Refrigeração – Tecnologias privilegiam o corte no consumo de energia elétrica

 

Plástico, Refrigeração - Tecnologias previlegiam o corte no consumo de energia elétrica

Resfriar água e demais fluidos empregados em processos industriais pode ser opção ou exigência. Obrigatório mesmo é controlar o máximo gastando o mínimo. Oferecer equipamentos cada vez mais eficientes e econômicos tem sido o foco dos fabricantes de sistemas de resfriamento, principalmente quando se fala em consumo energético. Exatamente para atender a um mercado cada vez mais rigoroso, empenhado em reduzir custos e de olho nas tendências internacionais.

O Brasil conta com mais de uma dezena de fornecedores dos conhecidos resfriadores, chillers ou unidades de água gelada, entre fabricantes e importadores. Marcas nacionais e estrangeiras disputam o acirrado mercado dos plásticos. Porém, tais equipamentos têm vasto uso ainda nos setores gráfico, químico, petroquímico, alimentício, farmacêutico, de galvanoplastia, médico-hospitalar, aeroespacial e outros cujo uso de água a temperatura controlada é imprescindível ou visa a proporcionar melhorias. “Nossas máquinas podem ser utilizadas em qualquer processo industrial onde haja a necessidade de se retirar calor”, explica o vice-presidente para a América Latina da Piovan, de Osasco-SP, Ricardo Prado.

No caso da transformação de plásticos a função é o resfriamento dos moldes ou fluidos hidráulicos. Também podem auxiliar no desempenho de periféricos, como no caso dos sistemas de desumidificação de resina ou de dosadores de microgrãos com camisa refrigerada, entre outras aplicações. “As vantagens são similares em todos os casos, ou seja, o controle de processo e repetibilidade, ganhos de produtividade e melhoria do aspecto visual e dimensional das peças produzidas”, diz Prado.

O transformador tem de estar atento às exigências do processo e dos produtos finais, buscando alcançar a máxima eficiência com o mínimo consumo de recursos financeiros e ambientais. “Todos os processos de transformação de termoplásticos necessitam de resfriamento eficaz”, defende o diretor-geral da Mecalor, de São Paulo, János Szegö.

A explicação é simples. A conformação das resinas plásticas, nos mais variados itens e produtos, exige o aquecimento desses insumos a cerca de 200ºC (de 150ºC até 250ºC). “A exigência imposta pelo mercado de alta produtividade implica menor tempo de produção e, consequentemente, na necessidade de resfriamento rápido, controlado e eficaz do material processado.”

Reduzir o ciclo e o desperdício de material durante o set up da máquina ou ao longo do processamento e melhorar a qualidade das peças moldadas sob aspectos dimensionais e de aparência integram a lista de benefícios do resfriamento controlado, cujos resultados e ganhos variam caso a caso.

Bem dimensionados e empregados, os equipamentos garantem o que prometem. Compactos e fáceis de operar, adaptam-se aos diversos processos de moldagem. “As vantagens de um bom controle de temperatura podem ser conferidas na qualidade do produto final”, afirma a diretora-financeira da Megacal, de Mairiporã-SP, Priscila Perri.

Nos últimos anos, o setor registrou importantes investimentos na reestruturação das empresas e na modernização das linhas de equipamentos, buscando adequar tendências internacionais ao perfil tecnológico e de custos do mercado brasileiro, com resultados positivos. Boa parte dessas iniciativas estava exposta na Brasilplast 2009, de 4 a 8 de maio, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo (ver PM, edição 416, de junho de 2009).

A Mecalor apresentou modelo de chiller digital. “Trata-se de equipamento conceito no qual estão incorporadas todas as inovações tecnológicas do momento”, afirma Szegö. A iniciativa visou, segundo ele, demonstrar o perfil inovador da empresa. “A Mecalor continua sendo, após quase meio século de existência, a líder incontestável na aplicação e desenvolvimento de novas tecnologias”, defende.

