Resinas Termoplásticas: Demanda no país começa a emitir sinais de retomada

Não poderia ser diferente. A crise econômica afetou profundamente quase todos os ramos da atividade econômica brasileira, da fabricação de automóveis às embalagens.

O mercado brasileiro de resinas plásticas apenas acompanhou a tendência dos segmentos que as consomem. Há uma boa notícia, pelo menos. O comportamento das vendas de resinas plásticas no Brasil no início do quarto trimestre deste ano aponta uma ligeira recuperação em relação aos trimestres anteriores.

Essa variação positiva (que só poderá ser confirmada ao final do período) supera a sazonalidade típica, decorrente da proximidade do Natal e do verão, do aumento do consumo de bebidas carbonatadas e outros.

Luciano Guidolin, vice-presidente executivo da Braskem, apontou os indícios desse aquecimento de mercado e espera resultados melhores daqui para frente. “Há boas perspectivas de aumento do PIB em 2017 e isso puxará o consumo de resinas”, considerou. Ele observa que a crise atual é muito profunda – três anos de recessão em sequência, um fato inédito –, tornando possíveis variações positivas rápidas, mas isso apenas representaria voltar ao patamar anterior a 2013.

“Como a crise se arrasta há tempos e a cadeia de consumo toda sofre restrições de crédito, o volume de estoques de resinas em poder dos clientes é muito baixo, para não comprometer o capital de giro”, afirmou.

Caso se confirme a recuperação de demanda por artefatos plásticos, os transformadores precisarão se abastecer e recompor o inventário em termos mais robustos.

Guidolin explica que a entrega de muitos pedidos acumulados pode redundar em algum atraso, causado pelos problemas logísticos normais do país.

Fornecedores de Resinas e Aditivos plásticos

Situação diferente – Resinas Termoplásticas

O panorama de mercado observado por Guidolin neste ano guarda poucas semelhanças com o do início das dificuldades do setor, em 2012.

Plástico Moderno, Resinas: Demanda por termoplásticos no país começa a emitir leves sinais de retomada de atividade
Luciano Guidolin, vice-presidente executivo da Braskem

“Naquela época, era muito grande a convergência dos clientes para más perspectivas, ou seja, todos estavam sofrendo”, comentou.

“Em 2016, a convergência é menor, há clientes quebrados, mas também há transformadores obtendo lucros e investindo.”

O que define o sucesso de uma empresa hoje é associar liquidez financeira, eficiência operacional e capacidade de inovação.

O mesmo se verifica quanto à distribuição de resinas. “A participação dos nossos distribuidores no mercado continua sendo próxima de 20%, a crise não mudou esse percentual”, salientou.

No entanto, ele salienta que houve mudanças relativas, com o crescimento de alguns players e queda de outros.

Em 2016, o setor começou a colher os frutos do Plano de Incentivo à Cadeia do Plástico (PICPlast), criado pela Braskem e pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) para incrementar a qualidade e a competitividade da cadeia produtiva do plástico no médio e longo prazo.

As iniciativas do plano dizem respeito aos treinamentos dos profissionais, participação em feiras de negócios nacionais e internacionais, além de reforçar a exportação de transformados.

Iniciativas anteriores para incentivar as vendas aso exterior esbarraram na baixa escala de produção local, problema já superado, segundo Guidolin.

“O Brasil já conta com empresas de transformação de plásticos com capacidade técnica e produtiva para exportar, mas isso exige uma visão de médio e longo prazo, é necessário conhecer bem o mercado de destino e permanecer nele por algum tempo, para criar uma reputação favorável”, comentou.

No caso dos produtores brasileiros, eles são prejudicados pelos custos típicos do país, especialmente os ligados à eletricidade, mão de obra e tributos, além da taxa de câmbio que é determinante para o sucesso das iniciativas de comércio exterior. “É preciso ser muito eficiente para superar esses problemas, mas é possível”, afirmou. Ele entende que a exportação de produtos deve ser vista como um complemento da demanda doméstica, uma forma de tornar viáveis os investimentos em ampliação de capacidades.

