Região Sul – Consumo de resina em SC pode crescer o dobro da média do mercado nacional

Plástico Moderno, Região Sul - Consumo de resina em SC pode crescer o dobro da média do mercado nacional
Albano Schmidt, presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Estado de Santa Catarina

A terceira geração petroquímica dos três estados do Sul irá crescer com resultados interessantes em 2008. Juntas, processam aproximadamente 1,8 milhão de toneladas. Santa Catarina continuará a percorrer este caminho como o trem de alta velocidade. Se repetir o desempenho dos últimos anos, deverá exibir algo em torno de 14% em incremento no consumo de resinas, em relação ao ano passado, o dobro da média do setor em âmbito nacional. Detentor da segunda maior indústria de terceira geração petroquímica do país, na contagem por estado, SC processa 900 mil toneladas/ano de resinas em média. Aproximadamente 50% do volume transformado se origina de empresas voltadas ao fornecimento de produtos consumidos na construção civil, onde se contabilizam duas empresas com inserção no mercado global, a Tigre e a Amanco, além da Tecnoperfil, atualmente em franco desenvolvimento, todas com sede na região de Joinville, norte catarinense. Na Grande Florianópolis, no sul e no oeste predominam a extrusão de embalagens e descartáveis. Segundo o analista setorial Otávio Carvalho, da consultoria Maxiquim, especializada na coleta de dados e projeção do cenário petroquímico e de plásticos, a expansão agressiva da terceira geração petroquímica em Santa Catarina tira proveito justamente da recuperação da construção civil iniciada em 2006. Por conta desse desempenho, o menor estado em área do sul do país se consolida como líder regional nos processos de transformação de resinas e na contagem per capita (consumo de resina por habitante) como líder nacional disparado ao exibir índices europeus em matéria de consumo de plásticos.

Em uma palestra realizada em dezembro, para filiados do Sindicato das Indústrias de Material Plástico de Santa Catarina, técnicos da Maxiquim detalharam o cenário para 2008. Em primeiro lugar, os transformadores brasileiros terão de se preparar para uma situação de oferta mais concentrada nos próximos anos e estar atentos para problemas de oferta de energia e de resinas, pelo menos num curto prazo. Mas, de maneira geral, o ambiente de negócios no Brasil é positivo no médio prazo. No relatório da Maxiquim, a competitividade das empresas está pautada em vantagens tributária e incentivos, usuais no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Políticas agressivas estão em curso em Alagoas, Pernambuco, Bahia e Minas Gerais, como forma de atrair investimentos. Em 2007, crescimento importante foi verificado em diversos segmentos, tais como a construção civil, embalagens e componentes técnicos. Internamente, o aumento do poder de compra das classes populares e a melhor oferta de crédito a juros menores também poderão influenciar positivamente. Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Estado de Santa Catarina, Albano Schmidt, o segmento exibe características de pioneirismo combinadas com a vocação empreendedora de sua população. Por conta dessas duas variáveis, produz um crescimento sensivelmente maior em relação às demais regiões.

Plástico Moderno, Região Sul - Consumo de resina em SC pode crescer o dobro da média do mercado nacional
Dirceu Galléas, presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Estado do Paraná (Simpep)

“O setor de plásticos tem inegavelmente se mostrado como um segmento de elevados níveis de potencialidade para o progresso. Comparando-o com o de outros materiais é, sem dúvida, um dos que apresenta maior volume de novas aplicações, tendendo a substituir componentes para baratear custos e melhorar o desempenho, bem como a qualidade”, analisa Schmidt. Em sua opinião, a tendência vem emergindo a passos substanciais, e faz vislumbrar um horizonte promissor. Com isso, os integrantes da cadeia precisam se manter atualizados em todos os processos no campo tecnológico pleno. Do Paraná, vem a queixa. Dirceu Galléas, presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Estado do Paraná (Simpep), até acredita em crescimento, porém com ressalvas. Conforme o líder setorial, 2008 é um ano para se acreditar em resultados positivos. Contudo, Galléas, destila toda sua inconformidade com o aumento de impostos determinado pelo governo no começo do ano, como medida compensatória à extinção da CPMF no Senado. “A política desalinhada da cadeia produtiva, influenciada pelas ingerências governamentais incoerentes, tem servido como obstáculo para que o setor ingresse com maior velocidade no mercado global e ofereça condições de igualdade no campo competitivo internacional”, dispara o presidente do Simpep. Galléas aponta um ambiente de grande preocupação por parte dos transformadores do Paraná diante da carga tributária imposta ao segmento, centralização de fornecimento em dois grupos e monopólio da Petrobras.

