Resfriamento: Equipamentos mais eficientes aliviam a conta de água e de energia, com baixo investimento

Plástico Moderno, Dry cooler modular, da Mecalor
Dry cooler modular, da Mecalor
Plástico Moderno, Szegö: linha de produtos segue programa de melhoria contínua
Szegö: linha de produtos segue programa de melhoria contínua

Item extremamente relevante aos custos de alguns processos industriais, a água, além de cara, em várias regiões do país também tem seu abastecimento constantemente ameaçado, como já aconteceu no Estado de São Paulo há poucos anos (e ocorre, agora, em algumas áreas do Nordeste do país). Também é bastante elevado o custo da energia elétrica. Tais questões, por si só, justificariam a expansão do interesse em tecnologias cada dia mais eficazes para resfriamento da água industrial, utilizada na transformação de plástico em processos como o resfriamento dos moldes, entre outros.

Há, porém, um fator que, circunstancialmente, pode refrear a demanda pelas soluções capazes de otimizar o uso de água e energia: a conjuntura econômica brasileira, embora já emita sinais de melhoria, por enquanto não estimula grandes investimentos nas plantas industriais, muitas delas ainda com capacidades ociosas. Cabe então, aos provedores de tecnologias para resfriamento da água, desenvolvê-las buscando os mínimos ganhos de eficiência, sem elevar custos e preços, para se manterem competitivos nesse momento de mercado pouco aquecido e preparados para dias melhores.

Não é uma tarefa simples, mas os fabricantes dessas soluções vêm se dedicando a ela, como faz a Mecalor, onde atualmente é mantido um programa de contínua busca por melhorias nos produtos. Programa, aliás, muito abrangente: “Este ano, já revisamos toda a nossa linha de produtos, com foco em confiabilidade, engenharia de valor, redução de área ocupada na fábrica, eficiência energética e conectividade”, afirma János Szegö, diretor-presidente dessa empresa, cujo portfólio inclui chillers, termorreguladores, estabilizadores de temperatura de água, dry coolers modulares, unidades de ar seco, unidades de ar frio e trocadores de calor ar-água para extrusão de balão, entre outros itens.

Plástico Moderno, Jaqueline: condições econômicas ajudam a ampliar exportações
Jaqueline: condições econômicas ajudam a ampliar exportações

Entre os resultados mais recentes desse trabalho, Szegö destaca alterações em três modelos de sua linha de chillers MS, que passaram a ocupar área 30% menor, e tiveram custo reduzido em 40%. Mas houve também mudanças mais simples. “Trocamos as válvulas de toda a nossa linha chillers, essas válvulas agora vêm de um fornecedor cujos produtos têm muito mais qualidade”, ressalta o diretor da Mecalor.

Por sua vez, a Refrisat lançou, no início deste ano, o Data Log, sistema que disponibiliza em monitores, em tempo real, mais de quinze informações sobre a operação dos equipamentos, entre elas, pressão do ar e vazão da água. “Esse recurso possibilita a compreensão, controle e monitoramento de diversos dados de uma só vez”, enfatiza Jaqueline Pivato, diretora de marketing e internacional da Refrisat, empresa que ao mercado de resfriamento oferece unidade de água gelada, dry cooler, chiller, termorregulador, torres de resfriamento, trocadores de calor, entre outras soluções.

A Refrisat, prossegue Jaqueline, também renovou suas unidades de ar seco, cuja função é evitar a condensação de água em moldes de injeção e sopro de plástico. “Essa renovação melhorou vida útil e desempenho. Também tornou os equipamentos mais inteligentes: agora conseguimos programar seus sistemas de acordo com o processo de cada cliente”, afirma.

Duelo de soluções – Estivesse a conjuntura nacional propícia a investimentos mais intensos e mais constantes, a demanda por equipamentos de resfriamento de água otimizadores do uso de insumos provavelmente ampliaria de maneira significativa as vendas de dry coolers: afinal, teoricamente esse gênero de equipamento sequer consome água, nela circulando em circuito totalmente fechado, que também evita o recebimento de impurezas que posteriormente exigirão tratamento (como acontece quando o resfriamento é feito por torres).

O mercado ainda pouco aquecido resulta em uma realidade algo diferente: “São pouquíssimas as vendas de dry coolers, quase nem consultas temos sobre eles”, relata Hugo Matos, gerente comercial da Apema. “Pensa-se em dry coolers principalmente quando se vai construir, ampliar ou modernizar fábricas, coisas que não vêm sendo feitas no momento”, justifica.

Plástico Moderno, Resfriador de sistemas de óleo hidráulico fabricado pela Apema
Resfriador de sistemas de óleo hidráulico fabricado pela Apema

Mas setores tecnológica e financeiramente mais desenvolvidos, e com indícios mais evidentes de recuperação – caso da indústria automobilística –, já demandam principalmente dry coolers quando buscam equipamentos de resfriamento de água, garante Szegö, da Mecalor. “Em regiões como São Bernardo do Campo-SP (onde é forte a presença da indústria automotiva), o investimento nesse tipo de equipamento se paga muito rapidamente”, enfatiza. “Quando a água é captada de poços, o retorno desse investimento demora um pouco mais, mas mesmo assim o dry cooler é uma opção vantajosa; torres dão muito trabalho, por exemplo, com o tratamento da água e com incrustação de produtos químicos nos trocadores de calor”, acrescenta Szegö.

