Economia

Reciclagem, uma das alternativas na recuperação de resíduos

Jose Ricardo R. Coelho
26 de junho de 2020
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    Plástico Moderno - Reciclagem, uma das alternativas na recuperação de resíduos ©QD Foto: iStockPhoto

    Plástico Moderno - Reciclagem, uma das alternativas na recuperação de resíduos

    Parte da Economia Circular, a reciclagem é fundamental na cadeia produtiva do plástico, pois se apresenta como uma das alternativas para a recuperação de resíduos, permitindo retornar ao ciclo diversos resíduos plásticos pós-consumo. No Brasil, esse mercado tem ganhado cada vez mais corpo e está em evidente crescimento. Em uma década (2008-2018), quase dobrou o número total de empresas recicladoras de plástico – foi de 564 para 1073, empregando hoje mais de 10 mil pessoas no país.

    Para se fortalecer, a indústria do plástico trabalha com vistas a um ambiente homogêneo e unificado.

    Em 2012, nasceu a Câmara Nacional dos Recicladores de Materiais Plásticos (CNRPlas), que reúne representantes dos setores de reciclagem de material plástico e de transformação do material reciclado de todo o Brasil. O grupo realiza reuniões bimestrais, abordando temas e assuntos pertinentes ao tema da reciclagem.

    Devido ao crescimento da indústria de reciclagem de plástico, a CNRPlas notou a importância da criação de critérios técnicos para avaliar o setor, com o objetivo de gerar mais confiabilidade na indústria e seus respectivos produtos, além de estimular a competitividade. Assim, a Câmara concebeu o Selo Nacional de Plásticos Reciclados (Senaplas), para identificar e valorizar as empresas recicladoras (Senaplas Empresa) e os produtos reciclados com maior qualidade (Senaplas Produto).

    O Senaplas Produto atesta as propriedades da resina reciclada – densidade, índice de fluidez, temperatura de amolecimento ou fusão e/ou módulo de flexão –, assegurando que o processo segue os padrões internacionais de qualidade. É um exemplo de como a resina reciclada tem progredido e alcançado qualidade e alto desempenho, dada a sua versatilidade de aplicação nos mais diversos setores – construção civil, automotivo, indústria de alimentos e bebidas.

    Os aditivos para plásticos reciclados vêm para atestar com esse desempenho. Compatibilizadores, antioxidantes, neutralizantes, lubrificantes, dispersantes, entre tantos outros produtos, corroboram com o objetivo de tornar as propriedades das resinas recicladas cada vez mais semelhantes às das resinas virgens. A finalidade é atingir, gradualmente, mas de maneira contínua, os mais distintos consumidores, introduzindo os reciclados em aplicações de maior valor agregado, mantendo o valor dos recursos, colocando em prática o princípio primeiro da Economia Circular.

    Já há alguns anos, a indústria do plástico vem se adaptando cada vez mais ao novo modelo, com iniciativas para estimular a reciclagem e a Economia Circular. A Abiplast promove ações e atitudes para que mais associados e parceiros entrem nessa onda positiva.

    Rede de Cooperação para o Plástico

    Além do Senaplas, em abril de 2018 a Abiplast promoveu a criação da Rede de Cooperação para o Plástico. Primeira iniciativa brasileira a contemplar diversos elos na cadeia produtiva do plástico, tem como foco principal ampliar a Economia Circular dessa indústria. Entre os participantes estão os associados da Abiplast (recicladores e transformadores), a indústria petroquímica, a indústria de bens de consumo, o varejo, as cooperativas de catadores e gestores de resíduos.

    Coalizão Embalagens

    Ao lado de 13 associações empresariais, a Abiplast integra a Coalizão Embalagens, responsável por elaborar e firmar o Acordo Setorial de Embalagens em Geral com o Ministério do Meio Ambiente (MMA). Assinado em novembro de 2015, o acordo tem como principal objetivo ampliar a reciclagem de embalagens pós-consumo no Brasil. A Coalizão conta com a participação de associações representativas dos produtores, importadores, usuários e comerciantes de embalagens.

    Plástico Moderno - José Ricardo Roriz Coelho é presidente da ABIPLAST

    José Ricardo Roriz Coelho é presidente da ABIPLAST

    A economia da reciclagem

    Dados da Fundação Instituto de Administração (FIA), da FEA-USP, mostram que 25,8% (dados de 2016) das embalagens plásticas e produtos equiparáveis são reciclados. Se os 74,2% restantes fossem reciclados, estima-se um impacto econômico positivo de aproximadamente R$ 11 bilhões.

    Mudança na tributação

    Um dos principais desafios para fomentar o setor da reciclagem é a mudança na legislação tributária. Hoje, os produtos reciclados são duplamente tributados, o que encarece o processo e a cadeia. É urgente colocar em pauta o debate sobre o sistema tributário. n

    José Ricardo Roriz Coelho é presidente da ABIPLAST – Associação Brasileira da Indústria do Plástico e do SINDIPLAST – Sindicato Indústria Material Plástico Estado São Paulo, e vice-presidente da FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo

    Texto: José Ricardo Roriz Coelho



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