Mercado de termoplásticos

A demanda agregada local para poliolefinas e vinílicos recuou perto de 8% em 2015, segundo Guidolin. Em 2014, a demanda permaneceu estagnada. “Começamos 2016 com a perspectiva de uma nova queda de 8% nas vendas internas, mas ao longo do ano percebemos uma tímida melhora e passamos a considerar uma queda menor, de 5%”, explicou.

Levantamento da Comissão de Resinas Termoplásticas da Abiquim (Coplast) apontou uma redução de 3,8% no volume geral de resinas (poliolefínicas, vinílicas, estirênicas e PET) vendido no Brasil.

Considerando também as importações desses materiais, a redução de vendas chegou a 7,4% em 2015 (tabela). Isso reflete a recessão econômica que assola o Brasil há três anos.

Em 2015, as vendas locais de PVC foram as mais afetadas entre as resinas fabricadas pela Braskem. Segundo Guidolin, isso se explica pela retração drástica dos investimentos em construção civil, o maior mercado do PVC, que consome tubos e perfis. A queda chegou perto de 15%. “Em 2016, a demanda pelo PVC continua recuando”, lamentou.

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Exportações de Resinas PET e Resinas PS

 

Polietilenos

Os polietilenos (a Braskem não mais detalha dos dados pelas densidades dos polímeros) perderam cerca de 8% das vendas internas em 2015, refletindo o desaquecimento da economia nacional. Neste ano, as vendas ainda estão declinando.

Polipropileno

O polipropileno, embora muito ligado ao setor automobilístico, registrou redução menor de vendas, da ordem de 5% no ano passado. Em 2016, a demanda se revela estável.

“O mercado brasileiro é muito grande, tem um enorme potencial de negócios para filmes, ráfia e plásticos técnicos para uso agrícola, tanto na área de produção quanto na armazenagem e transporte”, afirmou Guidolin. Esse setor foi menos afetado pela crise do que a atividade industrial.

Em tempos bicudos no Brasil, a Braskem aumentou suas exportações de resinas em 2015 e 2016, com destaque para os países da América do Sul, Europa e México.

Neste último, os polietilenos brasileiros foram usados para as operações de pré-marketing do complexo produtivo dessas poliolefinas que a companhia construiu no Estado de Vera Cruz, que entrou em produção em março deste ano. “Nossas plantas mexicanas são alimentadas com gás, o etano, e são muito modernas, portanto são altamente competitivas”, comentou.

Com isso, a Braskem está aumentando as vendas de polietilenos na América do Norte, atendendo aos peidos de clientes globais. Na região, antes da produção mexicana, a companhia só contava com produção de polipropileno nos Estados Unidos.

No Brasil, a produção de polietilenos aumentou com o aumento do suprimento de gás natural para as plantas da Baixada Fluminense, que sofreram restrição de abastecimento durante anos. “Agora conseguimos encher a fábrica, numa região com alto potencial para aumento de produção”, afirmou o vice-presidente. Há planos para duplicar a capacidade produtiva de polietilenos que dependem da garantia de suprimento de mais gás.

“Estamos sempre nos antecipando às necessidades de mercado, construímos uma unidade de produção de polietilenos metalocênicos na Bahia, inaugurada em 2015, ampliamos a oferta de PVC, temos projeto para desengargalar unidades de polipropileno no Brasil, entre outras iniciativas”, salientou.

A Braskem também melhorou sua produtividade, obtendo economias de despesas recorrentes da ordem de R$ 400 milhões, além de investir para diversificar as matérias-primas (para usar etano nos fornos de Camaçari) e introduzir inovações.

Comércio exterior de resinas plásticas

O corte nas vendas internas obrigou os fabricantes de resinas plásticas a buscar mercados em outros países. O Coplast, da Abiquim, registrou aumento de 31,9% nas exportações de termoplásticos, muito embora essas operações no âmbito do Mercosul tenham diminuído 6,1%.

As importações de resinas recuaram 16,6%. Com isso, o déficit comercial referente a esse segmento da indústria química encolheu para apenas 22,5 mil t.

Os dados enfatizam a queda de atividade econômica brasileira, não merecendo comemoração. Sem demanda interna, apesar de ter exportado mais, os produtores de resinas operaram com 80% de ocupação média de capacidades, índice considerado muito baixo para unidades de produção contínua de grande porte, embora tenha melhorado em relação a 2014, quando rodaram com a média de 78%.