De acordo com Szegö, alguns dos componentes do chiller digital ainda não têm preço que permita a comercialização em larga escala. “Todavia, chillers com condensador microchannel, válvulas de expansão eletrônica, refrigerante R-410A, controle automático da pressão de condensação pela modulação da rotação dos ventiladores e controle preciso de temperatura têm sido comercializados com muito sucesso, nem sempre com todos os recursos integrados em um mesmo equipamento”, explica.

Extrusão – Na extrusão de filmes (balão), a tarefa de resfriar o ar soprado é complementada pela ação de trocadores de calor, item de série na maioria das máquinas fabricadas no Brasil. Dentro desse contexto, a tradicional dobradinha chiller/trocador de calor se tornou obrigatória. Afinal, o emprego do ar em temperatura ambiente deixa o processo variável, além de aumentar as perdas e o tempo de ajuste de máquina.

Uma alternativa indicada pela Mecalor é o uso de unidades de ar frio (UAF) em substituição à dupla chiller/trocador de calor. “O uso de unidade de ar frio, programada para operar a 5ºC tem apresentado ganhos de até 25% na produtividade da extrusora, além de simplificar a operação e reduzir o espaço ocupado. Isto significa que o retorno do investimento ocorre em menos de seis meses”, afirma Szegö.

Plástico, diretor-geral da Mecalor, de São Paulo, János Szegö, Refrigeração - Tecnologias previlegiam o corte no consumo de energia elétrica
Szegö: unidade de ar frio substitui a dupla chiller/trocador de calor

A UAF da Mecalor foi concebida para atender extrusoras ou coextrusoras (tipo balão) com produções de 50 a 700 kg/h, com ou sem IBC (Internal Bubble Cooling), para o processamento de PEBD, PEAD, PEBDL, PVC, PP e PA. “No caso de extrusoras com IBC, a UAF possui duas saídas com controle independente de temperatura do ar.” A vazão de ar varia de 1.500 a 6.000 m³/h, com temperatura ajustável entre 5ºC e 25ºC, com condensação a água ou a ar.

Dentre as vantagens, Szegö cita a eliminação da etapa intermediária do resfriamento em cascata, na qual o refrigerante frigorífico resfria a água, que por sua vez resfria o ar. “A temperatura do ar que vai ao anel ou ao IBC é controlada com a altíssima precisão de ±0,5ºC, independentemente das grandes variações da temperatura ambiente, da umidade relativa do ar e da vazão do soprador controlado pela extrusora.”

Mais difundido na extrusão de filme (balão), o uso de resfriadores na extrusão de chapas e perfis também exerce grande influência no resultado final, e tem vasto campo para crescer. “O objetivo mais uma vez é o ganho de produtividade. O resfriamento rápido do perfil permite à extrusora trabalhar com sua capacidade máxima, garantindo que o material chegue frio no final da calha/banheira”, explica o gerente de aplicações especiais da Körper, de Jundiaí-SP, Roger

Plástico, Refrigeração - Tecnologias previlegiam o corte no consumo de energia elétrica
Para Camargo, a transformação incorporou o uso do refrigerador

Camargo.

Na avaliação de Camargo, o uso de resfriadores está difundido em todo o mercado de transformação de termoplásticos. “Os fabricantes têm melhorado e aperfeiçoado cada vez mais os equipamentos, adequando ainda os projetos de gabinetes, cada vez mais compactos.”

Empregados em maior escala na extrusão de filme, injeção e sopro, a tecnologia tem grande potencial de crescimento nos segmentos de termoformagem e rotomoldagem e extrusão de chapas e perfis. Na extrusão de chapas, as unidades de água gelada são usadas para resfriamento de calandras e cilindros. “As vantagens são a estabilidade dimensional e o processamento contínuo”, afirma o diretor-executivo da Tecnos, de Limeira-SP, Mauricio Beduschi.

Injeção e sopro – As aplicações e benefícios que as unidades de água gelada agregam aos processos de injeção e sopro de termoplásticos estão entre os mais difundidos e empregados. Ao acelerar o resfriamento da peça dentro do molde, favorecem a redução do ciclo e melhoram aspectos dimensionais e de aparência do produto final, tais como cor, brilho e rugosidade. Segundo Camargo, os ganhos relativos ao acabamento estão entre os principais benefícios do controle preciso da temperatura na injeção de plásticos de engenharia. “Além de garantir um padrão de processamento.”

