Economia

Reciclagem energética reúne especialista no Sul do País

Fernando C. de Castro
25 de novembro de 2012
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    O engenheiro químico observou que os resíduos adequados à pirólise são os sólidos urbanos, resíduos de aves e subprodutos de frigoríficos, plásticos em final de vida, pneus de carro e veículos pesados, resíduos de serviços de saúde, borras oleosas, o lodo de Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) e alguns de efluente industrial.

    Quanto aos produtos gerados pela pirólise, Mallmann destacou o bio-óleo usado como combustível de geradores de energia e para a frota rodoviária depois de passar pelo processo de craqueamento. Também citou o gás de síntese que permite a partir de 20 toneladas de resíduo a geração de 1,4 MW de energia renovável verde e a cinza utilizada nos aterros sanitários, ressaltando que a pirólise tem um consumo médio de água, um percentual de sustentabilidade alto e uma flexibilidade de combustível superior e baixo impacto de poluição atmosférica, com pouca atividade de pré-tratamento média e de filtros. “A pirólise é uma solução para processar de 200 a 250 toneladas dia, ou seja, pequenas usinas”, disse.

    O consultor ambiental informou que existem usinas de pirólise na Áustria, Japão, Bélgica, França e Alemanha. A pioneira foi a austríaca Pyropeq, que gera 2 MW de energia. No Brasil, Mallmann disse que existem dois projetos em andamento: um em Santa Catarina e outro no Rio de Janeiro, orçados em R$ 100 milhões, que poderão gerar algo em torno de 4 MW. “Não vejo como viáveis esses negócios no momento por conta dos baixos preços praticados pelo mercado de energia. Essa tecnologia vai demorar um pouco para entrar no Brasil ainda”, concluiu.

    A Certificação de Créditos de Carbono também foi apresentada no Energiplast 2012. Conforme Marcino Rodrigues, advogado especialista em Direito Ambiental e Internacional e consultor em sustentabilidade, não se trata de um processo simples, demandando entre um ano e meio a dois, com um custo acima de R$ 150 mil entre taxas da ONU, despesas com auditorias, além do custo do projeto em si.

    Plástico, Reciclagem energética reúne especialista no Sul do País

    Rodrigues lembrou que a obtenção de créditos de carbono é um processo difícil

    Rodrigues acrescentou que no caso dos projetos de energias renováveis é preciso observar se a matriz energética tem escala para que a iniciativa seja viável economicamente, pois tem que se quantificar a redução de utilização do carbono, com base na avaliação de uma auditoria independente. “O Brasil, atualmente, é o sexto país do mundo em volume de projetos certificados pela ONU”, afirmou.

    O aspecto social da Gestão dos Resíduos Sólidos em Porto Alegre foi apresentado no Fórum Brasileiro de Reciclagem Energética por Jairo Armando dos Santos, diretor da divisão de projetos sociais, do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), de Porto Alegre. Ele informou que a cidade produz 1.200 toneladas de resíduos/dia, sendo que a prefeitura conta com 18 unidades de triagem que são cedidas em comodato para serem administradas por associações de catadores.

    Santos ressaltou ainda que o município repassa R$ 2,5 mil por mês para manutenção e custeio das unidades e compra de equipamentos de proteção individual (EPI), disponibilizando acompanhamento técnico através do DMLU. “Essas unidades geram renda para 630 mulheres e 120 homens, servindo como forte instrumento de inclusão social”, comentou.

    Já o coordenador do fórum e diretor do Sinplast, Luiz Henrique Hartmann, destacou que o evento tem crescido em importância a cada realização, ressaltando o valor energético do lixo e o atual desperdício dessa riqueza no país. Hartmann lembrou que as duas primeiras edições do Fórum de Reciclagem Energética debateram novas tecnologias e cases de reciclagens energéticas elétricas, enquanto essa atual apresentou soluções nas áreas do biogás, pirólise e térmica. Hartmann observou que esse tema é muito amplo, apontando a reciclagem energética como parte da solução para a gestão do lixo nas cidades.

     

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