PET

O caso do PET é mais dramático, pois a entrada em operação da Petroquímica Suape (da Petrobras), no fim de 2014, adicionou 450 mil t/ano às 550 mil t/ano da concorrente M&G, que já estavam no mercado.

A despeito disso, a demanda interna pelo PET – que era crescente até 2013, quando chegou a 620 mil t/ano – caiu em 2014 para 608 mil t/ano. Em 2015, a demanda local deve ter sofrido novo corte, chegando a 600 mil t, segundo estimativas de mercado. Em parte, essa queda de demanda interna se explica pela redução do peso unitário das garrafas de bebidas – cujas vendas estão em franco crescimento. Além disso, a variação cambial que desvalorizou o real reduziu um pouco a importação de transformados.

A Petroquímica Suape anunciou a operação parcial de suas instalações, como forma de reduzir custos e a oferta de mais resina para um mercado superofertado. Nesse quadro, as exportações de PET foram as que mais cresceram em 2015 (122,1%, segundo o Coplast). As importações de PET também caíram de 115 mil t em 2014 para apenas 51 mil t em 2015, como revelam os dados do Sistema Alice (Mdic). Em 2016, a tendência permanece a mesma, como indicam os dados de janeiro a agosto, que acumulam exportações de 134,5 mil t.

Poliestireno

No caso do poliestireno, as importações sofreram forte recuo desde 2014, quando entraram no país 31,3 mil t de resina. Em 2015, foram apenas 19,8 mil t, enquanto em 2016 (até agosto) entraram 8,9 mil t. As exportações se mantêm ao redor de 20 mil t/ano desde 2014, com pequenas variações.

Os analistas de mercado apontam uma tendência de redução global da oferta de derivados aromáticos, como o estireno, pelo fato de a maior parte da expansão de capacidades petroquímicas aproveitar gás (etano) como matéria-prima e uma parte da capacidade produtiva com base em nafta estar sendo convertida para gás.

Guidolin considera que o mercado brasileiro de resinas plásticas está aberto globalmente, sem apresentar restrições à entrada de produtos fabricados por concorrentes.

Tanto assim que, nas resinas em que atua, a sua participação de mercado se situa próxima de 70%, embora seja o único fabricante local de vários itens (com exceção do PVC). “O percentual de participação de importados no mercado brasileiro de resinas é mais alto do que o verificado na Europa e nos Estados Unidos”, afirmou.

A redução das cotações internacionais de petróleo e sua consequente influência baixista no preço da nafta petroquímica favoreceram a recuperação da rentabilidade das operações da Braskem no Brasil. A desvalorização cambial também contribuiu para melhorar a competitividade de toda a indústria local.

Guidolin se recorda da crise financeira dos EUA, iniciada em 2008, que derrubou a demanda mundial de resinas e provocou um ataque ao mercado brasileiro. “Naquela época, o real estava valorizado e houve um ingresso muito grande de resinas, mas isso já foi controlado”, afirmou. Mesmo porque a economia americana se recuperou.

Plástico Moderno, Resinas: Demanda por termoplásticos no país começa a emitir leves sinais de retomada de atividade
Balanço das Resinas Termoplásticas

Há muitas previsões de uma nova onda de excedentes de plásticos no mundo, puxada pela entrada em marcha de grandes unidades petroquímicas alimentadas com gás barato nos Estados Unidos, mas também com plantas no Oriente Médio e na Ásia.

“Espera-se que entre 2017 e 2019 o aumento de capacidades produtivas de polietilenos no mundo supere a evolução da demanda, ou seja, a dinâmica competitiva global vai mudar e o Brasil será afetado também”, avaliou. “Nós estamos preparados para competir”.

Na sua avaliação, não estão surgindo grandes capacidades de produção do PVC no mundo.

O polipropileno, embora não seja favorecido diretamente pelo shale gas, também registrará ampliação de oferta, especialmente na Ásia. “Já se fala em excedente de propeno nos Estados Unidos, obtido pela desidrogenação de propano; nós temos um projeto para ampliar a capacidade produtiva de PP naquele país, mas está suspenso, por enquanto”, comentou. Europa e China são os grandes mercados consumidores dessa resina.

 

Resinas – Vendas começam ano em alta

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