Tecnologias adicionais ampliam ainda mais esses benefícios. “Utilizar água supergelada, na forma de solução de anticongelante a -5ºC, combinada a uma unidade de ar seco, aumenta a produtividade”, afirma Szegö. Segundo ele, a busca por ciclos menores em injeção e sopro levou muitos transformadores de plásticos a usar água com anticongelante no molde. “Um dos problemas é que a condensação do vapor d’água do ar ambiente causa o aparecimento de gotículas de água na superfície do molde.”

O problema foi solucionado com as unidades de ar seco (UAS). “Basta enclausurar a porção superior da injetora ou sopradora e interligar a UAS por meio de uma mangueira flexível. A barreira de ar seco criada é suficiente para impedir a condensação.” Entre os benefícios, cita 50% de economia de energia em relação às tecnologias que usam dissecantes, alta eficiência energética por meio de recuperação de calor, grande estabilidade de umidade do ar seco e efeito de secagem por refrigeração, entre outros.

Segundo Szegö, outra solução para ampliar ainda mais a produtividade e reduzir custos está na moldagem com temperaturas diferentes na placa móvel e fixa do molde, operação executada por um termochiller com dois fluxos independentes de água que permite aquecimento e refrigeração, na faixa entre -5°C e 90°C. “Em muitos processos de injeção plástica, usar temperaturas diferentes em cada uma das fases do molde pode representar ganhos significativos de produtividade”, diz.

Szegö destaca ainda o uso de termochiller para garantir a qualidade de impressão em máquinas flexográficas de 4 a 12 cores, independentemente das condições climáticas. O equipamento controla a temperatura da água do tambor, entre 20°C e 60°C, com precisão de ±0,5°C, e dos cilindros, entre 5°C e 20°C, com precisão de ±1,0°C, com reposição automática de água. “A vazão e a pressão da água em cada circuito são melhoradas em flexográficas.” A linha de equipamentos da Mecalor compreende ainda modelos de chillers desde 3.000 até 5.000 kcal/h e unidades móveis de água gelada (UMAG) de 5.000 até 60.000 kcal/h, entre outros.

Dentre os principais avanços tecnológicos, Szegö cita o aumento das capacidades do evaporador e do condensador, a modulação automática da capacidade dos equipamentos por meio de dois circuitos independentes de refrigeração, o desenvolvimento de central eletrônica exclusiva e patenteada para monitorar todos os componentes e assegurar baixo consumo de energia e o uso de válvulas de expansão eletrônicas, de bombas dinamarquesas e de ventiladores alemães com controle de velocidade.

Mais compactos – A diretora-financeira da Megacal ressalta outros dois avanços significativos. “Os equipamentos de refrigeração estão cada vez mais compactos e dotados de controle central mais interativo”, avalia Priscila. A linha de equipamentos da empresa possui controle lógico programável (CLP) com menu em português, facilitando a interação com o operador.

Cita ainda a adoção de bombas de alto rendimento e o baixo custo de parada e manutenção dos equipamentos. “Estamos

Plástico, Priscila Perri, diretora-financeira da Megacal, Refrigeração - Tecnologias previlegiam o corte no consumo de energia elétrica
Priscila destaca avanços como controle central mais interativo

sempre investindo em desenvolvimento e treinamento interno dos colaboradores.” A Megacal é uma empresa 100% nacional, que atua nas áreas de refrigeração e aquecimento industrial. Fazem parte da linha da unidade de água gelada: chillers, torres de resfriamento e aquecedores de água e óleo, com modelos para água até 160°C e óleo até 350°C.

Outra questão importante e sempre levada às mesas de reunião se refere à adoção de unidades independentes, que operam ao lado dos equipamentos ou em células de produção, ou de centrais de água gelada que abastecem diversos pontos simultaneamente.

