Reciclagem – Gerar energia e reaproveitar mais resinas norteiam novos programas de investimentos

Além de reciclar o material, a Mult-Polymer injeta e sopra parte dessas resinas (cerca de 20%) na moldagem de peças, como réguas, produzidas com EPS reciclado, num trabalho conjunto com a Meiwa, que fornece o molde e as distribui em projetos desenvolvidos nas escolas. “A régua constitui uma forma física útil de mostrar a reciclabilidade”, justifica Michaltchuk.

Plástico Moderno, Reciclagem - Gerar energia e reaproveitar mais resinas norteiam novos programas de investimentos
Michaltchuk:transformadas em pequenos flocos, as aparas retornam ao processo em teor de até 20%

Com o grão revalorizado e comercializado pela Mult-Polymer, outras empresas de transformação fabricam utilidades, cabos de peças (como fura-coco), desempenadeiras, entre outras. Em sua produção própria, a empresa reaproveita o poliestireno (tanto o reciclado de alto impacto como o expandido, e até mesmo uma mistura deles) para produzir brinquedos como ioiôs e pedras para jogos de damas, além de outras peças, como pranchetas.

A parcela de transformados da Mult-Polymer vai além do poliestireno reciclado. A empresa usa polietileno para soprar carrinhos de lotação e polipropileno para injetar carretéis de solda, exemplifica Ykutake. Ele dispõe de três extrusoras (uma da Meiwa), seis injetoras, uma sopradora, três moinhos, dois aglutinadores e uma serra de fita. “A transformação responde por cerca de 40% do faturamento”, informa.

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Fonte: Secretaria de Estado do Meio Ambiente – SP

Energia bem aproveitada – Recuperar a energia contida nos plásticos, na chamada reciclagem energética, constitui o desafio mais recente encampado pelo Instituto Plastivida para dar uma destinação para os resíduos plásticos contaminados, impróprios para a reciclagem mecânica. “A reciclagem energética e a mecânica são processos complementares”, enfatiza Esmeraldo. A entidade estimula a incineração para tratamento dos resíduos sólidos como maneira de não desperdiçar o poder calorífico dos plásticos. “A tecnologia já está disponível no País e o custo é economicamente viável”, sugere.

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Poliestireno reciclado é reaproveitado em brinquedos

O presidente da entidade contabiliza a favor do processo o fato de ele ser amplamente usado no exterior com proveito do alto poder energético contido nos plásticos para uso como fonte de energia térmica e elétrica. Segundo suas pesquisas, o Japão dispõe de 190 incineradores, a França opera 130 deles e os Estados Unidos contam com 89 instalações. “A tecnologia permite um processo limpo, sem qualquer emissão de gases”, diz.

“A reciclagem energética é uma importante alternativa no gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos e o plástico é fundamental pelo seu alto poder calorífico, porque não onera o processo de combustão”, pondera Silvia Rolim. Ela vai além: A importância do plástico na composição do resíduo sólido urbano chega a ponto de sua ausência comprometer a viabilidade econômica da reciclagem energética.

Plástico Moderno, Rafael de Assis Ykutake, Reciclagem - Gerar energia e reaproveitar mais resinas norteiam novos programas de investimentos
Ykutake: poliestireno é o material de maior volume na empresa

Ela estima que a participação do plástico na composição do lixo urbano seja da ordem de 15%. “Hoje existem equipamentos com tecnologia de ponta, limpa e adequada.”

Na opinião dela, a reciclagem energética pode resolver o problema de produtos como laminados, co-extrudados (quando vários tipos de plástico compõem as múltiplas camadas, pela impossibilidade de separá-los) e plásticos muito contaminados, que inviabilizam a reciclagem mecânica.

O Instituto Plastivida informa que a reciclagem energética difere da incineração simples por utilizar resíduos plásticos como combustível na geração da energia (térmica ou elétrica). A incineração simples não reaproveita o poder calorífico dos materiais – a energia contida em um quilo de plásticos equivale à mesma medida de óleo combustível. São vários os benefícios: a economia (de recursos naturais e financeiros), o reaproveitamento energético, e ainda a redução de 70% a 90% da massa do material.

Plástico Moderno, Casemiro Tércio Carvalho, coordenador de planejamento ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, de São Paulo, Reciclagem - Gerar energia e reaproveitar mais resinas norteiam novos programas de investimentos
Carvalho estuda a reciclagem energética

O subproduto consiste num resíduo inerte esterilizado.
“O lixo que tem valor energético para ser queimado são materiais contaminados, não recicláveis pelo processo mecânico”, esclarece Casemiro Tércio Carvalho, coordenador de planejamento ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, de São Paulo.

O tema foi discutido no 5º e no 6º Simpósios Plastivida, realizados em Curitiba e São Paulo, nessa ordem, em 21 e 22 de agosto, com abordagem sobre “Alternativas sócio-ambientais para os plásticos pós-consumo”, com foco em degradabilidade e reciclagem energética.

Ele mostrou em sua exposição a evolução no comportamento da disposição final dos resíduos sólidos domiciliares no Estado paulista e destacou a região metropolitana, por ter aterros bem operados. “Nos últimos dez anos, melhorou a situação dos locais de disposição e tratamento dos resíduos sólidos”, afirmou Carvalho.
A reciclagem energética entra como uma das opções na implantação de soluções regionalizadas no projeto Lixo Mínimo, que tem por meta: eliminar a disposição inadequada de resíduos domiciliares; assessorar as prefeituras municipais na melhoria da disposição final dos resíduos sólidos; estimular a coleta seletiva e a reciclagem dos resíduos.

Além das unidades de recuperação energética, as soluções propostas pela secretaria englobam aterros, centros de tratamento de resíduos, unidades de transbordo, unidades de triagem e transbordo de resíduos da construção civil, e centros de triagem e comercialização de materiais recicláveis. Carvalho enfatizou que a configuração é feita em cima da caracterização dos resíduos dos locais avaliados e a reciclagem é prioridade dos financiamentos dos resíduos sólidos. “Devem fazer parte do projeto o aumento da reciclagem, a coleta seletiva, a educação ambiental e a redução de resíduos.”

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