Registros de quatro décadas historiam expansão da indústria do plástico e os avanços conquistados em todos os elos da cadeia

Plástico Moderno, Registros de quatro décadas historiam expansão da indústria do plástico e os avanços conquistados em todos os elos da cadeiaNo Brasil – O desenvolvimento da indústria do plástico justificou as expectativas otimistas dos diretores da Editora Abril no início dos anos 70. A tecnologia ligada ao setor se desenvolveu de forma impressionante em todo o mundo. O avanço das matérias-primas e dos equipamentos possibilitou aos transformadores fabricar peças capazes de substituir outros materiais em aplicações no passado inimagináveis.

O Brasil acompanhou essa evolução a despeito das constantes crises econômicas ocorridas durante esses anos. Após o lançamento da revista, com exceção do início da década de 70, período chamado de “milagre econômico” – que começou a ruir com a primeira crise internacional do petróleo, em 1973 –, o cenário se mostrou dos mais complicados para os empresários realizarem investimentos com planejamento adequado.

Mesmo nos últimos anos, quando a prosperidade deu o ar da graça com maior constância do que nas décadas de 80 e 90, as dificuldades continuam. A grave crise econômica mundial iniciada no segundo semestre de 2008 é um exemplo. Problemas internos, como falta de infraestrutura, juros estratosféricos, carga tributária excessiva e valorização artificial do real são temas de constantes reclamações dos industriais. Estamos no final de 2011 e a ameaça de nova crise internacional está tirando o sono de muitos empreendedores.

Diante desse cenário, muitas empresas pioneiras, dos diversos nichos da indústria do plástico, sucumbiram ou foram incorporadas por outras. Marcas famosas deixaram saudades. Outras se mantiveram, fizeram história. Algumas, inauguradas nos últimos anos, marcam presença com sucesso no mercado. Não podemos nos esquecer da participação importante de multinacionais com plantas industriais no Brasil e dos importadores de máquinas e outros produtos, muitos ainda não fabricados por aqui.

Transformadores – Alguns dados dão ideia do salto para lá de significativo do setor nas últimas quatro décadas no Brasil. Em 1970, estimava-se o consumo per capita de plástico em 2 kg por ano. Em 2010, esse número foi de 30,5 kg, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). O total de empresas transformadoras em 1971 era estimado em 1,2 mil. Saltou para atuais 12 mil. Hoje, elas fabricam de micropeças, com peso de 0,01 g, a peças complexas de grande porte, caso dos painéis de automóveis ou de componentes de estruturas de aviões.

No ano passado, o consumo aparente de resinas plásticas no Brasil atingiu 5,9 milhões de toneladas, de acordo com a Abiquim. O número foi 20% superior ao de 2009, da ordem de 4,9 milhões de toneladas. É bom ressaltar que tal crescimento ocorreu em cima de um ano prejudicado pela crise internacional iniciada no segundo semestre do ano anterior. Em 2008, o consumo aparente havia sido de 5,2 milhões de toneladas.

A resina mais consumida foi o polietileno, responsável por 43% da demanda total, seguido pelo polipropileno, com 18%. Em torno de 52% da soma transformada foi destinada ao segmento de embalagens. Entre os processos, lidera a extrusão, com 44% do volume das resinas comercializadas, seguida pela injeção (36%) e sopro (14%).

A distribuição foi feita da seguinte forma: 70,6% desse volume foi comercializado de maneira direta pelos fabricantes, 18,1% foi importado e 11,3% das vendas foram feitas por meio de distribuidores, estes representando marcas nacionais e importadas. O potencial de crescimento continua animador. Nos países avançados, o consumo per capita gira em torno dos 100 kg/ano.

Plástico Moderno, Registros de quatro décadas historiam expansão da indústria do plástico e os avanços conquistados em todos os elos da cadeia

Matérias-primas – As primeiras empresas transformadoras de plástico pipocaram com alguma intensidade no país a partir da década de 40. As peças eram feitas de resinas celulósicas e formólicas, PVC e poliestireno produzido com monômeros importados. Nos anos 50 e 60, o desenvolvimento se intensificou. O fato de alguns segmentos industriais passarem a usar o plástico em maior escala fez empresários começarem a se mobilizar para intensificar a produção nacional dos insumos.

Em 1971, quando a revista foi criada, a produção nacional de matérias-primas era pífia. Uma fase mais próspera começou no ano seguinte, quando foi inaugurada a Petroquímica União (PQU), primeiro polo nacional do gênero. O empreendimento surgiu da parceria do grupo União, capital estrangeiro e governo – representado pela Petroquisa, subsidiária da Petrobras para o setor petroquímico que havia sido criada em 1967.

O modelo representado pela soma de esforços do capital nacional, estrangeiro e do governo, batizado de tripartite, persistiu nos anos seguintes e foi decisivo para o desenvolvimento do setor. Com esse perfil se tornaram realidade o Polo Petroquímico de Camaçari-BA (1978) e a sua central de matérias-primas, a Copene. Em seguida veio o Polo Petroquímico de Triunfo-RS (1982), acompanhado da central de matérias-primas Copesul.

As dificuldades geradas pelas constantes crises econômicas fizeram o governo apostar no capital privado para a expansão do setor petroquímico nos anos 90. Foram realizados leilões de privatização das fatias pertencentes ao governo das estruturas existentes. A PQU passou a ter o grupo Unipar como o maior acionista. O controle do polo baiano e o da Copene foram divididos entre várias empresas, entre elas o banco estatal baiano Econômico. O Polo de Triunfo e a Copesul foram adquiridos pelos grupos Odebrecht e Ipiranga.

Em julho de 2001, o Banco Econômico entrou em processo de liquidação e um leilão foi anunciado para vender a parcela da instituição financeira no polo baiano. Depois de duas tentativas fracassadas, o leilão se concretizou. O consórcio resultante da parceria dos grupos Odebrecht e Mariani fez a compra. Em 2002, os dois grupos criaram a Braskem, primeira empresa nacional a contar com plantas de produtos primários, usados como insumos das resinas, e secundários, as próprias resinas.

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