Refrigeração: Mais economia de energia

Clientes querem mais economia de energia e água na produção

Um primeiro semestre com metas atingidas, tanto na cadeia do plástico, quanto em outros setores, e uma segunda metade do ano sujeita a incertezas, mas com perspectivas razoáveis de geração de negócios: em linhas gerais, é essa a conjuntura de mercado relatada pelos fornecedores de sistemas de refrigeração e resfriamento de água industrial. Visando aproveitá-la da melhor maneira possível, eles seguem estruturando uma oferta que atenda de maneira sempre mais incisiva à demanda de seus clientes por tecnologias que consumam menos energia, ocupem menos espaço nas plantas, e contenham mais recursos de conectividade.

Ao menos duas dessas demandas – redução do consumo de energia e do espaço ocupado –, são ressaltadas nos mais recentes lançamentos da Körper: a linha de chillers KRC, com capacidades no patamar de um milhão de kcal/h, e os dry coolers FCA+, que podem chegar a 1,3 milhão de kcal/h. Capacidades, ressalta Hamilton Lista, diretor técnico da Körper, que tornam esses equipamentos próprios para servirem como unidades centrais de refrigeração e resfriamento de água.

Unidades centrais, diz Lista, ganham espaço crescente na cadeia do plástico e em outros segmentos da indústria usuários de água resfriada e/ou refrigerada.

Refrigeração: Mais economia de energia ©QD Foto: Divulgação
Lista: sistemas centrais podem ocupar área menor no cliente

“Elas geram vantagens como menor consumo de energia e facilidade de manutenção, além de ocupar menos espaço, pois podem ser instaladas do lado externo das fábricas”, justifica.

Multinacional de origem italiana, presente nesse mercado com a marca Aquatech, o Grupo Piovan também coloca a redução do consumo de energia entre as prioridades no desenvolvimento de seus sistemas de resfriamento e refrigeração de água: caso da linha Slim, de chillers concebidos para utilização individual nas máquinas, recentemente reforçada com novos modelos que, além de acrescentarem novas capacidades – hoje, entre 20 kW e 180 kW –, trazem multicompresssores, no lugar de um compressor único.

Multicompressores, explica Ricardo Prado Santos, CEO do Grupo Piovan na América do Sul, permitem escalonar de maneira muito mais precisa a utilização do equipamento, para disponibilizar apenas a potência demandada em um determinado momento, em vez de operar continuamente a plena capacidade.

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Prado: expectativas otimistas de vendas até o fim do ano

“Isso significa ganho de energia”, destaca. E os multicompressores, complementa Santos, já eram utilizados na grande maioria dos chillers da Aquatech, como nos integrantes de sua linha TR, que também seguem recebendo melhorias: entre elas, a recente adoção de painéis de controle touchscreen.

A Aquatech, prossegue Santos, também vem desenvolvendo muitos projetos especiais de refrigeração e resfriamento de água: por exemplo, chillers dotados de painéis adiabáticos, que umedecem e resfriam previamente o ar que resfriará a água, para ambientes com temperaturas muitas altas; ou ainda, dotados de bombas com velocidades variáveis. “Tudo isso tem como foco o aumento do rendimento energético”, ele enfatiza.

Refrigeração – Equipamentos sem óleo

Também enfatizando soluções energeticamente mais eficientes, a Mecalor hoje disponibiliza a linha de chillers Smardt Oil Free, que dispensam o uso de óleo, pois trabalham com mancais magnéticos; conseguem assim, afirma Sergio Sanchez, gerente de vendas do segmento industrial, reduzir o consumo de energia, minimizando também a necessidade de manutenção e mantendo os mesmos índices de eficiência ao longo dos anos. “É um produto premium, ainda mais voltado para máquinas de grande porte”, observa Sanchez.

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Chiller Smardt com turbocompressor, fornecido pela Mecalor

Atualmente, a Mecalor também distribui os termorreguladores da marca suíça HB-Therm. “São equipamentos da mais alta qualidade, fornecidos com resistência elétrica sem contato com o fluido e com garantia vitalícia, circuito hidráulico sem reservatório, bomba com inversor de frequência, proporcionando significativas reduções nos custos operacionais”, detalha Sanchez.

Na Apema, o portfólio inclui dry coolers, comercializados com a marca Hydro Cooler; mas a empresa tem presença relevante no mercado da refrigeração e resfriamento de água como fornecedora de trocadores de calor utilizados em chillers de diversos fabricantes. E, de acordo com Luan Máximo, engenheiro de vendas da empresa, cresce bastante a demanda por trocadores de calor do tipo micro canais.

Refrigeração: Mais economia de energia ©QD Foto: Divulgação
Máximo: uso de microcanais reduz consumo de refrigerante

“Relativamente ao casco e tubos, um trocador micro canais reduz bastante a necessidade de gás refrigerante, e também pesa muito menos: por exemplo, um micro canais de 20 TRs (Tonelada de Refrigeração), pesa quase cinco vezes menos que um casco e tubos com a mesma capacidade”, explica. “Há grande migração do tipo casco e tubos para o micro canais”, acrescenta.

