Reciclagem

Reciclagem: Restrições chinesas abrem caminho para mudanças

Plastico Moderno
7 de abril de 2020
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    Plástico Moderno - Ao parar de receber lixo plástico, China aumentou pressão no setor

    Ao parar de receber lixo plástico, China aumentou pressão no setor

    Em janeiro, o governo da China anunciou medidas para banir ou restringir a produção, vendas e uso de produtos plásticos descartáveis, seguindo um plano de três estágios, a ser desenvolvido nos próximos cinco anos, conforme instruções conjuntas da Comissão de Reforma e Desenvolvimento Nacional e do Ministério da Ecologia e do Ambiente.

    A política a implantar proíbe explicitamente a produção e vendas de artefatos, incluindo sacolas de filmes ultrafinos, com espessura inferior a 0,025 mm, e filmes agrícolas para mulching mais finos que 0,01 mm.

    Além disso, até o fim deste ano, serão descontinuadas a produção e vendas de utensílios de mesa feitos de espuma plástica, cotonetes descartáveis com hastes plásticas, bem como a produção de produtos de uso diário que contenham microesferas de plástico.

    Até o fim de 2020, sacolas plásticas não-degradáveis serão proibidas nas grandes cidades chinesas, e o alcance dessa medida será ampliado gradualmente em 2022 e 2025.

    No caso de itens descartáveis de mesa, os canudos plásticos serão banidos das refeições prontas em todo o país até o fim deste ano. Os pratos, travessas, copos e talheres serão banidos das grandes cidades no mesmo prazo, com previsão de ampliar a área de proibição até 2022. Por volta de 2025, o consumo desse tipo de descartáveis plásticos deverá ser reduzido em 30% nas cidades menores.

    Até dezembro de 2022, os hotéis classificados com estrelas de toda a China deverão parar de oferecer produtos de conforto embalados em plásticos descartáveis aos seus hóspedes. A medida deverá ser adotada pelos demais tipos de hospedarias até o fim de 2025.

    Até o fim de 2022, as principais províncias e cidades chinesas (Pequim, Xangai, Guangdong, Fujian, Jiangsu e outras) serão proibidas de usar sacolas plásticas descartáveis e sacolas de tecido plástico para entregas expressas. Além disso, a quantidade aplicada de fitas adesivas deverá ser reduzida. Essas medidas deverão ser estendidas para todo o território até dezembro de 2025.

    Essas medidas foram relatadas por John Richardson, consultor sênior para a Ásia da consultoria internacional Icis. “Tudo isso começou com as pesadas restrições impostas pela China em janeiro de 2018 contra a importação de resíduos plásticos mistos e altamente contaminados; foi o primeiro sinal importante de que a China, como parte de um maior comprometimento ambiental, estava considerando seriamente o problema do lixo plástico”, comentou. A justificativa imediata para essas medidas foi proteger a saúde dos trabalhadores do setor de reciclagem, uma vez que a China havia se tornado o local de despejo do lixo plástico produzido no Ocidente.

    Como relatou o consultor, conversas subsequentes de altos executivos do setor petroquímico com autoridades chinesas indicaram que o país queria ir além, atacando o problema muito maior do lixo plástico produzido internamente. “O problema é que os resíduos plásticos contribuem para agravar a escassez de água potável na China, uma vez que grandes quantidades desses materiais acabam se acumulando nos rios”, salientou.

    Na ocasião ficou claro que medidas como o banimento de descartáveis plásticos seriam adotadas. “Paralelamente, há informações de que a China pretende modernizar seus negócios com reciclagem de plásticos como forma de reduzir sua dependência de resinas virgens importadas e, também, de adicionar valor para a sua economia”, disse Richardson. “A atual indústria de reciclagem chinesa é, de forma geral, altamente desorganizada e ineficiente.”

    A demanda chinesa por polímeros ou transformados plásticos é a maior do mundo e o seu crescimento também é o maior. A China é o maior mercado importador de polímeros do mundo, especialmente de polietilenos, e aproximadamente a metade dessa demanda está nos produtos descartáveis. “Dessa forma, qualquer coisa que aconteça na China tem efeitos relevantes no mercado global dos plásticos”, afirmou o consultor.

    Mudar a reciclagem – A resposta dos governos à onda atual da “plastifobia” é o aperto das regulações, nem sempre produzindo os resultados esperados. Em vez de demonizar os polímeros sintéticos, seria melhor dedicar mais recursos para melhorar a reciclagem dos materiais e acabar com o seu uso indevido.

    Durante a conferência Icis sobre Reciclagem, realizada em Berlim (Alemanha), em novembro passado, Paul Hodges, presidente da E-Chem International, alertou que há muita coisa a fazer em pouco tempo. “Os paradigmas da indústria estão mudando. Os plásticos descartáveis ficarão na berlinda durante os próximos anos e os modelos de negócios simplesmente precisarão mudar”, defendeu.

    O problema, para Hodges, é que as pessoas entendem que é preciso reciclar, mas não sabem como fazê-lo. “Nós não temos tecnologia disponível, não temos sistemas de coleta ajustados; precisamos deixar de jogar o lixo para longe, para aterros, e em vez disso focar no desenvolvimento de centros de recursos materiais, com base em redes distribuídas de plantas locais de reciclagem química”, afirmou. A mudança para o modelo com pequenas unidades de reciclagem está no horizonte do setor, mas ainda é uma opção incipiente.



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