Plástico Moderno, Bassani: circuito fechado dá mais eficiência para as torres
Bassani: circuito fechado dá mais eficiência para as torres

E existem hoje soluções que, de certa forma, posicionam-se nos espaços intermediários entre os dry coolers e as torres abertas: caso das torres de circuito fechado, que de acordo com Renato Bassani, gerente de aplicações especiais da Körper, têm atualmente a primazia em demandas mais robustas de equipamentos para resfriamento de água industrial.

Relativamente às abertas, compara Bassani, as torres de circuito fechado possibilitam economia de aproximadamente 20% de água. Já comparativamente aos dry coolers, requerem maiores volumes desse insumo, mas em contrapartida consomem bem menos energia elétrica, e são entre 20% e 40% mais baratas. “Torres fechadas têm ótima relação custo/benefício”, afirma Bassani.

Mesmo tecnicamente, prossegue o gerente da Körper, uma torre de circuito fechado pode apresentar vantagens sobre um dry cooler, especialmente quando há necessidade de água em temperaturas mais baixas, inferiores a 35ºC, que exigiriam dry coolers enormes, inviáveis financeiramente. “Essas temperaturas mais baixas são importantes tanto para máquinas mais antigas quanto para outras que, embora modernas, não são adaptadas para as temperaturas tropicais”, ele diz. “No quesito quantidade, ainda vendemos mais as torres abertas, especialmente para transformadores menores, mas as torres abertas já têm maior representatividade em nosso faturamento”, acrescenta Bassani.

Plástico Moderno, Unidade de água gelada com tecnologia inverter, da Körper
Unidade de água gelada com tecnologia inverter, da Körper

Segundo ele, também cresce a procura por chillers equipados com inversores de freqüência, embora seu custo seja cerca de 20% superior ao daqueles que utilizam conversores: “Eles reduzem significativamente o consumo de energia, além de conferir mais precisão ao processo e prolongar a vida útil do equipamento”, justifica Bassani. A Körper lançou oficialmente esses chillers com inversores no início deste ano, integrando-os a um portfólio bem vasto de soluções para água, no qual há também dry coolers, torres abertas e fechadas, unidades de água gelada, chillers, termorreguladores, entre outros itens.

Outras evoluções – Na Apema, o portfólio de soluções para resfriamento de água inclui dry coolers e trocadores de calor para resfriamento das unidades hidráulicas das injetoras (além de condensadores e evaporadores vendidos para os fabricantes de chillers). Esses trocadores de calor podem ser refrigerados a água (casco e tubo) ou a ar.

Mais baratos, os trocadores tipo casco e tubo têm utilização mais disseminada, diz Matos. Em algumas situações, pode ser mais conveniente o trocador refrigerado a ar. “Por exemplo, quando a máquina na qual ele é colocado será instalada longe da tubulação de água; ou, então, quando toda a capacidade de resfriamento do dry cooler já está ocupada, quando há pouca água disponível, ou quando se usa água muito dura”, detalha o profissional da Apema.

Mesmo evoluções aparentemente muito pequenas – e à primeira vista até sem relação direta com a eficácia dos equipamentos – podem constituir diferenciais mercadológicos no atual contexto de competitividade da indústria de soluções para resfriamento de água industrial. Existe, diz Jaqueline, da Refrisat, quem hoje valorize o uso, nesses equipamentos, de gases refrigerantes alternativos àqueles que, pelas regras do Protocolo de Montreal, vêm sendo gradualmente banidos dos produtos industriais (como é o caso do R-22). “Fomos pioneiros no Brasil na substituição do R-22. Hoje trabalhamos somente com o R-407 e o R-410, além de outros gases ecológicos refrigerantes”, relata.

Plástico Moderno, Modelos de dry coolers fornecidos pela Refrisat
Modelos de dry coolers fornecidos pela Refrisat

Percebe-se também, complementa Szegö, da Mecalor, crescente procura por recursos de conectividade e de monitoração e controle dos equipamentos via web. “Nossos equipamentos saem da fábrica já com a possibilidade de controle remoto, bastando a colocação de um modem, ou, melhor ainda, de um cabo de rede”, destaca.

A opção entre uma central de água gelada e chillers individuais em cada máquina, pondera o diretor da Mecalor, deve resultar de análises caso a caso que, entre outros fatores, considerem custo dos equipamentos, da instalação de tubulações, custo operacional e área a ser ocupada pelos equipamentos. Mas as centrais de água gelada da Mecalor, ressalta, têm diferenciais que fazem dela alternativa mais interessante que os chillers individuais. “Um deles é a presença de bombas que mantêm a vazão constante em cada uma das máquinas, independentemente do número delas em operação. Outro, a possibilidade de acrescentar ao sistema, nas expansões futuras, chillers de qualquer tamanho”, detalha.

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