Na maioria dos casos, as centrais são confeccionadas sem gabinete e instaladas em áreas isoladas ou casa de máquinas. Mais uma vez, cada caso é um caso, que deve ser avaliado sob diversos critérios. “A opção está sempre atrelada ao tamanho da planta e suas funcionalidades”, considera Priscila.

Dessa opinião compartilha o diretor-comercial da Metalplan, de Cajamar-SP, Edgard Dutra Jr. “Cada situação é muito específica e deve ser analisada nos detalhes com o cliente, não havendo uma regra geral. Por isso, investimos pesadamente na capacitação da nossa força de vendas, com engenheiros de aplicação com sólida experiência profissional”, afirma.

Em geral, o custo inicial é mais alto quando se investe em unidades individuais. “Porém o risco de parada de uma linha de produção inteira por problemas na unidade de água gelada é totalmente descartado”, alerta Camargo. Tal critério justifica, em alguns casos, a instalação de unidade de água gelada para grupos de máquinas.

Para exemplificar, Camargo cita o caso de um transformador que possui seis injetoras que necessitam de 7.000 kcal/h para a produção de 35 kg/h. “Em vez do cliente adquirir seis unidades de água gelada de 9.000 kcal/h ou uma de 45.000 kcal/h, ele utiliza duas unidades de 30.000 kcal/h cada com dois circuitos individuais de 15.000 kcal/h. Caso tenha problema em um circuito, os outros três continuarão operando e atendendo à demanda necessária.”

A linha da Körper contempla torres de resfriamento, resfriadores de líquidos de circuito fechado a ar e água, além das unidades de água gelada de 5.000 a 300.000 kcal/h, fabricadas com compressores tipo scroll, central eletrônica microprocessada, condensação a ar ou água, bomba centrífuga para utilização industrial e tubulação não oxidável, entre outros recursos. “Focamos os desenvolvimentos na redução do consumo de energia e das dimensões dos equipamentos,

Plástico, Mauricio Beduschi, diretor-executivo da Tecnos, Refrigeração - Tecnologias previlegiam o corte no consumo de energia elétrica
Beduschi orienta o cliente de acordo com a sua necessidade

a fim de ocupar o menor espaço possível na planta do cliente.”

O diretor-executivo da Tecnos, de Limeira-SP, Mauricio Beduschi também opina sobre o uso de central ou unidades individuais: “Cada caso deve ser estudado em função do regime de trabalho da fábrica. Para empresas que necessitam de maior flexibilidade no controle de temperatura por máquina, sugerimos a utilização de unidades individuais. Para os que possuem pouco espaço físico e limitação na rede elétrica, pode-se utilizar uma central de refrigeração, com a instalação opcional de termorreguladores para ajuste fino em cada máquina. No projeto, apresentamos aos clientes o consumo elétrico de cada opção.”

Para o supervisor de marketing da Refrisat, de Guarulhos-SP, Rafael Kenji Saito, o uso de unidades de refrigeraçãonão aumenta o custo para a empresa justamente porque tem a vantagem de individualizar os processos. “Assegura mais versatilidade ao layout de produção, e, se aliado à estratégia de automação, pode diminuir custos nos períodos de inatividade de determinados setores da empresa”, justifica.

Afirma ainda que as vendas de unidades individuais superam as de centrais de refrigeração, visto que a adequação ao processo do cliente é mais fácil, possibilitando novas compras conforme a necessidade atual e não seguindo um planejamento de expansão.

Mais modernos– Além dos controladores microprocessados inteligentes e de simples interação homem/máquina, os fabricantes citam outros avanços tecnológicos relevantes adotados nos equipamentos da linha, tais como novos condensadores e evaporadores, menores e mais eficientes, que favorecem a redução do consumo energético.

Plástico, Dutra, da Metalplan, Refrigeração - Tecnologias privilegiam o corte no consumo de energia elétrica
Dutra assegura maior durabilidade e economia

Segundo Dutra, da Metalplan, os compressores frigoríficos do tipo scroll, muito utilizados no  mercado nacional, são 20% mais econômicos em relação aos modelos tradicionais. “E muito mais duráveis.” A utilização de gases frigoríficos ecológicos é outro avanço tecnológico relevante (ver boxe nesta matéria).

