Reciclagem

Reciclagem – Resíduos plásticos viram “madeira” de futuro bem promissor

Maria Aparecida de Sino Reto
5 de março de 2011
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    A tecnologia empregada pela empresa é própria, desenvolvida internamente. O diretor conta que se trata de um negócio familiar, esboçado há cerca de seis anos, quando conheceram o produto. Gostaram da ideia e resolveram investir. “Pensávamos em trabalhar com algo ligado ao conceito de sustentabilidade, por entendermos a importância do assunto e as oportunidades envolvidas”, conta.

    Para ele, a concorrência da madeira natural impõe uma forte barreira ao negócio, sobretudo pela sua história milenar de uso, e com reconhecida eficiência. “Convencer o mercado que este material absolutamente bem-sucedido pode ser substituído com vantagens é um grande desafio”, pondera o diretor da Ecowood. O preconceito ainda correspondente a produtos reciclados constitui outro empecilho: a associação de reciclagem a lixo e, portanto, custo baixo, sinônimo de preço baixo. “Em primeiro lugar, não trabalhamos com lixo e sim com resíduos industriais; depois, há um importante componente tecnológico na produção da madeira plástica e isso envolve investimentos relevantes”, esclarece.

    A despeito das dificuldades, a empresa mais que dobrou a sua produção do primeiro para o segundo semestre do ano passado, quando processou 50 toneladas mensais. Até o final deste ano, Rodolfo Queiroga pretende triplicar a sua capacidade produtiva, que prefere não divulgar, mas antecipa sua intenção de produzir 100 toneladas mensais a partir de abril e chegar ao final do ano com mais de 200 toneladas mensais.

    Com tecnologia própria, desenvolvida internamente, a madeira plástica é processada em equipamentos de extrusão contínua, adaptados pela empresa para esse uso específico. A Ecowood fabrica perfis de 100 mm de largura por 25 mm de espessura, até seis metros de comprimento, disponíveis em sete cores. Além da expansão produtiva, este ano deve contemplar também a criação de novos perfis. “Esperamos apresentar ao mercado nos próximos seis meses”, planeja.

    Matéria-prima escassa – Poucos fabricantes de madeira plástica reclamam de dificuldade para obter matéria-prima. No entanto, é sabido que a aquisição de resíduos plásticos limpos não é tarefa das mais fáceis diante da escassez de coleta seletiva no país. O presidente da Cogumelo abre o jogo e se queixa de ter percorrido ao menos 50 prefeituras com proposta de compra das embalagens plásticas recolhidas, sem qualquer resultado positivo.

    Segundo ele, esse é o ponto crítico do negócio, atrelado à obtenção de insumo a preços competitivos para poder concorrer com a madeira orgânica. “O lixo está nas mãos das prefeituras, que preferem enterrar a separar as embalagens”, reclama Pilz. A necessidade atual da empresa é de adquirir 200 toneladas de PEAD reciclado, mas, além de escasso, o alto custo do material inviabiliza o negócio. “Está sendo mais conveniente comprar matéria-prima virgem e abandonar o barco da reciclagem. Vender já é difícil, comprar matéria-prima está mais difícil, logo, a equação não fecha.”

    A título de exemplo, compara os preços de um banco de praça de madeira natural com um de composto polimérico, produzido pela Cogumelo. O primeiro custa R$ 800,00 e o de madeira plástica, R$ 500,00. “Se as prefeituras se interessassem, trocaríamos embalagens por bancos e outros produtos”, sugere Pilz.

    Ele conta que a tecnologia nasceu da parceria com um técnico em plásticos, cujo nome ele prefere manter em sigilo. Aplicada há sete anos, exige equipamentos diferenciados (injeção e extrusão) e teve seus projetos elaborados dentro da própria empresa. O resultado é um produto que tem aparência de madeira, chega a ser confundido com ela, mas nada tem de celulose. Os perfis saem da fábrica em diversos tamanhos: padrão ou sob medida. Na linha de produtos prontos, oferece mesas picnic, bancos, lixeiras, dormentes ferroviários, decks, cercas, boca-de-lobo e outros itens.

    Made in Brasil – O pouco tempo de mercado não intimida o superintendente da Madeplast. Bampi planeja levar sua madeira plástica para o mercado externo ainda neste ano e ambiciona atingir uma capacidade produtiva da ordem de 1.500 toneladas mensais até 2012. “Será a maior produção do país dessa categoria de material”, vaticina. Na opinião dele, a madeira ecológica está bem posicionada no mercado interno e externo, devido à inovação e sustentabilidade correlacionadas ao produto.

    A empresa nasceu no bojo da Universidade Positivo – Unicemp. Incubada desde 2008, foi contemplada pelo projeto RHAE CNPq com quatro pesquisadores incumbidos do desenvolvimento de uma formulação para fabricar decks de madeira plástica. A ideia era diversificar a atuação do grupo em um negócio com viés ecológico e que carregasse a sua vivência com a indústria de madeira reflorestada. Enveredaram, então, para o uso de resíduos de madeira e plástico na produção da madeira plástica, apontada como uma tendência do mercado internacional.



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    2 Comentários


    1. Thiago

      Olá gostaria de saber uma pouco mais sobre as placas de plástico, trabalho fazendo sercados com madeira mais , mais quero uma matérial mais leve,


    2. Marco Antônio da Silva Ferreira

      Estou a procura de pranchas de madeira e vejo a possibilidade de trocar por plastico reciclado. Procuro no formato retangular de dimensões: 50 milímetros de espessura x 800 milímetros de largura x 1600 milímetros de comprimento.

      Favor entrar em contato.



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