Os dry coolers Hydro Cooler, diz Máximo, têm demanda ainda restrita principalmente a clientes multinacionais, pois no Brasil são ainda vendidas muitas torres de refrigeração, embora elas consumam volumes muito maiores de água. “Mas isso é questão de tempo, à medida que avança a consciência ambiental vai crescer a demanda por dry coolers, que também disponibilizam água de muito melhor qualidade e reduzem enormemente a necessidade de tratamento dessa água”, argumenta.

Refrigeração: nos dry coolers, Apema produz a linha Hydro Cooler
Refrigeração: nos dry coolers, Apema produz a linha Hydro Cooler

 

Conjugando esforços


Além de aprimorar suas tecnologias, empresas que disputam esse mercado também estruturam estratégias capazes de ampliar sua competitividade: uma delas, expressa na joint venture criada no final do ano passado, reunindo a multinacional de capital italiano Frigel, com uma fábrica em Jundiaí-SP, e o grupo HBR, controlador da Refrisat.

Como efeito dessa parceria, a Frigel passa a atuar no Brasil apenas com dry coolers e termochillers, dedicando-se a Refrisat a chillers, torres de resfriamento de água, termorreguladores, entre outros equipamentos.

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Souza: ferramenta Mind pode se integrar ao ERP do cliente

“Para o cliente, não muda nada, as duas empresas seguem normalmente operando”, ressalta Douglas Eduardo de Souza, diretor comercial da Frigel na América Latina.

Na última K, a Frigel lançou uma versão denominada Syncro de sua linha de termochillers, comercializados com a marca Microgel. Um termochiller, explica Souza, combina as funções de um chiller com a de um termorregulador – cuja função é controlar a temperatura dos moldes –, e normalmente trabalha fornecendo água continuamente; por sua vez, o Syncro sincroniza o seu funcionamento com a injetora, permitindo vazões variáveis de água de resfriamento conforme cada etapa do ciclo de injeção. “Com isso, há melhor controle do acabamento superficial, redução das tensões pós-injeção, e principalmente redução do ciclo de injeção”, ressalta Souza.

A Frigel também está colocando no mercado a série LDK, de dry coolers com capacidades variando entre 3 milhões e 30 milhões de kcal/h. Capacidades muito grandes, dificilmente encontráveis em transformadores de plástico, ao menos aqui no Brasil. “Mas são capacidades usadas em setores como as indústrias de bebidas e medicamentos”, observa Souza.

Agora parceira da Frigel no mercado brasileiro, a Refrisat tem, entre os mais recentes integrantes de seu catálogo, a linha de chillers MiniB, mais compactos e de construção mais simples, não contendo CLP nem válvulas de expansão eletrônica. “São equipamentos para plantas de transformação com menores exigências, ou para resfriar um único ponto de uma injetora”, explica Evaldo Lopes de Oliveira, coordenador comercial da empresa.

A linha SAT é a linha de chillers premium da Refrisat, e seus equipamentos incluem tanto CLP quanto válvula de expansão eletrônica, que relativamente à válvula termostática proporciona economia de energia de até 14%, além de ajudar a proteger o compressor. “São máquinas para clientes mais exigentes e plantas maiores, de médio e grande porte”, diz Oliveira.

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Linha SAT, da Refrisat, conta com dispositivos avançados

Conectividade em alta

Além de menor consumo de energia e de espaço ocupado, conectividade e integração dos sistemas de resfriamento e refrigeração aos demais equipamentos são demandas também priorizadas pelas empresas do setor. Nesse quesito, a Refrisat desenvolveu um sistema que permite “espelhar” o chiller na máquina transformadora, ou seja, é possível controlá-lo a partir da IHM (Interface Homem Máquina) da máquina.

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Oliveira: chillers MiniB visam pequenos transformadores

“Já temos acordos para esse espelhamento com um fabricante de injetoras e outro de extrusoras”, relata Oliveira. “Mas atualmente também é possível monitorar e controlar remotamente nossos chillers”, acrescenta.

Na Aquatech, afirma Santos, os equipamentos estão todos prontos para os recursos de conectividade e de gestão remota (alguns casos já incluem esses recursos de série). “Com eles, oferecemos também serviço de manutenção preventiva e monitoramento dos equipamentos, já utilizados por alguns clientes, embora ainda não pela maioria”, diz Santos.

E a Frigel batizou como Mind a ferramenta de monitoramento e a gestão remota de seus equipamentos. Comercializado como opcional, esse software, diz Souza, já é solicitado pela grande maioria dos clientes focados em produtos de maior qualidade e com plantas dotadas de mais recursos tecnológicos. “Ele pode ser integrado ao ERP das empresas”, enfatiza Souza.

