Reforços – Aparente marasmo tecnológico é contraposto por pesquisas inovadoras de empresas do país

A reação entre o sal quaternário de amônio e o mineral é uma reação de troca iônica, portanto o processo de fabricação da argila não é como um simples revestimento das partículas. O sal quaternário não fica apenas adsorvido na superfície do mineral, mas ligado quimicamente à superfície interna do material. Os íons de cargas mais baixas, até +2, são trocados preferencialmente, e como as trocas influenciam nas características do produto final, uma das propriedades importantes a ser determinada é a composição da argila, para que se conheça a incidência dos cátions metálicos mais relevantes para a reação de troca iônica.

A incorporação da argila ao plástico se dá por processos convencionais de extrusão com dupla-rosca e, em alguns casos, até com rosca única, ou processos de injeção. A eficiência da esfoliação está ligada à taxa de cisalhamento intrínseca de cada tipo de máquina. O desafio é descobrir as condições de processo que levam ao ponto ótimo da esfoliação.

Para o uso dessas organoargilas, é preciso a quebra do conceito de que quanto maior a quantidade de material particulado, melhores serão as propriedades, porque a organoargila tem uma quantidade ótima, acima da qual o incremento do teor em massa não provoca mais benefícios. O formulador, porém, costuma ter a ideia de que aumentar o teor eleva as propriedades, até um ponto em que elas começam a piorar. A vantagem da organoargila está justamente no fato de que é possível obter propriedades até equivalentes utilizando-se um teor menor de carga. O pensamento comum, segundo Costa, de que a adição de carga provoca a redução de tenacidade do material, prejudicando a resistência ao impacto, também não se aplica às organoargilas, que, em certos teores, melhoram a tenacidade do produto final. Esses fatos exigem do formulador que queira usufruir da organoargila maior conhecimento. Em alguns termoplásticos, a temperatura de deflexão térmica (HDT, em inglês) pode aumentar em até 40ºC, um valor muito significativo do ponto de vista técnico. O módulo de elasticidade do produto final, bem como a barreira a gases, de uma forma geral, também são influenciados positivamente, e o índice de fluidez costuma se alterar, tanto para cima quanto para baixo. Argilas altamente esfoliadas podem, ainda, levar a peças com menor contração, mesmo contendo cadeias muito orientadas.

Os mercados de embalagens e os de plásticos antichamas não halogenados (principalmente para fios e cabos e aplicações eletrônicas) poderão ser consumidores importantes da organoargila. As petroquímicas nacionais, que têm investido em produtos nanotecnológicos, também poderiam se interessar pelo produto, que talvez tenha custo mais atrativo que as organoargilas importadas. Mas o sucesso do produto dependerá da superação da barreira de conhecimento, relacionada com a utilização de um novo material. Para quem topar a mudança, a principal alteração está relacionada com as condições de processo, em particular, a taxa de cisalhamento (ligada à velocidade de rotação da rosca) adequada. Ao contrário do que a intuição pode sugerir, nem sempre as velocidades serão aumentadas, pois nos casos de resinas muito carregadas, o próprio teor elevado de cargas contribui para tornar a esfoliação mais fácil. As argilas utilizadas para modificar plásticos são pouco abrasivas, e não demandam tratamento especial das roscas e do canhão. A mudança do perfil da rosca, no entanto, pode ser necessária para produzir resultados melhores.

Outra família de produtos que pode chegar ao mercado pelas mãos da Itatex é um mineral mimetizador sintético e também híbrido, contendo substâncias orgânicas, mas sobre o qual Costa diz apenas que há estudos em desenvolvimento.

Plástico Moderno, Liane Lanzoni, diretora de vendas e marketing da unidade de negócios automotivo e linha branca, Reforços - Aparente marasmo tecnológico é contraposto por pesquisas inovadoras de empresas do país
Liane: sem saia-justa por conta do timing com pouca sorte

Espantando a crise – Com a entrada de sua nova linha de produção de compostos de PP logo após o início da crise e uma clara preocupação para preencher rapidamente, tanto quanto possível, a capacidade das novas máquinas, a Borealis Brasil vai a campo atrás de alternativas.

Não existe, nas palavras de Liane Lanzoni, diretora de vendas e marketing da unidade de negócios automotivo e linha branca, da empresa instalada em Itatiba-SP, nenhuma saia-justa da unidade brasileira com o grupo, em razão do investimento de cerca de R$ 18 milhões para a expansão da capacidade instalada que, a rigor, no momento não é necessária para o mercado brasileiro. Mas, o fato é que a indústria automobilística não desistiu de seus planos de longo prazo para o Brasil, e o país se mantém como plataforma de exportação mundial de algumas das montadoras. Como as ideias para minimizar os efeitos de crises sempre passam por novas alternativas de aplicações, e a Borealis já havia iniciado a incursão em novos usos para seus compostos de polipropileno, a empresa vai continuar nessa direção, apesar da sensível redução na ocupação da capacidade instalada, desde outubro do ano passado.

Página anterior 1 2 3 4 5Próxima página

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios