Máquinas e Equipamentos

Reciclagem: Demanda de pós-consumo avança e pede equipamentos automatizados

Antonio Carlos Santomauro
27 de outubro de 2014
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    Plástico Moderno, Unisort, da Steinert, separa peças entre 10 e 300 mm

    Unisort, da Steinert, separa peças entre 10 e 300 mm

    E a brasileira Tecscan Recibel produz em Betim-MG um tipo de equipamento conhecido como shredder, uma espécie de pré-triturador destinado a um primeiro fracionamento de objetos maiores, posteriormente encaminhados a moinhos: por exemplo, para-choques, bombonas e tambores (tanto plásticos quanto metálicos).

    De acordo com Ronaldo Carvalho de Souza, diretor geral da Tecscan/Recibel, esse pré-fracionamento aumenta a produtividade do processo de reciclagem de plástico, além de reduzir o consumo de energia, insumo muito demandado por moinhos quando trabalham com peças maiores. “Um shredder, diferentemente de um moinho, trabalha com baixa rotação e alto torque. Além disso, a pré-trituração economiza as facas dos moinhos”, acrescenta Souza.

    Segundo ele, tais benefícios foram comprovados pela fabricante de autopeças Plascar que, em um processo de reciclagem das borras remanescentes de sua atividade produtiva, substituiu um moinho com potência de 120 HP por um equipamento proveniente de sua empresa com potência quatro vezes inferior a essa. “Isso não apenas reduziu bastante o consumo de energia, como duplicou a produtividade do moinho que seguiu recebendo as peças já fracionadas”, destaca.

    Novos usos – A atividade de reciclagem não evolui atualmente apenas pela quantidade de material processado, mas também pelo seu reaproveitamento, estimulado por grandes usuários de produtos confeccionados com esses materiais. As montadoras de automóveis, por exemplo, no desenvolvimento de novos veículos, hoje consideram também o conceito conhecido como ‘design for recycling’, cujo objetivo é conscientizar a indústria da necessidade de pensar um novo produto também como algo a ser adequadamente descartado após sua utilização.

    Exemplo de plástico cuja reciclagem é hoje impulsionada pela indústria automobilística é a poliamida reforçada com fibra, presente em peças de motores, como algumas tampas, cuja reciclagem é relativamente complexa, e até agora é pouco reaproveitado. “As montadoras vêm solicitando que seus fornecedores incluam também material reciclado na poliamida reforçada com fibra”, conta Alves, da BY Engenharia.

    Plástico Moderno, Sistema MRS, da Gneuss, usa múltiplas roscas sob vácuo

    Sistema MRS, da Gneuss, usa múltiplas roscas sob vácuo

    Segundo ele, com as tecnologias adequadas, é possível reaproveitar praticamente todos os termoplásticos; mas muitos recicladores menos informados ou com menor poder de investimento, tentam trabalhar materiais mais complexos com tecnologias muito simples. “Para reciclar PE basta uma extrusora monorrosca, disponível até mesmo em ferros-velhos, enquanto um material como a poliamida reforçada exige máquinas em cascata ou dupla rosca, mais caras, e dificilmente encontradas no mercado de usados”, especifica Alves. “Já vi gente tentando utilizar o mesmo maquinário de PE em poliamida com fibra ou PBT e isso não deu certo, também porque os usuários de plásticos de engenharia são mais exigentes e requisitam testes e laudos”, afirma.

    Já a tecnologia da Gneuss, conta Grunewald, vem sendo utilizada para a reciclagem de outros gêneros de plásticos, além de PET: entre eles, as poliolefinas e as poliamidas. Mesmo nesses casos, ele destaca, há vantagens no uso dessa tecnologia, pois seu elevado poder de degaseificação permite, entre outras coisas, eliminar do processo os gases formados pela supressão da impressão realizada em filmes de poliolefinas, ou ingredientes responsáveis pelo odor de determinados gêneros de embalagens. “Temos hoje o uso da tecnologia MRS pra a produção de matéria-prima para sacolas de supermercados com plástico reciclado de embalagens frigoríficas, cujos odores são totalmente eliminados”, exemplifica.



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    2 Comentários


    1. theodoro martinelli

      boa tarde, gostaria de saber mais sobre fornos para queima de telas de extrusoras



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