A Metalplan fabrica unidades de água gelada com capacidades de 1.000 a 120.000 kcal/h, entre outros equipamentos como o ultrarresfriador de ar comprimido (-35°C). “Fornece ar comprimido supergelado para o aumento da produtividade do processo de sopro de plásticos.” Segundo o fabricante, a temperatura do ar comprimido de -35°C (-30°F) resfria rapidamente a peça soprada e também permite uma melhor qualidade do produto acabado.

O vice-presidente para a América Latina da Piovan, Ricardo Prado, destaca entre os maiores avanços o uso de compressores de velocidade variável, de motores de alto rendimento para bombas incluindo ou não variação da velocidade e, no caso mais brasileiro, a disseminação dos compressores scroll que, segundo ele, têm um bom rendimento em geral com um consumo energético apropriado.

A Piovan fabrica sistemas de resfriamento, como unidades de água gelada e chillers desde 5.000 kcal/h a 406.000 kcal/h. No Brasil, a linha vai até 190.000 kcal/h. Modelos de maiores capacidades são importados. “As principais características destas máquinas, além da possibilidade de condensação por ar ou água, é o rendimento energético. Foram projetadas para o menor consumo elétrico possível, de modo que atinjam as necessidades do exigente mercado europeu”, afirma Prado.

Todos os modelos estão disponíveis com compressores scroll. Em capacidades maiores também há versões com compressor a parafuso. “Dispomos também de linha especial para máquinas de pré-forma de PET, chamada PETChiller, que conta com compressores variáveis que se adaptam automaticamente à produtividade requerida pelo processo.”

Fazem parte da linha ainda os sistemas de resfriamento de água industrial em circuito fechado, os Dry Coolers e trocadores de calor para extrusão de filme tubular. “A Piovan trabalha para garantir o menor consumo energético possível, com máquinas de altíssimo rendimento.”

Na avaliação de Prado, o mercado de refrigeração industrial conta com boa demanda. A empresa estima aumentar o faturamento em relação a 2008, principalmente por causa da ampliação da participação no mercado local. A Piovan do Brasil exporta para o México, Chile, Venezuela, Costa Rica, Argentina, Peru, Colômbia e demais países da região.

Mercado – Os reflexos da crise econômica, desencadeada há um ano, ainda interferem nas vendas de 2009. “O mercado está se recuperando de um primeiro semestre muito difícil e de baixos investimentos”, diz Dutra, da Metalplan. Mas as previsões são otimistas. “O segundo semestre aponta uma recuperação e o ano pode encerrar com o mesmo nível de vendas do período anterior. Porém, há boas perspectivas de crescimento para 2010.” A empresa exporta desde 1995, e atualmente seus equipamentos chegam a todos os países da América Latina e Estados Unidos.

Segundo Dutra, a concorrência com os importados não é significativa. “Entretanto, os equipamentos italianos possuem alguma tradição no mercado brasileiro e os chineses sempre acabam chegando, de uma forma ou de outra.”

Dessa opinião compartilha Prado, da Piovan. “Sinceramente, na área de refrigeração não creio que exista alguma perda de mercado para importados, exceto no caso de grandes sistemas altamente especializados, nos quais os players mundiais também contam com boa estrutura no Brasil”, diz.

E justifica: “Os sistemas de refrigeração e unidades de água gelada têm seu maior rendimento atrelado a uma boa especificação e aplicação. Embora raramente exijam uma intervenção técnica, quando isto ocorre, ela deve ser feita por pessoal especializado. Por isso, não é simples importar e vender tais equipamentos. Uma parada de máquina de refrigeração para, com certeza, o processo produtivo, exigindo intervenção rápida, possível apenas para fornecedores bem estruturados no país.”

Na avaliação de Prado, o Brasil conta com a melhor estrutura de fabricação e suporte na área de refrigeração de toda a América Latina, com bons fabricantes, gente especializada e formação técnica. “Barreira natural aos vendedores de ocasião.”

Para a Megacal, 2009 começou abaixo das expectativas, mas recuperou o fôlego. “Agora trabalhamos a todo vapor. As vendas já registraram alta de 15% em relação ao período anterior, contra uma projeção de 30% que ainda deve ser alcançada”, afirma Priscila. Para 2010, a empresa projeta crescimento de 50%.

Hora de investir – Tempos de crise exigem mudanças, adequações. Mas em vez de recuar, as empresas do setor de refrigeração decidiram investir e se preparar para a retomada do mercado. “Em 2009, aproveitamos a crise, investimos cerca de 300 mil reais e mantivemos a equipe toda motivada e ocupada com novos desenvolvimentos”, explica o diretor-geral da Mecalor, de São Paulo, János Szegö.

O argumento é simples: “A redução de custos nunca deve por em risco a confiabilidade e a reputação alcançadas. A Mecalor promove o treinamento intensivo da equipe, e o Programa de Melhoria Contínua adotado pela empresa foi responsável pela implantação de 2 mil sugestões.”

Os investimentos nortearam as ações de praticamente todos os fabricantes do setor. A Piovan, de Osasco-SP, lança, em média, quatro novos equipamentos por ano, sem contar as soluções especiais. Segundo informações do vice-presidente para a América Latina, Ricardo Prado, os investimentos da companhia contemplam tanto a planta brasileira quanto a matriz, onde estão os dois times de desenvolvimento para o setor de refrigeração.

Com 23 anos de experiência no mercado de resfriamento de água e ventilação, a Körper, de Jundiaí-SP, apresentou sua primeira unidade de água gelada na Brasilplast 2009. “A equipe de engenharia de produto está atenta e em constante atualização para sempre ter o melhor produto disponível no mercado”, diz o gerente de aplicações especiais, Roger Camargo.

Plástico, Refrigeração - Tecnologias privilegiam o corte no consumo de energia elétrica
Água gelada da Kröper propicia menor consumo energético

A empresa assegura ainda o constante aperfeiçoamento das linhas, visando, entre outros ganhos, a redução do consumo energético. “A fábrica está sendo adaptada para o grande volume de vendas da unidade de água gelada, que superou todas as expectativas previstas no seu lançamento. Além disso, nossos produtos estão passando por um processo de redução de tamanho. Em alguns casos, ficando mais altos, porém menores nas bases para ocupar cada vez menos espaço nas plantas dos clientes.”

Casa nova – Uma das metas da Megacal, de Mairiporã-SP, para 2010 é a construção da nova sede. Nos últimos dois anos, no entanto, ações estratégicas realizadas com a equipe interna e os fornecedores já renderam bons resultados, como a redução de 30% nos custos e melhorias na qualidade dos produtos. “Solidificamos nossas parcerias”, comemora a diretora-financeira Priscila Perri.

A Tecnos, de Limeira-SP, já está de casa nova. A empresa trocou as antigas instalações, distribuídas em quatro prédios com 3.500 m², por sede com 8.000 m² de área construída. Com isso, unificou as unidades Tecnos Metais, Tecnos Laser e Tecnos Plásticos. Os investimentos contemplaram ainda a aquisição de máquinas de corte a laser, prensas e softwares, além da implantação da ISO 9.000/2008, e treinamento dos colaboradores.

Dentre as novidades, Mauricio Beduschi cita a ampliação da linha de unidades de água gelada, com condensação a ar e a água, que passou a contarmodelo para até 300.000 kcal/hora. “Com a melhoria e padronização dos processos produtivos, tivemos uma redução de custo entre 10% e 20%.”

Plástico, Refrigeração - Tecnologias privilegiam o corte no consumo de energia elétrica
Linha de água gelada ganhou modelos maiores

Montados em gabinetes com pintura eletrostática, os equipamentos possuem compressores herméticos tipo scroll, CLP para comando, tubulação hidráulica em cobre, facilidade de manutenção e controle automático de compressores, entre outras características. “O controle de temperatura é feito por meio de um CLP que realiza o revezamento de compressores minimizando o número de partidas por hora.”

