuidores de commodities com bandeiras, cabendo a estes outras oportunidades em nichos específicos de mercado.” Ele ressalta ainda que a relação com a petroquímica melhorou muito nos últimos anos. Mas ainda há muito trabalho pela frente para a consolidação efetiva do formato da distribuição. “Antes éramos clientes da petroquímica; e hoje somos parceiros.”

Em 2009, a consolidação do mercado químico e petroquímico deu à luz a uma nova marca, com décadas de experiência no setor de distribuição, a quantiQ. Tudo começou quando a Petrobras, o grupo Ultra e a Braskem fecharam acordo para a aquisição dos negócios do grupo Ipiranga, em 2007. A marca Ipiranga e a rede de distribuição de combustíveis nas regiões Sul e Sudeste ficaram com o grupo Ultra.

Na ocasião, foi acordado um prazo de dois anos para a mudança de identidade da maior distribuidora brasileira de produtos químicos e petroquímicos, sob o controle acionário da Braskem. Os projetos para 2009 incluem maior cobertura do mercado, aumento da produtividade da equipe e foco no relacionamento com os clientes. “Cada vez mais os distribuidores assumem maior importância estratégica na execução dos planos de negócios dos produtores”, afirma o gerente da unidade de negócios da quantiQ, Fabiano Bianchi.

Mercado – Em agosto de 2008, os preços internacionais das resinas atingiram o maior nível histórico. Com o barril de petróleo cotado a 150 dólares, o polietileno (PE) e o polipropileno (PP) superaram a casa dos dois mil dólares a tonelada. Quando o petróleo começou a cair por causa da crise, os preços recuaram rapidamente no mercado internacional, mais dinâmico. “No Brasil, caíram numa velocidade diferente, e hoje estão equilibrados em relação à cotação internacional”, afirma o presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas (Adirplast), Wilson Donizetti Cataldi.

Em dezembro, uma tonelada de PE ou de PP, na média, custava 700 dólares. Em março, os preços se estabilizaram em mil dólares a tonelada. “Quando se faz todos os cálculos, os preços internacionais começam a ficar equilibrados em relação ao mercado local.” Na avaliação de Cataldi, o ano pode ser bom para o setor, que espera crescer entre 5% e 6%. “Todos terão de fazer a lição de casa para manter suas empresas numa realidade de mercado, quanto a custos e competitividade.”

Para o diretor-geral da Activas, Laércio Gonçalves, embora mais equilibrados, em relação ao último trimestre de 2008, os preços ainda não alcançaram a média do ano anterior. “Existe uma tendência de recuperação. Mas só com bola de cristal para saber qual o ponto correto, vide as cotações do barril de petróleo e da nafta, além de outros insumos. Cada mercado tem suas peculiaridades.”

Contrariando os prognósticos, a Activas cresceu 20% nos três primeiros meses de 2009 em relação ao mesmo período do ano passado. “Se há consumo, nosso objetivo é atender à demanda, e não ficar de braços cruzados, e sim buscar novas oportunidades de negócios. A reação gera resultados; a passividade, a inércia. Escolhemos claramente a primeira opção”, afirma Gonçalves. Entre os efeitos da crise, ele cita a escassez de crédito para o transformador. O gerente da unidade de negócios da quantiQ, Fabiano Bianchi, destaca o impacto da crise no resultado financeiro das empresas. “A distribuição foi afetada pelo custo de inventário acima do preço de mercado.” Ele afirma ainda que o setor trabalha, já há algum tempo, com margens bastante reduzidas. “Isso foi realidade em 2008, e permanece como perspectiva para 2009.”

Para o transformador, um dos primeiros impactos foi a escassez de crédito, que em muitos casos afetou o capital de giro. Para evitar a inadimplência, o varejo de resinas optou por renegociar dívidas. “Aumentou o número de solicitações de renegociações de prazos para efetivação dos pagamentos. Mas a partir de março o mercado industrial voltou a uma normalidade de crédito”, diz Bianchi.

A retração dos lucros ainda preocupa. “O mercado de distribuição operou em 2008 com margens extremamente reduzidas, e ainda não há cenário para recuperação”, afirma o diretor da Fortymil, Ricardo G. Mason. Mas ele não descarta a possibilidade de aumentos. “A diferença é que lá fora os preços despencaram de uma só vez e voltaram a subir em janeiro. Aqui a queda foi gradativa, mas já estamos no limite quando comparado aos preços internacionais e custos de insumos. O aumento deve realmente ocorrer”, diz Mason.

Segundo o gerente-comercial de polímeros da Unipar, Jaime Utrera, o mercado de distribuição sofreu forte retração, entre 20% e 30%, no início deste ano, no comparativo com o mesmo período de 2008. Na alta de preço das resinas, os transformadores esgotaram seus estoques e operaram no limite da reposição dos mesmos, aguardando a melhor oportunidade para voltar a comprar. “Março apresentou um desempenho melhor, visto que o preço demonstra já ter chegado ao limite. As perspectivas de aumento devem ajudar o mercado a se ‘reestocar’, mesmo que moderadamente.”

Plástico Moderno, Resinas - Distribuição - Bens de consumo salvaguardam o mercado varejista de resinas, que prevê ano de bons negócios
Marcelo (esq.) e Marcos Prando, diretores da Replas

A baixa liquidez refletiu-se na demanda e também aumentou a inadimplência. A renegociação dos prazos de pagamento foi o recurso adotado pelos distribuidores. “Muitas empresas foram obrigadas a deixar de operar com bancos e tiveram que fazer caixa com seus estoques.”

O caminho inverso também foi necessário. “A Fortymil reduziu seus estoques e procurou trabalhar bem a questão do crédito de seus clientes.” De acordo com Mason, a diversificação das operações da Fortymil, que fornece reciclados, compostos e serviços de micronização, tingimento e outros, também favoreceu. “A área industrial ajuda a equalizar os momentos mais críticos.”

No primeiro trimestre, a Replas também registrou aumento nas vendas, porém com retração nas margens, em comparação com o mesmo período do ano passado. “A lucratividade caiu muito, mas esperamos melhoras para o segundo semestre”, avalia o diretor Marcelo Prando. Ele defende ainda que há espaço para a recuperação de margens e preços. “As cotações internacionais subiram um pouco e voltaram para o patamar do primeiro trimestre do ano passado.” Entre as estratégias para driblar a crise, o diretor Marcos Prando cita o controle do estoque, das operações financeiras e da inadimplência, que aumentou e já voltou a se estabilizar.

 

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