Reciclagem – País é líder mundial no reúso das embalagens de agrotóxicos

Plástico Moderno, Vilson Trava Dutra Filho, engenheiro químico da Fepam, Reciclagem - País é líder mundial no reúso das embalagens de agrotóxicos
Dutra enfrenta resistência de alguns supermecados

A meta é chegar em 2009 com 50% das embalagens recuperadas. Em maio último, a reciclagem de embalagens de óleos lubrificantes no Estado ganhou uma nova aliada. A Rede Âncora de Autopeças, uma empresa com ramificação nacional, que reúne lojas do segmento de reposição de peças e componentes automotivos, formou um sistema de coleta próprio denominado Projeto Reciclar.

O objetivo é recolher os recipientes das dez empresas filiadas à rede no Estado. A coleta começou em março numa proporção de duas toneladas por mês. Igualmente, a coordenação do trabalho do recolhimento é da MB Engenharia. O presidente da Rede Âncora, Alfieri Sartoretto, informou que a coleta das embalagens irá ocorrer em 40 empresas, num total de 65 pontos-de-vendas, em seguida serão encaminhadas à reciclagem no Rio de Janeiro.

Segundo Alfieri, a vantagem desse sistema é a eliminação completa dos resíduos, os quais no reaproveitamento entram na composição do cimento. O óleo também pode ser reaproveitado para lubrificar máquinas e equipamentos industriais. Como a Rede Âncora é uma sociedade anônima de amplitude nacional a intenção é repassar a experiência dos associados gaúchos aos demais integrantes da empresa.

O biólogo Christian Linck, consultor da Rede Âncora, e responsável pela implantação do Reciclar, explicou que o óleo lubrificante residual das embalagens parece inexpressivo, mas tem potencial para gerar um enorme passivo ambiental se descartado indevidamente próximo a um manancial. “Um litro de óleo automotivo polui 1 milhão de litros de água, formando em poucos dias uma fina camada sobre a superfície de mil metros quadrados e passa a bloquear a passagem de luz e ar de tal forma que se produz o esgotamento do oxigênio na água”, advertiu.

Linck alertou ainda que o Aqüífero Guarani, a maior reserva de água subterrânea do mundo, tem pontos de abastecimento na superfície e pode receber cargas tóxicas. Ele detalhou a metodologia correta para o descarte de lubrificantes.

Como os frascos ainda mantêm uma quantidade residual média de 3% de óleo, a MB Engenharia irá orientar os revendedores sobre a forma correta de armazenar as embalagens, com o escoamento total dos resíduos, e depois o armazenamento em um espaço confinado, devidamente impermeabilizado. O passo mais demorado será conscientizar os clientes a retornar à loja com a embalagem vazia.

De acordo com o engenheiro químico da Fepam Vilson Trava Dutra Filho os óleos lubrificantes pós-consumo pertencem à Classe 1 dos produtos tóxicos pela classificação NBR 10.004 – da Associação Brasileira de Normas Técnicas, isto é: apresentam riscos à saúde pública e ao meio ambiente, pois se constituem em substâncias inflamáveis, agentes corrosivos, tóxicos e patogênicos, assim como os defensivos agrícolas. Neste caso, a coleta dos resíduos é igualmente de responsabilidade dos fornecedores.

É considerado fornecedor de óleos lubrificantes toda pessoa física ou jurídica, nacional ou estrangeira que desenvolva atividades de produção, transformação, importação, exportação, distribuição e comercialização de óleos lubrificantes assim como postos, supermercados, oficinas e atacadistas.

Desde 2003, a Fepam determinou a todos os segmentos, por meio de Portaria publicada no Diário Oficial do Estado, o prazo de 180 dias para o licenciamento das atividades de recebimento, armazenagem e destino final das embalagens de óleos lubrificantes, mas o enquadramento na legislação é gradativo. Dutra Filho confessa que ainda enfrenta resistência de algumas redes de supermercados e de atacadistas, os quais repassam as embalagens de óleo para postos de gasolina sem bandeira, pequenos mercados e autopeças de pequeno porte. “Os números não estão fechando com relação à distribuição e alguns supermercados”, reforçou sem citar nomes.

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Fundado em 2001, o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev) é uma entidade sem fins lucrativos formada por 47 fabricantes de defensivos agrícolas e fertilizantes. Sete entidades de classe do setor agrícola também estão associadas ao organismo. A iniciativa surgiu após um relatório produzido por uma consultoria especializada, a qual apontou a necessidade de criação de uma entidade capaz de coordenar a destinação final das embalagens vazias desses produtos.

Antes do surgimento do Inpev, em junho de 2000, foi promulgada a Lei Federal 9.974/00, de autoria do senador Jonas Pinheiro. Dessa forma, a embalagem foi classificada como dejeto comum, em vez de perigoso, o que possibilitou a legalização da reciclagem com a definição das responsabilidades dentro da cadeia produtiva agrícola.
Outro passo importante e crítico para a viabilização do projeto foi o trabalho realizado com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para o desenvolvimento da norma sobre a lavagem das embalagens vazias dos produtos fitossanitários. Na etapa seguinte, o Inpev começou a operar por meio de uma parceria entre fabricantes, a Secretaria da Agricultura de São Paulo, a Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo (Aeasp) e a Coplana (Cooperativa dos Plantadores de Cana da Zona de Guariba). Inicialmente, o objetivo foi entender o fluxo das embalagens vazias e implantar a primeira unidade-piloto de recebimento.

Plástico Moderno, Reciclagem - País é líder mundial no reúso das embalagens de agrotóxicos
Lerina: sistema de destinação posicionou o País na liderança

Na mesma época, as partes envolvidas começaram a procurar alternativas de reciclagem por meio de um convênio com uma pequena empresa do setor, a Dinoplast, situada em Louveira-SP, hoje a única no País com licenciamento ambiental para reciclar embalagens plásticas de produtos tóxicos. Existem outras credenciadas para papelão, vidro e lata. Atualmente, operam oito recicladoras de embalagens de defensivos agrícolas no País, levando-se em conta os diversos materiais.

Segundo o coordenador do Inpev no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, Marcelo Lerina, o sistema de destinação final de embalagens vazias em vigor no Brasil transformou o País em líder mundial em reciclagem de embalagens de agrotóxicos.O instituto opera 380 postos de recebimento, correspondentes a 80 mil metros quadrados de área construída e 108 centrais em 13 Estados.No Rio Grande do Sul já existem quase 40 postos e oito centrais.
Uma pesquisa encomendada pelo Inpev ao Instituto Kleffmann Group revelou que 90% dos agricultores brasileiros devolvem suas embalagens vazias.

Foram entrevistados 521 agricultores dos Estados da Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo. A margem de erro da pesquisa é de 5% e o nível de confiança de 95%.
O estudo também mostrou que 98% dos produtores realizam a lavagem correta, sendo que 95% deles executam a prática no momento adequado, ou seja, na hora da aplicação do produto. Do total da amostragem, 85% dos entrevistados têm conhecimento sobre a legislação vigente sobre as normas de devolução dos recipientes.

Lerina explica que as embalagens sem condições de reciclagem não passaram pelo tratamento correto durante o uso do produto e, por isso, são incineradas junto com as flexíveis: “A tríplice lavagem tem de ocorrer no momento da aplicação do defensivo, com o enchimento de 100% do recipiente com água e despejo no pulverizador por três vezes.”

Na tentativa de proporcionar o descarte correto das embalagens o Inpev instituiu o Dia Nacional do Campo Limpo. Anualmente, no dia 8 de agosto, a entidade realiza palestras em todo o País para conscientizar os agricultores sobre a necessidade de entregar as embalagens nos postos. Neste dia, eles podem visitar as centrais de coleta, onde aprendem como a separação, a prensagem e o transporte ocorrem.

O Inpev criou também uma campanha publicitária como forma de aumentar a visibilidade de suas ações. A primeira etapa veiculada de maio a junho de 2006 abordou os procedimentos corretos na devolução das embalagens vazias. A segunda, entre novembro de 2006 e fevereiro de 2007, tratou da lavagem.

A transmissão gratuita dos filmes educativos em canais de televisão contou com o apoio do governo federal por cinco meses. A campanha educativa para agricultores “A Natureza Agradece” é formada pelas etapas “Lavagem das embalagens” e “Devolução das embalagens”.

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