Reciclagem

Reciclagem – Resíduos plásticos viram “madeira” de futuro bem promissor

Maria Aparecida de Sino Reto
5 de março de 2011
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    Plástico Moderno, Reciclagem - Resíduos plásticos viram "madeira" de futuro bem promissor

    Perfis da Cogumelo chegam a ser confundidos com madeira

    A lista negativa inclui ainda os materiais coextrudados e laminados. Resíduos pós-consumo contaminados podem ser aproveitados desde que isentos de material orgânico ou substância tóxica. A empresa procede com a limpeza necessária.

    O presidente da Cogumelo só desvenda a sua principal matéria-prima: resíduos de polietileno de alta densidade, boa parte deles derivada de embalagens (detergentes, xampus etc.), inclusive as contaminadas. “As especificações técnicas são particularidades de cada fabricante”, defende-se Pilz.

    O seu processo também aceita materiais coextrudados e plásticos pós-consumo contaminados, se a composição for de PEAD. “Outros plásticos interferem no processo e na beleza da madeira plástica, como a uniformidade da cor e o acabamento da superfície”, explica. Ele já usou até embalagens de agrotóxicos recicladas, mas na fabricação de peças isentas de contato com humanos, como dormentes de trilhos de trem. Mesmo assim, encaminhou o composto para testes no Instituto Adolfo Lutz. Os resultados, assegura, foram de contaminação zero.Plástico Moderno, Reciclagem - Resíduos plásticos viram "madeira" de futuro bem promissor

    O superintendente da Madeplast não se importa de comentar a respeito dos ingredientes de sua receita. Sua “massa” leva resíduos de madeira e de plástico, agentes compatibilizantes e aditivos de proteção aos raios solares, fungicidas e outros. De acordo com Bampi, não há restrição quanto aos tipos de resíduos plásticos. Material coextrudado com base em uma só resina também pode entrar na formulação. O único senão fica por conta do processo de tratamento prévio desses resíduos: se for feito de maneira incorreta nas etapas de coleta, triagem e limpeza inviabiliza a sua transformação na madeira plástica. “Se houver contaminação com metais pesados, por exemplo, podem migrar para o meio ambiente e provocar danos, contrariando, portanto, o conceito de sustentabilidade”, justifica.

    Os ingredientes da madeira plástica da Wisewood são todos materiais reciclados, na base de 70% de resíduos de polietileno e de polipropileno, 20% a 25% de fibras naturais (celulose, sisal, fibra de coco e outras) e, a diferença, aditivos e cargas, entre as quais fibra de vidro. Produtos de difíceis destinações, plásticos contaminados e materiais coextrudados ou laminados podem entrar na receita, com ressalvas.

    De acordo com as explicações do diretor comercial Marcelo Queiroga, resíduos plásticos contaminados podem ser usados desde que essa contaminação seja algo constante, permitindo manter, igualmente, a constância da formulação. Já os coextrudados ou laminados exigem um ajuste fino da blenda, a fim de viabilizar o processo.

    Plástico Moderno, Marcelo Queiroga, Diretor comercial, Reciclagem - Resíduos plásticos viram "madeira" de futuro bem promissor

    Marcelo Queiroga quer direcionar a sua madeira plástica para produção de pallest

    Pé nas tábuas – Assim como algumas de suas concorrentes, as intenções da Wisewood não passam pela fabricação de produtos acabados. Os planos de Marcelo Queiroga se concentram na produção das tábuas da madeira sintética e a venda desse material bruto. Desde o ano passado, a empresa redirecionou os seus negócios com a entrada de um novo sócio, o engenheiro Carlos Gouveia Lopes, que desenvolveu a tecnologia de produção dessas tábuas. Até então, a Wisewood só produzia dormentes, pelo processo de intrusão, baseado em polietileno. Marcelo explica que esses produtos só usam PE reciclado e têm sua receita testada e aprovada. Mas a empresa prepara novidades para breve, como o desenvolvimento de novas especificações, resultado do aprimoramento da formulação, agora em fase de testes e aprovação.

    Com relação às tábuas, a produção atual alcança da ordem de 20 a 25 toneladas mensais, mas com a chegada de novos equipamentos, frutos de investimentos de R$ 10 milhões em três novas máquinas, comportará até 150 toneladas mensais. “O novo processo de produção das tábuas de madeira polimérica abre campo à empresa em novas aplicações”, relata Marcelo Queiroga.

    Com textura de madeira natural, o produto é candidato a substituir a celulose em mercados como decks, pisos, pallets, móveis externos etc. Mobiliário interno, ainda não, porque, segundo o diretor da Wisewood, exigiria a produção de placas e ainda não há ninguém no mercado nacional que as faça. Também frisa que as empresas do setor mal dão conta de atender à demanda doméstica pelas tábuas. “A produção é muito inferior ao consumo.”

    A fabricação atual da empresa se concentra no mercado de pallets montados, mas o seu diretor acalenta projetos de também injetar essas peças com polipropileno reciclado. Na opinião de Marcelo Queiroga, o segmento de decks é um dos que mais absorve a madeira plástica na atualidade. Mas esse mercado passa largo aos interesses dele, que julga os pallets mais interessantes e planeja focar neles os seus negócios. No campo dos dormentes, hoje, processa cerca de 100 peças por dia, todas endereçadas à MRS Logística.

    A Wisewood nasceu em 2007, fundada pelo atual presidente, Rogério Igel, com a proposta específica de pesquisar compósitos plásticos recicláveis para substituir a madeira em aplicações temporárias como pallets, estacas e dormentes, entre outras. Os dormentes contam com aprovação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e diversos centros universitários do país. Testados por empresas ferroviárias, receberam carga de 100 milhões de toneladas, um parâmetro internacional de aprovação.

    Empresa revaloriza coextrudados e laminados

    Resíduos provenientes da indústria de embalagem, material coextrudado, laminado (exceto embalagens de produtos tóxicos ou derivados de petróleo), fraldas e papel fornecidos por indústrias. Esses são os principais ingredientes da In Brasil, de União da Vitória-PR, que se transformam em madeira plástica. De acordo com o tipo de resíduo, a empresa produz com ele um composto. A formulação agrega resinas moídas, fragmentadas, misturadas com resíduos de papel e celulose.

    Trata-se de um produto único no mercado, com características muito diferenciadas. A liga desse composto é conseguida no equipamento, durante o seu processamento. Nele se misturam diversos resíduos de plásticos, como náilon e polipropileno, de metais e outros materiais. Essa formulação oferece boa resistência à flexão e à ruptura, mas suas características diferem das dos plásticos. “Um reciclador convencional não processaria o material”, avisa Marco Adriani Sterle, proprietário da In Brasil. O fim do processo ocorre em uma coextrusora, desenvolvida em conjunto com um fabricante de equipamentos do mercado. A recicladora possui duas dessas linhas processadoras de perfis.

    O primeiro passo, explica Sterle, fica por conta da preparação: lavagem, separação, moagem e secagem. Depois se segue à produção de compostos e aglutinação. O processo é automatizado e foge do convencional. Como um dos subprodutos é papel, há um tratamento das fibras, efetuado em equipamentos como depuradores, entre outros. Só depois dessas etapas, entra a extrusão.

    Com o composto formulado, Sterle produz cerca de quinze modelos de perfis, que se destinam a aplicações como tábuas, assoalhos, palanques etc, e equivalem a 95% da produção da madeira plástica. Os outros 5% se transformam em móveis de jardim.

    Toda a matéria-prima utilizada na empresa teria por destino aterros sanitários ou incineração. “Cada quilo de perfil que produzimos reduz a destinação de resíduo sólido; todo material que recebemos é transformado em perfis ou papel e o nosso resíduo retorna para as empresas que são a origem da matéria-prima”, comenta. Até a água utilizada é coletada das calhas da indústria, em sistema fechado.

    De acordo com Sterle, embora represente 80% da produção da empresa em tonelagem, a madeira plástica equivale a apenas 20% do faturamento. “O retorno financeiro é muito baixo.” As peças injetadas (utilidades domésticas e acessórios para banheiro, feitos de polipropileno reciclado na proporção de 70% com 30% da mesma resina virgem) correspondem a só 20% da produção. Mas geram 80% do faturamento. Há dezesseis anos no mercado de utilidades domésticas, desenvolve a madeira plástica há seis.

    Hoje a empresa goza de reconhecimento e prestígio por sua ação ambiental e Sterle prevê duplicar a sua produção até junho. Ele estuda novas expansões. Mas foi um caminho árduo. A ideia surgiu com a intenção dele de desenvolver um processo capaz de transformar as grandes remessas de resíduos plásticos, que seguiam para aterros sanitários, geravam custos elevados para as empresas e consistiam em um passivo ambiental, em um produto que gerasse benefícios para o meio ambiente e receita ou economia para todos. “Nossa empresa quase faliu enfrentando as dificuldades de vender um produto novo. Nós inventamos um processo de reciclagem e produção de algo que não tinha parâmetros para comparação. E também criamos os produtos para depois procurar o mercado. Eu jamais farei isto novamente. Foi muito sofrimento e risco.”

     

    Produção no gargalo – Animada pelo alto consumo, a Ecowood Rio, hoje capacitada a produzir 50 mil metros lineares mensais de madeira plástica, planeja triplicar esse volume até o final deste ano. “A demanda é crescente e nossa produção está totalmente absorvida por pedidos”, assevera Rodolfo Queiroga. Hoje, o setor de revestimentos responde pela maior parte de seus pedidos. No entanto, ele aposta no aprimoramento da tecnologia de produção e no avanço da madeira plástica como substituta da natural em outros setores, a começar pela construção civil.



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    2 Comentários


    1. Thiago

      Olá gostaria de saber uma pouco mais sobre as placas de plástico, trabalho fazendo sercados com madeira mais , mais quero uma matérial mais leve,


    2. Marco Antônio da Silva Ferreira

      Estou a procura de pranchas de madeira e vejo a possibilidade de trocar por plastico reciclado. Procuro no formato retangular de dimensões: 50 milímetros de espessura x 800 milímetros de largura x 1600 milímetros de comprimento.

      Favor entrar em contato.



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