Registros de quatro décadas historiam expansão da indústria do plástico e os avanços conquistados em todos os elos da cadeia

Ao longo da primeira década do século, a Braskem, que passou a ter participação da Petrobras, fez uma série de aquisições e hoje é o grande nome do mercado entre as brasileiras produtoras de commodities. A companhia se transformou na maior das Américas e a oitava do mundo. Atualmente, produz mais de 16 milhões de toneladas/ano de resinas termoplásticas e outros produtos petroquímicos.

Em tempo: o Brasil ainda não conta com estrutura significativa de produção de plásticos de engenharia (Veja na tabela os principais fabricantes nacionais e as resinas produzidas). Também peca pela falta de fabricantes de aditivos e de outros produtos de química fina, usados para tornar possível a transformação.

Equipamentos – Até meados dos anos 80, a indústria brasileira de equipamentos contava com vários representantes. Muitas empresas nacionais, fabricantes de injetoras, extrusoras e sopradoras, além de equipamentos para outros tipos de transformação e periféricos, sobreviviam com certa dignidade. Também mereciam destaque as empresas multinacionais que construíram fábricas por aqui.

As coisas começaram a piorar no final da década de 80, com o elevado patamar atingido pela inflação. E se complicaram de vez no início dos anos 90, com a promulgação do Plano Collor, responsável por gigantesco confisco financeiro da população e gerador de forte recessão. A falta de encomendas fez muitas marcas tradicionais sucumbirem. Multinacionais fecharam suas unidades fabris brasileiras e passaram a trabalhar com escritórios de importação.

Para piorar a situação, a globalização ganhou fôlego a partir desse período e os equipamentos internacionais passaram a chegar com preços tentadores. O cenário se complicou no início deste século. A desvalorização do real causou problemas em especial para os fabricantes nacionais de injetoras, que passaram a conviver com a multiplicação das vendas de máquinas chinesas.

O aquecimento da economia ocorrido nos últimos anos deu um fôlego novo para os fabricantes nacionais. No ano passado, o setor apresentou faturamento nominal de R$ 1,12 bilhão, 53,3% acima do resultado de 2009. A comparação mais importante: as vendas cresceram 25% em relação a 2008, melhor ano dos últimos tempos. Os números são da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

O bom desempenho não esconde preocupações. O real supervalorizado continua sendo acusado pelos empresários como forte ameaça de desindustrialização da indústria de base. Sem falar em velhos problemas, como elevada carga tributária, juros estratosféricos e falta de canais de financiamento.

Uma menção especial merece ser feita para as ferramentarias. O Brasil conta com empresas bastante capacitadas para fabricar moldes de injeção e sopro. Também possui importantes fornecedores de componentes e acessórios, como porta-moldes. No caso dos moldes de injeção, mais uma vez a indústria asiática surge como forte ameaça. Em especial as matrizes chinesas, que chegam por aqui a preços e prazos bastante competitivos.

Fases distintas – A revista testemunhou o progresso do setor com reportagens atentas e saborosas. Ao longo dos anos, passou por atualizações voltadas para aperfeiçoar seu conteúdo. A começar pelo nome, que no número 22, em abril de 1973, passou a ser Plásticos & Embalagem. A adaptação se explica pelo enorme progresso do setor de embalagens verificado naqueles tempos.Plástico Moderno, Registros de quatro décadas historiam expansão da indústria do plástico e os avanços conquistados em todos os elos da cadeia

Com a medida, outros materiais ganharam espaço editorial, como papel, papelão, vidro, madeira e metais, todos largamente usados para embalar os mais diversos produtos. A iniciativa foi interessante. Causou, no entanto, fortes dores de cabeça aos jornalistas responsáveis pela publicação, atormentados pela tentativa de conciliar os interesses conflitantes das empresas do setor de plástico com as de matérias-primas concorrentes.

A partir do número 57, de agosto de 1976, com o desinteresse da Editora Abrilem publicar revistas técnicas, os títulos Química & Derivados e Plásticos & Embalagem ficaram sob a responsabilidade da recém-criada Editora QD, fundada pelos empresários Emanoel Fairbanks e Denisard Gerola da Silva Pinto. A transferência ocorreu após difíceis negociações. A transação até não saiu caro. Custou a cessão, pelo prazo de três anos, de duas páginas de anúncio em cada edição das duas publicações técnicas para a divulgação da incipiente revista Exame.

Após a mudança, para driblar as dificuldades surgidas na nova fase, os dois títulos passaram a ser publicados em conjunto. Seis anos e muitas reclamações dos leitores depois, eles voltaram a ser independentes em novembro de 1982. O retorno foi marcado pela alteração do nome do veículo, que passou a se chamarPlástico Moderno e coincidiu com a inauguração do Polo Petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul.

Nas páginas seguintes, vamos contar um pouco da história da evolução do setor de plásticos nas últimas quatro décadas. Vamos recordar algumas matérias marcantes sobre as evoluções das indústrias de matérias-primas, equipamentos e transformação. Para os mais antigos, chance de recordar os principais acontecimentos. Para os mais jovens, oportunidade de conhecer a evolução do setor. Para todos os leitores, um pedido de desculpas. Certamente, por problemas de falta de espaço ou por falha de edição, fatos importantes se encontram ausentes dos textos.

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