Dentre os principais avanços registrados no setor, Beduschi cita a substituição do controle elétrico pelo elétrico/eletrônico e a adoção de gás refrigerante menos agressivo ao ambiente e de compressores scroll, priorizando a redução do consumo energético. “As proteções elétricas passaram a garantir maior segurança e as estruturas mais compactas, a redução dos custos.”

A empresa exporta desde 2003 para os países do Mercosul, e também importa alguns modelos. Na avaliação de Beduschi, o mercado nacional demanda maior volume de equipamentos de menores portes. “Graças a uma modernização e avanço tecnológico, o transformador tem apresentado uma tendência para as linhas de médio porte”, diz.

Nas contas do diretor-comercial da Metalplan, Edgard Dutra Jr., em 23 anos de mercado, a empresa de Cajamar-SP já instalou mais de 60 mil equipamentos no país, entre os quais cerca de 2 mil refrigeradores. Nos últimos dois anos, a empresa investiu mais de R$ 3 milhões em softwares, novos equipamentos e processos produtivos. “Elevamos a automação da empresa em níveis incomparáveis no mercado brasileiro”, assegura. A maioria dos componentes dos resfriadores é fabricada pela própria Metalplan.

Novo design – A Refrisat, de Guarulhos-SP, reformulou toda a linha de equipamentos, que ganhou novo design, entre outros benefícios, e reestruturou a produção. Os investimentos consumiram 5% do faturamento total, mas geraram 7% de redução nos custos totais. As novidades foram apresentadas na Brasilplast 2009.

Desde então, a empresa vem colhendo os frutos da iniciativa. “A terceirização parcial de alguns processos gerou consequências imediatas em 70% dos modelos de linha. Reduzimos o tempo de fabricação em pelo menos 40% em

Plástico, Refrigeração - Tecnologias privilegiam o corte no consumo de energia elétrica
Resfriador de ar da Refrisat para filmes

relação ao processo anterior”, explica o diretor-industrial, Carlos Pereira.

Segundo ele, esses resultados serão superados, uma vez que a estratégia, em fase adiantada, vai beneficiar, ainda em 2009, outros projetos que não foram contemplados. Com a terceirização, a operação interna está focada na montagem do equipamento. Além de mais modernos, compactos e com linhas arredondadas, os sistemas de água gelada e os termorreguladores ficaram mais econômicos, produtivos e eficientes, segundo a Refrisat.

As estratégias adotadas incluíram a total terceirização da produção dos gabinetes, utilização de componentes de última geração que consomem menos energia e o desenvolvimento de softwares para automação e maior autonomia para o equipamento. “Buscamos ainda a criação de um design moderno e arrojado, que agregasse valores tecnológicos, e fosse exclusivo de mercado”, afirma o supervisor de marketing, Rafael Kenji Saito.

Na avaliação de Pereira, a boa aceitação dos novos modelos se deve, entre outras coisas, à tecnologia de controle por CLP, às melhorias no desempenho aliadas ao baixo consumo de energia, além do design inovador do gabinete.

Saito ressalta ainda que a marca tem forte atuação em todos os segmentos do plástico. “Além de equipamentos-padrão, projetamos modelos específicos para cada processo solicitado, sendo esta qualificação técnica um enorme diferencial competitivo.” A empresa atua também em outros segmentos. “Por termos grande conhecimento do mercado de plásticos e diversos equipamentos específicos, este é o setor em que registramos maior participação, seguido do segmento médico-hospitalar e metal-mecânico”, diz Saito. Segundo ele, as vendas avançaram ainda nos setores laboratorial, com estufas e câmaras climáticas; de alimentos e bebidas, um mercado sempre muito forte; e também na indústria química e de cosméticos.

A Refrisat fabrica sistemas de água gelada com condensação a ar e a água, cujas capacidades variam de 5.000 a 480.000 kcal/h. Faz parte da linha de equipamentos, o termorregulador quente/frio, com sistema de refrigeração e aquecimento em gabinete único, para dois pontos de consumo com temperaturas diferentes, e que utiliza água como meio circulante e possui duas saídas com temperaturas controladas de 5°C a 25°C e de 5°C a 90°C.

