Reciclagem

Reciclagem: Restrições chinesas abrem caminho para mudanças

Plastico Moderno
7 de abril de 2020
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    A ReNew ELP lidera o processo tecnológico e está no estágio final de desenvolvimento da primeira de quatro linhas de reciclagem química, para 20 mil t/ano cada. Ela aplica a tecnologia própria Cat-HTR que, segundo o diretor Richard Daley, “adota um processo inédito de hidrotratamento, usando água em estado supercrítico para quebrar os polímeros e gerar substâncias químicas e óleos úteis, de alto valor”.

    O processo da ReNew é alimentado por resíduos plásticos que são rejeitados pela reciclagem mecânica, como filmes flexíveis multicamada, sendo portanto um complemento a esse processo tradicional.

    O editor sênior da Icis Mark Victory considera que “a reciclagem química é a melhor em teoria, mas há problemas com o custo e faixa de aplicação. O método também enfrenta os mesmos desafios da coleta de resíduos e ainda levará de cinco a dez anos para que exista uma recuperação química em larga escala, em uma visão otimista”.

    Victory também aponta um grande problema: a coleta de resíduos não é suficientemente grande. As autoridades municipais no Ocidente perderam recursos financeiros desde a crise econômica de 2009 e a infraestrutura desse serviço não acompanhou a evolução e a complexidade do setor de embalagens. O problema aumentou com a decisão da China de não mais receber o lixo plástico de outros países. Isso levou ao aumento da taxa de contaminação dos resíduos plásticos nos países ocidentais de 25%, em 2009, para 35%, hoje, no caso do PET.

    “Temos apenas 18 meses para apresentar uma solução para isso”, alertou Hodges. “Se não o fizermos, os donos das grandes marcas mundiais nos dirão: ‘veja, nós temos um compromisso com os consumidores de acabar com esse problema até 2025 e vocês não estão se mexendo, então nós precisamos fazer alguma outra coisa’. Então, o problema precisa ser resolvido em cinco anos e nós ainda não sabemos o que fazer”, disse.

    Ele sente que os donos de marcas precisam ter certeza de que o problema dos plásticos estará endereçado até 2025 e querem garantias de que a indústria participará do esforço global. “Precisamos dizer para eles que nós escolhemos a melhor tecnologia, o modelo de negócios e também as fontes de financiamento, portanto, confiem em nós, vamos entregar a solução e vocês podem entregar o que prometeram”.

    Helen McGeough, analista sênior para plásticos da Icis, explicou que “embalagens plásticas estão muito mais complexas do que nunca, as embalagens modernas foram além da funcionalidade para se tornarem ferramentas de marketing, mas nós precisamos voltar para um passo anterior, mais simples, e estimular a aplicação de conceitos de reciclagem desde o design”.

    Plástico Moderno - Reciclagem: Restrições chinesas abrem caminho para mudanças

    DOIS CENÁRIOS PARA A DEMANDA CHINESA POR PE (em milhões/t)

    Ela salientou que a União Europeia editou a Diretiva de Plásticos Descartáveis que exige taxas mais altas de coleta para garrafas de PET do que a registrada em 2018, de 63%. “A taxa de coleta varia muito em cada país da UE, bem como há uma falta de padronização do PET reciclado e isso representa desafios e também oportunidades”, considerou.

    Victory apontou que o setor exige elevados investimentos para envolver toda a cadeia de produção. “Não pode haver reciclagem se não há coleta estruturada”, disse. Além disso, é preciso educar as pessoas, mostrando a elas as diferenças entre os diversos tipos de plásticos e o que fazer com eles após o uso.

    Para Hodges, a indústria precisa bancar esses investimentos. “Os valores que a indústria do plástico está dedicando para isso representam quase nada, 25 milhões aqui, 10 milhões ali, vamos lá, pessoal, estamos falando de um setor que movimenta cem bilhões de dólares por ano. Vocês não podem começar com moedinhas”, provocou.

    Ele defende que o setor precisa mudar de mentalidade, deixando de lado o modelo de grandes recicladoras mecânicas em favor de pequenas plantas de reciclagem química com alcance regional. “O novo modelo de negócios é de baixa escala e atuação local, durante os últimos 30 ou 40 anos só falamos de grandes unidades, isso será uma virada de jogo completa”, finalizou.

    Texto: Icis, especial para PM



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