A Mecalor lançou este ano a tecnologia NEO, que permite o monitoramento remoto dos equipamentos e intervenções também remotas, sem necessidade de conexão com a rede local do cliente, pois os dados são transmitidos por uma linha de telefonia móvel para o servidor do sistema, e depois disponibilizados via internet. “Essa tecnologia foi incluída em nossa linha de chillers RL”, relata Sanchez.

Também a Körper segue investindo no incremento da conectividade e da comunicação remota de suas tecnologias. “Todos os nossos equipamentos podem ter conectividade. Ela ainda é exigida por poucos clientes, até porque tem um custo; mas esses custos baixam cada dia mais”, observa Lista.

Versões mais silenciosas de dry coolers também estão sendo desenvolvidas pela Körper, que agora também fornece atenuadores de ruídos que podem ser instalados em seus equipamentos. “Pela necessidade de atender às normas, ou para não incomodar vizinhos de suas operações, as empresas hoje se preocupam muito com a questão do ruído”, afirma Lista. “E nossa tecnologia Smart Control, lançada há cerca de um ano, consolida-se cada vez mais”, acrescenta, referindo-se a um sistema que liga e desliga automaticamente a bomba responsável pelo acionamento do sistema úmido das torres de circuito fechado disponibilizadas pela empresa, fazendo com que elas atuem como se fossem dry coolers quando as temperaturas ambientes estiverem baixas, reduzindo significativamente o consumo de água.

Linha Aquatec busca melhor rendimento energético
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Resultados e perspectivas no setor de refrigeração

No primeiro semestre, os volumes de vendas atenderam às expectativas dos fabricantes de soluções de resfriamento e refrigeração de água. Alguns notaram sinais de arrefecimento da demanda nos meses finais desse período, e agora visualizam incertezas no restante do ano; mas há também quem projete um segundo semestre até mais aquecido.

Integra-se a esse segundo grupo Oliveira, da Refrisat, que relata um primeiro semestre de metas atingidas, com bons volumes de vendas especialmente nos meses de março e abril, a partir de contatos realizados na Plástico Brasil. “Creio que o segundo semestre será até melhor que o primeiro”, projeta Oliveira.

A Apema, diz Máximo, registrou no primeiro semestre, relativamente ao mesmo período de 2022, crescimento de 15% nas vendas realizadas no mercado da refrigeração; consequência, em grande parte, do fornecimento de componentes para chillers. “É um índice ótimo de crescimento; mas não tem a ver apenas com a indústria do plástico, os fabricantes de chillers atuam também em outros setores”, ressalta.

Para a Piovan, afirma Santos, o ano “está sendo bom”, com bons volumes de negócios em segmentos como extrusão e embalagens. “Apenas no segmento de autopeças há mais oscilações”, detalha. “E não vejo nada que possa turvar as perspectivas do segundo semestre, minha perspectiva é positiva também para o restante do ano”, acrescenta.

Há, porém, quem se mostre menos otimista quando avalia as perspectivas do setor até o final de 2023. Caso de Sanchez, da Mecalor, que informa o registro, no início do ano, de expansão dos negócios em segmentos com o sopro, principalmente na produção de embalagens para o agronegócio; mas mesmo esse segmento mostra-se agora menos aquecido. “Posso sinalizar que teremos um cenário complicado para os próximos meses, com expectativa de retomada para o final do ano”, diz Suarez.

Refrigeração: cenário de incertezas

Lista, da Körper, qualifica o segundo semestre como “uma incógnita”, apesar um primeiro semestre “muito bom” para sua empresa. “Senti um desaquecimento nos meses finais do semestre e fica difícil prever o que acontecerá no restante do ano”, pondera.

Essa análise é compartilhada por Souza, da Frigel. “Difícil projetar o que virá agora, mas no primeiro semestre atingimos nossas metas, embora tenhamos observado alguns recuos nos meses finais”, diz. Há nesse mercado, prossegue Souza, uma demanda muito intensa pela customização dos sistemas para as necessidades específicas de cada planta, em um processo que pode gerar não apenas economia de insumos, mas também elevação da capacidade de produção.

Para ilustrar tal afirmação, o profissional da Frigel cita o exemplo de um transformador com um chiller central para resfriar a água de toda a planta, que, caso trabalhe com moldes e/ou resinas diferentes, precisará colocar essa água refrigerada nas temperaturas próprias para cada uma de suas máquinas, dispendendo inutilmente energia, tanto com o chiller, quanto na transposição da água que ele gela para as temperaturas específicas de cada uma dessas máquinas.

Nesse caso, pondera Souza, talvez seja melhor tirar o chiller central, passar a utilizar um dry cooler e colocar termochillers individuais nas máquinas. “Com isso, ele não desperdiça água gelada, o custo com energia desaba, e ele passa a ter a temperatura exata para cada máquina”, argumenta. “Muitas vezes essa customização permite ampliar a capacidade de produção sem a necessidade de investir em uma nova linha”, finaliza o profissional da Frigel.

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Para informações sobre sistemas de refrigeração, consulte o Guia QD, a maior plataforma de compra e vendas do setor. Confira torres de resfriamento de água, chillers, trocadores de calor e muito mais.

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