Na Brasilplast, a empresa apresentou o aparelho gerador de ar frio (RA) para a extrusão de filme tubular, com controle preciso da temperatura. O equipamento opera por sistema de refrigeração direta por meio de gás refrigerante. Segundo o fabricante, a temperatura é controlada e estabilizada no fluxo de ar frio com excelente precisão, melhorando a transparência, o brilho e as características dimensionais do filme.

Dentre os principais avanços tecnológicos e benefícios adotados na linha de equipamentos, Saito ressalta as melhorias no quadro elétrico, com padrões construtivos e de identificação internacionais; no gabinete, mais compacto e acessível para manutenção; e a adoção de componentes que garantem melhor rendimento, como o condensador e a coifa do ventilador. Destaca ainda o novo CLP. “Permite diagnósticos precisos e automação. A programação do equipamento pode auxiliar na redução de gastos por inatividade de processos, tempo ganho em tomada de ação caso ocorra alguma falha e ganho de desempenho do equipamento adequado ao processo”, assegura Saito.

CFCs e HCFCs – Substitutos dos clorofluorocarbonos (CFCs), os HCFCs (hidroclorofluorocarbonos) também estão com seus dias contados. Menos agressivos, os HCFCs surgiram como uma opção ao CFC, cujo uso foi proibido por causa do alto potencial de destruição da camada de ozônio. Os países signatários do Protocolo de Montreal, assinado em 1987, entre eles o Brasil, decidiram antecipar os prazos de eliminação dessas substâncias, a partir de 2013. Esse acordo foi firmado em 2007.

Desde então, o Brasil adotou um programa de eliminação em respeito aos novos prazos que determinam o congelamento do consumo e produção dos HCFCs em 2013, com base no consumo médio de 2009-2010; redução de 10% do consumo em 2015; 35% em 2020; 67,5% em 2025; 97,5% em 2030 e eliminação do consumo em 2040.

Para auxiliar as indústrias usuárias de fluidos refrigerantes e ampliar a discussão sobre o tema, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) está promovendo uma série de seminários em todas as regiões do país. De acordo com dados divulgados pelo MMA, a redução do consumo de HCFCs afetará diversos setores industriais, entre eles os de refrigeração e ar condicionado, espumas, solventes e extinção de incêndio. No ano de 2007, o consumo de HCFCs no país foi de 1.545,2 tonelada. Deste total, 53,8% corresponde ao consumo de HCFC-22 e 45,1% ao consumo de HCFC-141b.

Diversos refrigerantes clorados, tais como o R-11, R-12, R-22 e R-502, foram produzidos sem restrições até o início da década de 80. Após a assinatura do protocolo, começaram a surgir os substitutos ecológicos chamados hidrofluorocarbonos (HFC’s), como o R-134a, que substitui o R-12 em geladeiras, e o R-404a, alternativa para o R-502, muito utilizado em freezers. “O refrigerante por excelência para chillers era, e continua sendo, o R-22. Trata-se de um CFC com índice de degradação da camada de ozônio vinte vezes menor que o do R-12”, defende o diretor-geral da Mecalor, János Szegö. Assim como os demais usuários de fluidos refrigerantes, os fabricantes de unidades de água gelada terão de se adaptar à nova realidade do mercado mundial, e já começaram a fazer a lição de casa. Muitas empresas adotam fluidos refrigerantes ecológicos em suas linhas de equipamentos.

Os mais usados são o R407c e o R134a. “Nos equipamentos produzidos no Brasil, oferecemos os fluidos R407c e R22. Nos itens importados, o R407c, R134a e R410”, diz o vice-presidente para a América Latina da Piovan, Ricardo Prado. As opções também fazem parte da linha dos demais fabricantes nacionais. “Atuamos com os gases convencionais de mercado e toda a linha de gás ecológico, seguindo uma tendência mundial”, afirma a diretora-financeira da Megacal, Priscila Perri.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios