Reciclagem – Gerar energia e reaproveitar mais resinas norteiam novos programas de investimentos

Parceira da empresa recicladora há cerca de um ano e meio, a cooperativa Viva Bem constitui importante fonte de material beneficiado para a Proeco. A cooperativa funciona na Vila Leopoldina, em São Paulo, no mesmo local da antiga usina de compostagem (os equipamentos continuam lá, intactos e desativados).
Sua presidente, Maria Tereza Montenegro, estima processar em torno de 12 toneladas mensais de EPS, todo ele encaminhado à recicladora, que instalou na cooperativa um dos seus equipamentos de produção dos “pãezinhos”. “Recolhemos material em laboratórios e empresas e também recebemos Isopor de 15 outras cooperativas”, diz. Com as novas parcerias envolvidas no projeto, como os hipermercados, ela acredita que deva dobrar a produção.

“Achei o negócio muito bom porque o Isopor se transforma em peças bem interessantes, como as molduras e perfis”, conta. O produto processado e encaminhado à Proeco (que o transforma em grânulos) é classificado em três categorias: número 1, branco; 2, médio; e 3, escuro.

Plástico Moderno, Reciclagem - Gerar energia e reaproveitar mais resinas norteiam novos programas de investimentos
No processo de trituração e degasagem,os resíduos de EPS saem doequipamento no formato de um tarugo compacto
Plástico Moderno, Maria Tereza Montenegro, presidente da cooperativa Viva Bem, Reciclagem - Gerar energia e reaproveitar mais resinas norteiam novos programas de investimentos
Tereza beneficia em torno de 12 toneladas mensais

Maria Tereza, porém, reivindica preços melhores para o produto. Segundo ela, a máquina processadora fornecida pela Proeco tem operação muito lenta, demanda tempo e pessoal para limpeza do material pelo qual, hoje, recebe em torno de 45 centavos por quilo.

“O Gilberto está tentando tornar o produto mais competitivo pelo volume, procurando colocar mais material na cooperativa.”Em outra ponta, diz ela, o diretor da Proeco tem procurado sensibilizar instituições como ONGs e empresas do setor a contribuir com uma pequena porcentagem, que seria repassada às cooperativas, como incentivo à reciclagem. “As responsáveis pela compra de equipamentos de proteção dos associados são as cooperativas, enquanto a capacitação deveria ser feita pela prefeitura, que não cumpre o convênio”, lamenta.

EPS poupa madeira – Todo o material beneficiado e processado em grãos pela Proeco segue para a Santa Luzia, empresa do grupo Moldurarte, de Braço do Norte-SC. Na Santa Luzia, os grãos reciclados são moldados por extrusão e se transformam em perfis para molduras, rodapés e vistas de porta em substituição à madeira. Hoje, a totalidade do material revalorizado pela Proeco vai para a Santa Luzia, onde Gilberto Zanetti também é diretor.

Segundo ele, a Santa Luzia trabalha com material reciclado há cerca de oito anos e até a criação da Proeco, atualmente seu único fornecedor, obtinha matéria-prima de alguns pequenos recicladores. Hoje, a resina recuperada molda cerca de 90 mil metros de perfis e compõe 30% do volume produzido.

Os perfis plásticos para molduras tiveram por berço a Inglaterra, onde o projeto nasceu com resinas virgens. A iniciativa de usar resinas recicladas partiu dos coreanos, conta Zanetti, que planeja dar um salto produtivo. Sua intenção é elevar a extrusão de reciclados para 300 mil metros de perfis nos próximos três a quatro meses. Sua meta, no entanto, depende de maior oferta e coleta de matéria-prima. “A dificuldade está na coleta seletiva e na logística dessa coleta”, reitera.

Outras empresas envolvidas no projeto Repensar, a Mult-Polymer, de São Paulo, e a Meiwa, assim como a Santa Luzia, tinham também atuação isolada. “Há várias iniciativas soltas em todo o País para revalorizar o EPS pós-uso, então o Repensar nasceu como um programa capaz de reunir todas essas iniciativas”, comenta Ivam Michaltchuk, gerente de desenvolvimento e mercado da Meiwa.

Uma das maiores fabricantes de embalagens de EPS do País, a Meiwa, no mercado desde 1992, intensificou a produção e também a preocupação com seus descartes, a partir de 2000. A empresa reintegra aparas ao processo tanto quanto possível e o restante é recolhido pela Mult-Polymer. “Somos parceiros há cinco anos”, informa Michaltchuk.

As embalagens podem incorporar até 20% de material proveniente das aparas. Apesar das restrições de uso do reciclado, o gerente ressalta que, em comparação com a resina virgem, o revalorizado tem menor percentual de estireno residual. “É quase zero”, assegura.

Plástico Moderno, Reciclagem - Gerar energia e reaproveitar mais resinas norteiam novos programas de investimentos
Reciclado da resina expandida se transforma em molduras

As borras são repassadas à Mult-Polymer e as aparas reaproveitadas. As aparas se referem às primeiras voltas da bobina, em geral fora de especificação, desprezadas por questão de qualidade. “São trituradas no moinho e armazenadas, transformadas em pequenos flocos”, explica Michaltchuk. Dos silos, o material segue para as extrusoras, que possuem uma abertura lateral em seu canhão para degasagem do material, no processo de granulação. O gerente estima um total de 30 toneladas mensais de EPS, somadas a resina repassada e a reaproveitada.

Reciclados para crianças – Criada há nove anos, a Mult-Polymer recupera e granula material pós-uso e industrial de diversos tipos de plástico. O total de resinas recicladas (polietileno, ABS, poliestireno de alto impacto e polipropileno) alcança de 30 a 40 toneladas mensais, informa um dos sócios, Rafael de Assis Ykutake. Processa, ainda, em média, dez toneladas mensais só de EPS. “O poliestireno é o material de maior volume; juntos, o alto impacto e o expandido equivalem a cerca de 70% das resinas recicladas”, estima.

Uma das principais fontes de EPS da empresa é a Meiwa, mas a parceria também envolve a Proeco, que recolhe os rejeitos e os envia para a Mult-Polymer na forma de tarugos, para granulação. “Também podemos processar sucatas em grãos, desde que estejam limpas e sem umidade”, declara.

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