Reciclagem – Menor atividade econômica reduz oferta de resíduos

Impulso com a PNRS

Questões políticas – PNRS 

Tida desde a sua criação como medida capaz de impulsionar a reciclagem no Brasil, a PNRS ainda não produziu vários dos resultados nela prenunciados, especialmente aqueles decorrentes de investimentos do poder público, que há pelo menos dois anos está atolado em dificuldades políticas e extremamente carente de recursos, e de quem essa legislação exige, entre outras coisas, a ampliação da estrutura de coleta seletiva dos resíduos passíveis de reciclagem.

Essa legislação, diz Schmidt, da Termotécnica, gerou alguns avanços, inclusive na própria estrutura da coleta seletiva dos municípios brasileiros. “Mas essa evolução ocorre a passos muito lentos”, critica.

Na própria Termotécnica, porém, as metas de incremento preveem um desenvovimento bastante acelerado da reciclagem.

“Reciclamos atualmente algo entre 30% e 35% do EPS que produzimos, e até 2020 queremos reciclar 100%”, conta Schimdt. Este ano, a empresa incluiu em seu processo de reciclagem também as bandejinhas de alimentos, geralmente feitas de XPS (PS extrudado), integradas normalmente ao processo de reciclagem do EPS desde que limpas e secas.

Mas há progressos, por exemplo, na oferta de garrafas de PET para reciclagem, observa Lineu Frayha, presidente da M&G Fibras Brasil, que produz PET virgem em Cabo de Santo Agostinho-PE e reciclados em Poços de Caldas-MG.

Plástico Moderno, Frayha: PET reciclado deverá crescer no setor de alimentos
Lineu Frayha – M&G Fibras Brasil

“Mas essa oferta precisa evoluir, só não há problemas atualmente porque a demanda não está aquecida”, diz Frahya.

Números da M&G, aliás, comprovam quão pouco aquecida está essa demanda: a empresa pode aqui produzir 18 mil toneladas anuais de PET reciclado

um terço disso é reservado para fibras –, mas hoje ocupa apenas metade das 12 mil toneladas restantes.

No ano passado a M&G recebeu o aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), para fornecer PET reciclado para embalagens de alimentos. “Esse mercado está crescendo, por exemplo, nas embalagens de refrigerantes, que trazem a informação sobre a presença de PET reciclado”, destaca Frayha.“Por enquanto a maioria da nossa produção vai para outras aplicações, como embalagens para produtos de limpeza, mas é na área dos alimentos que vejo o maior potencial de crescimento para PET reciclado”, acrescenta.

Plástico Moderno, Linha de reciclagem da M&G gera PET que pode ser usado em garrafas
Linha de reciclagem da M&G gera PET que pode ser usado em garrafas

Tal projeção é confirmada por Marçon, da Abipet:

“Estabilizada a economia, voltará a crescer a demanda por PET reciclado no Brasil, e um dos setores mais promissores para esse crescimento é o setor de embalagens de alimentos, inclusive as termoformadas”, destaca. Mas também a indústria química vem gerando novas aplicações para o PET reciclado.

“O Brasil, especificamente, é muito forte nessa área, vale lembrar que foi desenvolvida aqui a inclusão de PET reciclado nas resinas alquídicas utilizadas em tintas e vernizes, e também das resinas de poliéster insaturado como estruturantes para peças reforçadas com fibra de vidro”, realça.

Persistem, porém, gargalos na trajetória evolutiva da reciclagem no Brasil, e entre eles se destaca a carência da coleta seletiva de resíduos. “Menos de 10% dos municípios do país têm esse tipo de coleta e onde ela existe geralmente é muito ineficiente”, aponta Bahiense, do Plastivida e do Instituto do PVC.

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