Reciclagem – Gerar energia e reaproveitar mais resinas norteiam novos programas de investimentos

Plástico Moderno, Henrique Saraiva, Reciclagem - Gerar energia e reaproveitar mais resinas norteiam novos programas de investimentos
Saraiva gera 440 kW com 30 t de resíduos em planta piloto

Segundo sua avaliação, a unidade de recuperação energética é uma solução para locais onde há restrições ambientais, como lençóis freáticos aflorados, que inviabilizem aterros regionais. “Municípios com grande volume de lixo orgânico justificam a implantação de usina de compostagem”, exemplificou. Antes de tudo, a secretaria promoverá planos de caracterização de resíduos, para só depois definir a melhor solução regional.

Cubatão e Paulínia podem ser os primeiros municípios a contemplar a implantação das usinas. Na avaliação de Carvalho, os estudos efetuados nessas cidades mostram indicativos de restrições ambientais. Além disso, ambas teriam todo um mercado consumidor de energia ao lado da usina de recuperação energética. Contudo, ele ressalta: “O reaproveitamento energético conta apenas com material contaminado, que não tem como ser reciclado.” Os projetos da secretaria envolvem estudos com uma empresa alemã, que o coordenador prefere manter em sigilo.

Solução brasileira – Pioneira no desenvolvimento nacional de tecnologia e processos para a implantação de usinas de tratamento térmico de resíduos sólidos urbanos com recuperação de energia, a Usina Verde opera uma unidade piloto no Rio de Janeiro, capaz de processar 30 toneladas por dia de resíduos (em regime contínuo) e gerar 440 kW de energia elétrica, e disponibiliza modelos industriais, em módulos para 150 toneladas diárias, aptos a gerar em torno de 1,8 megaWatt, segundo informações do presidente da empresa, Henrique Saraiva.

“Considerando que o consumo médio de energia por residência no nosso País é de 140 kW mês/habitante e que uma cidade com cerca de 180 mil habitantes gera em torno de 150 toneladas diárias de lixo, um terço dessas pessoas seriam abastecidas pela energia gerada por esses resíduos”, calcula.

Emanações Gasosas

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Segundo ele, a tecnologia foi desenvolvida por cientistas e engenheiros brasileiros e os equipamentos são nacionais. Como resultado desse trabalho, a empresa detém a patente do processo de mineralização de resíduos orgânicos (transforma os resíduos em sais minerais), registrada no Brasil e nos países do Mercosul; e também das hélices turbinadas para lavadores de gases da incineração de resíduos, registrada no Brasil, nos países do Mercosul, no Chile, na União Européia e na Austrália.

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Usina Verde: seleção de recicláveis e…

O processo de mineralização consiste no tratamento térmico dos resíduos em temperatura superior a 900ºC e a empresa assegura que os gases resultantes são neutralizados por sistema de lavagem em circuito fechado, sem geração de quaisquer efluentes líquidos. O aproveitamento do calor gerado permite produzir cerca de 500 kW de energia elétrica por tonelada de lixo, enquanto o vapor d’água pode ser aproveitado para fins industriais.

“Só é possível esse tratamento térmico dos resíduos graças ao material plástico; seu alto poder calorífico é que permite atingir temperaturas acima de 900ºC a fim de neutralizar todas as substâncias químicas mais agressivas derivadas do processo”, explica Saraiva. O processo gera, simultaneamente, energia térmica e elétrica.
Ao final do tratamento, o sistema de lavagem de gases neutraliza os organoclorados e as emanações liberadas na atmosfera atendem aos requisitos do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). “Na verdade, até superam as exigências”, assegura Saraiva. Os efluentes sólidos – cinzas, escória e sais minerais – representam menos de 10% do peso dos resíduos tratados, informa.

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Recepção de resíduos e torre de refrigeração

Misturados com cimento, esses subprodutos produzem pisos e blocos de concreto. Saraiva estima que os resíduos gerados por um módulo, adicionados de apenas 15% de cimento, resultam em cerca de 44 mil blocos por mês, propiciando a construção de 28 casas populares de 50 m².

Instalada em área de 5 mil m² da Fundação BioRio, no campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Usina Verde iniciou em 2002 o seu projeto pioneiro, que absorveu investimentos da ordem de R$ 25 milhões em desenvolvimento tecnológico, projeto, construção e operação do Centro Tecnológico, onde funciona a usina protótipo. Saraiva planeja investir mais R$ 5 milhões, ainda neste ano, no aperfeiçoamento do projeto a fim de reduzir os custos de investimentos para a aquisição dos módulos industriais, que custam, hoje, em torno de R$ 20 milhões cada. “O custo é menos da metade da tecnologia ofertada no mercado externo”, ressalta o presidente da Usina Verde.

A tecnologia brasileira para a reciclagem térmica também foi tema apresentado no Simpósio da Plastivida, após a exposição do representante da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo. O desafio do Lixo Mínimo e a proposta de uma nova tecnologia estão lançados. Mesmo com todas as dificuldades, a reciclagem brasileira exibe energia suficiente para se destacar entre as primeiras do mundo.

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