O presidente do Simpep reclama ainda do surgimento de um oligopólio setorial de resinas, também com o descolamento de preços no mercado interno em comparação ao externo. “O Brasil tem o maior custo de polietileno do mundo, fragilizando nosso setor, que oferta mais produtos que a demanda, proporcionando guerra de preços e busca de alternativas nem sempre legais para sobrevivência; outro ponto negativo do setor é a guerra fiscal entre estados, em um setor já prejudicado, onde o lucro está chegando a um limite muito perigoso”, questiona. Galléas prevê que empresas menores poderão encontrar dificuldades para enfrentar a nova realidade da petroquímica nacional. Sem citar nomes, o presidente do Simpep aponta o fechamento de algumas empresas em 2007 e acredita que outras poderão ter o mesmo destino em 2008. “É importante lembrar que setor fraco é setor pobre, portanto, de guarda aberta para ataques externos”, dispara.

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Jorge Cardoso, presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Rio Grande do Sul (Sinplast) (Simpep)

RS quer exportar – Com R$ 200 milhões de investimentos em novas plantas, por conta da ampliação da fábrica de BOPP da Polifilms e de uma nova planta da Alçatec, empresa especializada em fios de alta resistência em polipropileno, a leitura do cenário no Rio Grande do Sul também é de otimismo, embora o estado ainda enfrente problemas. O poliestireno produzido em Triunfo é praticamente todo transformado em Santa Catarina, no chamado Vale do Descartável, em Criciúma, maior pólo produtor de copos, pratos e bandejas plásticas do país. O presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Rio Grande do Sul (Sinplast), Jorge Cardoso, acredita em um crescimento de 2%, acima do PIB nacional em 2008, ou seja, em torno de 7%, embora alguns analistas menos otimistas apontem um aumento de 5% em relação a 2007. Cardoso prevê que, se a Argentina continuar a recuperar sua economia, por fatores geográficos, os transformadores gaúchos poderão ingressar com vigor naquele mercado. No seu entendimento, o parque de transformação do país vizinho está obsoleto e há espaço para a exportação de toda ordem de produtos como embalagens, utilidades domésticas e peças técnicas.

O presidente do Sinplast observa que a crise energética é outro aspecto a ser colocado na balança como favorável para o escoamento da produção gaúcha rumo à Argentina. “Somos um estado distante dos grandes centros brasileiros. Por outro lado, o país vizinho pode ser um mercado atraente para os transformadores gaúchos”, analisa Cardoso. Quanto ao fator matérias-primas ele prevê ainda uma oferta maior de polipropileno e polietileno por conta da partida da planta da Braskem em Paulínia-SP e do aumento de produção da Suzano, além da maximização produtiva na Rio Polímeros. De acordo com o presidente do Sinplast, o setor poderá ainda se beneficiar com a queda de 8% dos petroquímicos no último trimestre de 2007, tanto pela grande oferta de algumas resinas como pela queda do dólar. “A base ainda está alta, porém o comentário é de que há um estoque violento de gás no Oriente Médio, capaz de favorecer a concorrência e melhorar os preços dos produtos ao longo da cadeia”, revela Cardoso. O Rio Grande do Sul consumiu 480 mil toneladas de resinas em 2007, um crescimento nominal de 4,2% na comparação com 2006. Quanto às resinas específicas do Pólo Petroquímico de Triunfo, foram consumidas 199 mil toneladas no ano, volume levemente inferior a 2006, quando esse consumo totalizou 204,8 mil toneladas. Além disso, em 2007, o RS representou 7,8% do que o Brasil consumiu em termos de resinas, um pouco abaixo dos 8,1% do ano anterior. Estes dois últimos dados, embora ainda não definitivos, motivam a diretoria do Sinplast a insistir na parceria com o governo do estado, para a instituição do Programa Geraplast, que tem como propósito o aumento da participação dos transformadores gaúchos no consumo nominal de resinas do pólo petroquímico local. Atualmente, os transformadores gaúchos compram 10% das resinas ofertadas em Triunfo/RS. Querem chegar a 25% nos próximos anos.

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