Reforços – Aparente marasmo tecnológico é contraposto por pesquisas inovadoras de empresas do país

Plástico Moderno, Reforços - Aparente marasmo tecnológico é contraposto por pesquisas inovadoras de empresas do país
O PP com madeira já é o usado em peças de automóveis

A Artegor iniciou seus trabalhos de olho na indústria automotiva, para quem o PP com fibra de madeira já é uma matéria-prima bastante utilizada. Essa combinação produz melhora em várias propriedades mecânicas do polímero, interessantes para revestimentos internos de automóveis, como as laterais de portas e o porta-pacotes, além de algumas outras peças, como o tapete do porta-malas. Em comparação, por exemplo, ao PP reforçado com talco, a resina com madeira possui melhor resistência à temperatura e à flexão. Isso não é verdade para o polímero reforçado com fibra de vidro, mais resistente que o polímero reforçado com fibra natural, mas Albuquerque argumenta que o produto da Artegor tem melhor reciclabilidade, reforçando o apelo ecológico da fibra natural. E como as peças automotivas para as quais o PP reforçado com fibra natural se destina costumam ser revestidas, o acabamento superficial não representa maior problema.

Com o tempo, a empresa percebeu a possibilidade de utilização de outras fibras, pois suas máquinas podem processar outros insumos vegetais, e não apenas madeira. Além disso, as outras fibras poderiam ter seu uso ligado tanto ao reforço que proporcionam quanto à aparência – nesse último caso, com maiores requisitos para o acabamento superficial, que o químico sênior classifica como bom. O coco e a cana surgiram como alternativas por estarem em estágios mais avançados de fornecimento e poderem ser utilizados no processo da Artegor. Eles são usados principalmente para aplicações com requisitos de aparência (as fibras ficam visíveis na peça final), embora a fibra de cana proporcione propriedades mecânicas quase tão boas quanto as oferecidas pela fibra de madeira. “No caso de produtos de aparência, o que os clientes buscam são os apelos visual e ecológico. Empresas que produzem cosméticos valorizam muito esse tipo de apelo”, explica Albuquerque. As aplicações podem ser a produção de painéis para o revestimento de divisórias, embalagens ou o uso em forros, substituindo materiais como o PVC. Aliás, em 2008, a Artecola adquiriu o controle da MVC, uma fabricante de componentes plásticos do grupo Marcopolo, e é possível que a segunda fabrique peças com o produto da Artegor.

Para os transformadores das chapas, a mudança entre fibras de madeira, coco e cana não traz muitas modificações, exceto as temperaturas de processo. Para o fabricante das chapas também não há grandes diferenças, mas a extrusora precisa ser dupla-rosca, a fim de homogeneizar adequadamente as fibras no polímero, processo um pouco mais difícil no caso de fibras naturais. O reforço também precisa ser alimentado na máquina em ponto mais à frente que a alimentação de resina e aditivos, pois as fibras não resistem tão bem às altas temperaturas da extrusão.

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A Artegor emprega fibras de madeira, de cana e de coco

A Artegor tem possibilidade de utilizar diversas outras fibras, restringida apenas pelas dificuldades de fornecimento, casos de juta e sisal. O sisal representaria um problema adicional, pois é utilizado na forma de fibras longas, e a Artegor produz, hoje, apenas compostos de fibras curtas. O químico sênior da empresa crê que haveria demanda no mercado brasileiro por fibras naturais mais longas, com comprimento ao redor de 10 mm, para aplicações em que hoje são utilizados apenas metais. Para produzir esse tipo de material, a companhia precisaria modificar o sistema de dosagem de suas máquinas, dado que a alimentação gravimétrica não se ajusta a fibras longas, que exigem alimentação forçada.

Além das chapas, a joint venture produz um composto para injeção, que pode ser utilizado na fabricação de cadeiras, ou cepas de sapatos. As características de injeção do PP reforçado com fibra de madeira se assemelham às do material puro, e os ajustes necessários para a transformação do composto são poucos. Há uma diferença na contração da peça, e o ciclo de injeção também se altera, mas, em geral, para intervalo de tempo menor. A empresa ainda fabrica compostos de PP reforçados com fibra de madeira para a produção de contrafortes e couraças de calçados, que são utilizadas pela Artecola ou vendidas no mercado.

Para reforçar o sentido ecológico do material que produz, a empresa pratica, com muitos de seus clientes, uma política de compra das sobras dos seus processos produtivos, que são recicladas na fábrica de Tatuí-SP. Apenas o resíduo conhecido, originado da produção da joint venture é adquirido, e reutilizado na produção de novos produtos. Com a sedução que a palavra sustentabilidade provoca nos mercados, a produtora de plásticos reforçados pretende lançar, ainda em 2009, compostos de ácido poliláctico (PLA, um polímero biodegradável) para injeção e extrusão de chapas. O produto está em fase final de desenvolvimento.

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